Velvet Revolver: bem produzido mas sem colhões
Resenha - Libertad - Velvet Revolver
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 11 de agosto de 2007
Nota: 5 ![]()
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O sábio roqueiro brazuca Lobão dá a este atributo o bom nome de "paudurescência". Os estadunidenses mais desbocados chamam de "balls", "guts" ou demais sinônimos pouco publicáveis em sites de família. Já eu prefiro utilizar os bons e velhos "colhões", termo já utilizado por aqui em outras ocasiões. E é justamente isso que falta ao segundo álbum da superbanda Velvet Revolver, "Libertad". Colhões. Simples assim. O resultado é um disco bem produzido, com bons músicos e composições razoáveis. Mas é só. Absolutamente medíocre. Mediano. Não sai da metade do caminho, não f*** e nem sai de cima. Do jeito que uma banda de rock que se preze jamais pode aspirar a ser em qualquer momento da carreira.
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A imprensa especializada de todo o mundo (Brasil incluído) tratou de correr e taxar "Libertad" como o disco de uma banda mais madura e coesa. Pelamordedeus. Eu chamaria de "hard rock comportadinho e bom moço cortado e costurado para o MySpace e para a telinha da MTV". Manja o que aconteceu com o Aerosmith em sua ressurreição para uma nova geração de fãs com aquela safra de videoclipes estrelados pela Alicia Silverstone? Bem por aí. Mas o Velvet Revolver ainda está no segundo disco. E é cedo demais para ficar tão limpinho e simpático. Faz favor.

Pode parecer maldade (e me perdoem os puritanos de plantão, prontos a disparar a primeira bala nos fóruns), mas talvez a clínica de reabilitação tenha feito mal para o frontman Scott Weiland e mesmo para o restante da banda. O Velvet Revolver não soa mais agressivo, rasgado, violento e bad boy como em seu debut, o despretensioso "Contraband" - que podia soar problemático e por vezes meio tosco, meio cru, mas funcionava. E bem.
Aqui, Slash continua sendo uma máquina de riffs certeiros, mas sem aquela fúria, ah, a fúria, necessária e esperada de um egresso do Guns ‘n’ Roses. Nem parece o mesmo músico de "Dirty Little Thing", por exemplo. Mesmo a balada "Can't Get It Out of My Head", um meloso e abobalhado cover do Electric Light Orchestra que não acrescenta em absolutamente nada, não tem qualquer comparação com a força de "Falling To Pieces", do "Contraband". E olha que esta era uma música claramente revestida de roupagem pop e que chegou a tocar de maneira maciça em diversas rádios mainstream por aí!
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"Libertad" abre com "Let It Roll", que tem uma bem-vinda pegada quase punk... mas que é previsível até o osso - você sabe de antemão quando entra o solo de guitarra, quando o Weiland vai dar um grito, quando os instrumentos vão dar aquela "paradinha" súbita para que ele continue cantando de maneira solitária. A partir daí, algumas passagens parecem as canções rejeitadas do disco anterior, resgatadas do chão da ilha de edição como as cenas deletadas de um DVD – como é o caso de "Just Sixteen". "She Mine" tenta, sem sucesso, emular um cruzamento entre os Beatles e uma banda de hard rock californiana. "Last Fight" é rasgada e irritantemente pop, mas daquele popzinho safado e vagabundo, que poderia estar no repertório de qualquer Jota Quest da vida para levantar a galera no meio do show.

Justiça seja feita: "Get Out The Door", "Spay" e "For A Brother" nem são assim tão ruins, têm lá sua força correndo nas veias e são os poucos highlights de verdade em uma bolacha que peca pela obviedade asséptica. E a faixa oculta "Don’t Drop That Dime" (que pode ser encontrada aos 4:43 minutos da última música, "Gravedancer") é uma espécie de balada country sacana que é diferente de tudo que eles já fizeram - e que, veja só, é uma experiência que funciona bem pra cacete!
Seria injusto da parte de qualquer um, crítico ou fã, exigir que o segundo disco de uma banda seja uma marcante (r)evolução sonora em comparação com o álbum de estréia. Mas o mínimo que se espera é um trabalho com uma qualidade equivalente, não? E era isso que eu esperava de "Libertad". Afinal, também é injusto com os meus ouvidos saber que a mesma trupe que outrora nos deu "Mr.Brownstone" ou "My Michelle" agora resolva nos entregar um troço como "American Man". Nós merecemos muito mais.

PS: Caso você se interesse e queira procurar nos lugares devidos, "Libertad" ainda teve duas faixas exclusivas para o iTunes ("Messages" e o cover de "Psycho Killer", do Talking Heads) e aquela costumeira faixa bônus exclusiva para o mercado japonês "Gas and a Dollar Laugh".
Line-Up:
Scott Weiland – Vocal
Slash - Guitarra
Dave Kushner - Guitarra
Duff McKagan - Baixo
Matt Sorum - Bateria
Tracklist:
1. Let It Roll
2. She Mine
3. Get Out The Door
4. She Builds Quick Machines
5. The Last Fight
6. Pills, Demons & Etc.
7. American Man
8. Mary Mary
9. Just Sixteen
10. Can't Get It Out Of My Head
11. For A Brother
12. Spay
13. Gravedancer
14. Re-Evolution: Making Of "Libertad"

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