Sodom: Thrash old-school, sujo, tosco e clássico
Resenha - Final Sign Of Evil - Sodom
Por Ricardo Santos
Postado em 22 de fevereiro de 2008
Nota: 9 ![]()
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O ano de 2007 viu duas grandes bandas germânicas de Thrash Metal – Sodom e Destruction - lançarem álbuns de regravações, sendo como uma espécie de legado para a nova geração que nunca soube da importância destes grupos para o desenvolvimento de gêneros da música extrema, em especial, o Black Metal, sendo que certa vez, o finado Euronymous, do Mayhem disse que "Sodom e Destruction eram os baluartes do mais maléfico e fedido Black Metal". O Destruction regravou algumas das músicas dos seus clássicos álbuns dos anos 80 com uma produção mais requintada, dando um ar mais moderno a estas canções em seu "Thrash Anthems". O Sodom, porém, remou contra a maré , usando uma produção muito mais crua do que em discos clássicos da banda na década de 80, como o "Agent Orange", e também de seus discos recentes como "M-16" e "Sodom".

"The Final Sign of Evil", como o próprio nome diz é a regravação do clássico EP lançado em 1984, "In The Sign of Evil" com mais sete faixas inéditas já existentes na época do EP, mas desconhecidas dos fãs, que, segundo Tom Angelripper, formariam o álbum completo que ele gostaria de ter lançado a quase vinte e quatro anos atrás. O line-up aqui é o mesmo que gravou o clássico mini-álbum no longínquo ano de 1984, ou seja, além de Angelripper no baixo e vocal, conta com o guitarrista Peppi "Grave Violator" Dominic e com o baterista Chris "Witchhunter" Dudek. Para a produção do álbum, foi escolhido Toto, o webmaster do site oficial dos caras, que bateu nomes como o de Harris Johns e do mestre Andy Sneap. Talvez isto seja um fator para toda a crueza do álbum.
Agora, vamos às músicas. Primeiramente, as quatro canções que compunham o EP – "Outbreak Of Evil", "Sepulchral Voice", "Blasphemer" e "Witching Metal" – em pouco mudaram em relação às versões originais, algumas diferenças estão apenas nas afinações dos instrumentos, que estão levemente mais graves e em algumas poucas passagens da bateria. Elas não seguem a mesma ordem do EP, sendo colocadas aleatoriamente entre as faixas inéditas. Elas sempre funcionaram muito bem no EP, e soam ótimas neste álbum.
Falando no EP, a crueza de sua produção, dada aos poucos recursos existentes em 1984, sempre foi algo que me impressionou muito, e sinceramente, é o seu grande charme. Logo, é ótimo saber que os caras não produziram este álbum com mais recursos e de forma mais cristalina, que optaram pela tosquice, deixando estes clássicos fidedignos aos originais e deixando as inéditas também com toda esta aura ríspida, suja. Muitos falam que essas canções foram mal produzidas (verdade), mas foi esta produção precária que fez de "In the Sign Of Evil" um clássico, e que faz de "The Final Sign Of Evil" um álbum ótimo. Isto, e as novas velhas canções.
As novas músicas incluídas aqui foram compostas antes e durante a época de "In the Sign..." e não destoam nem um pouco da proposta old-school do álbum, a começar por "The Sin Of Sodom", com seu andamento rápido e sem nenhum tipo de firula instrumental, justamente como o tão aclamado EP. Realmente, parece ter sido composta no início da década de 80. Logo depois dela vem a clássica "Blasphemer", que aumenta esta sensação.
E é assim que o álbum prossegue, bem homogêneo. Dentre as sete canções novas, as que merecem mais destaque são a já citada "The Sin Of Sodom", "Bloody Corpse" e seus riffs incríveis e com bateria ótima, "Burst Command Til War", "Sons Of Hell", "Hatred Of Gods" e "Defloration", toda elas incríveis, sujas, simplesmente ótimas e com a gravação tosca, deixando-as ainda melhores.
Por fim, o álbum gerou diversas opiniões, pois uns adoraram as regravações e as inéditas (eu incluso) e outros odiaram tudo isto, dizendo que Angelripper fez isso apenas para vender, que esta regravação foi uma jogada de marketing e que ele não gostaria de gastar muito na produção do álbum, por isso regravou o EP e colocou mais músicas inéditas para encher lingüiça, que o álbum ficou mais limpo que o original (como, se a produção é ruim?). Eu, particularmente, adorei este disco e recomendo para qualquer um que goste de Thrash Metal old-school, sujo, tosco e clássico. Difícil parar de ouvir.
Sodom – The Final Sign Of Evil
(Hellion Records)
01. The Sin Of Sodom
02. Blasphemer
03. Bloody Corpse
04. Witching Metal
05. Sons Of Hell
06. Burst Command Til War
07. Where Angels Die
08. Sepulchral Voice
09. Hatred Of The Gods
10. Ashes To Ashes
11. Outbreak Of Evil
12. Defloration
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