Lenny Kravitz: sacudida muito bem vinda na carreira
Resenha - It Is Time For A Love Revolution - Lenny Kravitz
Por Ricardo Seelig
Postado em 31 de março de 2008
Nota: 8 ![]()
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Lenny Kravitz precisava de um álbum como "It Is Time For A Love Revolution". A carreira do cantor, compositor e multi-instrumentista americano estava em banho maria há alguns anos, sendo destaque muito mais por suas aparições em colunas sociais do que pelo que realmente importa, ou seja, a música. "Lenny" e "Baptism", discos lançados em 2001 e 2004 respectivamente, não trouxeram nada de novo à carreira de Kravitz, muito pelo contrário. Não havia nada neles que lembrasse, mesmo que vagamente, o artista que gravou álbuns como "Let Love Rule", "Mama Said" e "Are You Gonna My Way?", trabalhos consistentes que até hoje servem de cartão de visitas e porta de entrada para o universo do cantor.
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"It Is Time For A Love Revolution" dá uma sacudida muito bem-vinda nisso tudo. Como de costume, o álbum está repleto de ecos do passado em todas as faixas, mas trazendo de volta a inspiração que andava em falta nos últimos trabalhos. Tocando todos os instrumentos na maioria das faixas, Lenny Kravitz reafirma seu talento como compositor, parindo uma coleção de canções que convencem até o ouvinte mais exigente.
Cantando com a competência habitual e tocando a sua guitarra de maneira mais econômica, focando-se mais nos riffs do que em vôos solo, Kravitz transporta a aura vintage tão característica de sua música para os nossos dias, com timbres atuais e batidas que só poderiam ter nascido nos anos 00. Colocando em um mesmo liquidificador sonoro doses generosas do pop inglês sessentista e do hard rock clássico dos anos setenta, devidamente temperados pelo ritmo e pela malícia do funk e por vocais sentimentais que bebem diretamente na fonte do soul, Lenny agrada, convence e, mais importante, entrega um trabalho consistente.
Músicas mais diretas, como o rock básico e hipnótico de "Love Revolution", que abre o disco, passando pela zeppeliana "Bring It On", onde é possível, sem muito esforço, imaginar os vocais de Robert Plant, conquistam de imediato. "Will You Marry Me" é outro destaque, enquanto o primeiro single, "Love Love Love", é um ótimo exemplo do poder da música de Lenny Kravitz, com uma guitarra funkeada e uma batida que não deixa ninguém parado.
O ouvinte mais criterioso irá descobrir o disco aos poucos, e sua paciência será premiada por baladas arrebatadoras como "I Love The Rain", dona de uma melancolia e de uma beleza simples, mas eficientes. A influência do Led Zeppelin está presente também em "A Long And Say Goodbye", onde Lenny mostra seu talento de compositor em uma canção que não faria feio em trabalhos lançados pelo gigante inglês durante os anos setenta. A trinca de ases do disco é fechada por "Dancin´Til Dawn", funk safado levado por uma guitarra esperta e com um solo de sax que nos trazem à mente os melhores momentos dos Stones fase "Some Girls".
Falando de amor em todo o trabalho, Lenny passeia pelas mais variadas sensações que o tema nos faz sentir. Agressivo em alguns momentos, mais cru em outros, sentimental na medida certa, sabendo pescar com rara habilidade os melhores exemplos do passado, juntá-los na construção de uma música própria e, não há com negar isso, cheia de personalidade, Kravitz fez um disco muito bom.
Lenny não reinventa a roda, mas faz o que se propõe a fazer com grande competência. O resultado é um dos melhores trabalhos de sua carreira.
Faixas:
1. Love Revolution
2. Bring It On
3. Good Morning
4. Love Love Love
5. If You Want It
6. I´ll Be Waiting
7. Will You Marry Me
8. I Love The Rain
9. A Long And Sad Goodbye
10. Dancin´Till Dawn
11. This Moment Is All There Is
12. A New Door
13. Back In Vietnam
14. I Want To Go Home
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