In Strict Confidence: música para rave no cemitério?

Resenha - Exile Paradise - In Strict Confidence

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Por Maurício Dehò
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Não é Rock. Menos ainda metal. Na minha opinião, só por estas duas frases já podia considerar acabada a resenha do álbum “Exile Paradise”, sétimo dos alemães do In Strict Confidence, uma vez que estamos tratando de um site que fala dos dois estilos e não foi bem o que ouvi neste álbum, lançado pela Hellion Records, especializada em Metal. Mas vamos a ela.
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O In Strict Confidence nasceu no finzinho da década de 80, na Alemanha, quando ainda se chamava Seal of Secrecy. Permaneceu até 1992 com este nome, até ser conhecido como é atualmente. O primeiro disco veio apenas em 1996, intitulado “Cryogenix”, que também conseguiu ser lançado nos Estados Unidos e já colocou o grupo na cena Electro/Industrial.

O grupo, hoje, é composto por Dennis Ostermann (vocal), Antje Schulz (vocal), Jörg Schelte (programas) e Stefan Vesper (bateria). Sem guitarras, a banda apostou em uma direção experimental, tendo em vista principalmente influências do New Wave, como Depeche Mode e Kraftwerk, ou ainda Skinny Puppy.

O fruto que se vê em “Exile Paradise” é o de um estilo que só pode ser classificado como pertencente à música eletrônica. As influências góticas ficam por conta do vocal grave e sombrio de Dennis e do clima das composições, que são realmente obscuros, levados pelos sintetizadores, muito bem executados, como em “Forbidden Fruit”. Mas não passam disso, as semelhanças com o Rock ou o Metal Industrial de nomes como Ministry – outra influência deles – simplesmente parece ser muito distante, remetendo a poucos momentos, como por exemplo em “Manchmal Redest Du im Schlaf”. Os vocais femininos de Antje são muito belos, como se ouve em “Promissed Land”, mas levam a um patamar totalmente pop e acessível, que poderiam estar em qualquer balada eletrônica.

Tudo bem, os caras estão longe do que se costuma gostar no meio Rock/Metal - apesar de também não estarem perto do que é meramente comercial. Mas também não é possível apenas depreciar o trabalho, recheado de qualidades para quem gosta do estilo. Um ponto positivo é o conceito do álbum, tratando da criação do homem e recorrendo tanto a letras em inglês (maioria) quanto a outras em alemão, que sempre deixam o clima ainda mais sinistro. Detalhe que o conceito envolve todo o disco, que começa com “The Harder They Come...” e acaba em “... The Harder They Fall”, formando o famoso ditado. A arte gráfica também é primorosa, contando com o trabalho de dois modelos e suas fotos um tanto estranhas em todo o encarte. Além disso, a banda é muito boa e a produção impecável.

Ao fim, a melhor definição que surgiu em minha cabeça sobre o que realmente seria o som do In Strict Confidence é a de poderia ser altamente indicado para uma festa de Sexta-feira 13. Ou, melhor ainda, uma rave num cemitério. Brincadeiras à parte, o In Strict Confidence realmente não é para o padrão “normal” dos metaleiros de plantão. Quem tem cabeça bem aberta ao eletrônico e não tiver preconceitos para com este tipo de música pode experimentar sem medo. Senão...

Faixas:
1. The Harder They Come…
2. Promised Land
3. Forbidden Fruit
4. Fading Light
5. Wintermoon
6. Manchmal Redest Du Im Schlaf
7. Regicide
8. Der Teufel
9. Away From Here
10. In Favilla
11. Something To Remember
12. …The Harder They Fall

Formação:
Dennis Ostermann – vocal
Antje Schulz – vocal
Jörg Schelte – programações
Stefan Vesper – bateria

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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