Linkin Park: culhões de menos, baladas de mais

Resenha - Minutes To Midnight - Linkin Park

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Thiago El Cid Cardim
Enviar correções  |  Comentários  | 

Nota: 4

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Se tem uma coisa que qualquer um sob os holofotes da mídia deveria aprender é a tomar muito cuidado com o que fala. Afinal, em algum momento, alguém vai lembrar do que você andou dizendo por aí. Vejamos o sexteto californiano Linkin Park, por exemplo. A promessa era de que “Minutes to Midnight”, seu terceiro álbum de estúdio, fosse algo “marcante e diferente”. De acordo com o vocalista e MC Mike Shinoda, “agora chegou a hora de dar um passo adiante” já que “temos uma nova concepção do que é fazer música”. E mais: o produtor Rick Rubin teria ainda mostrado clássicos do progressivo como Emerson, Lake & Palmer, King Crimson e Pink Floyd aos garotos, o que teria influenciado bastante o seu trabalho. E eu me pergunto: aonde? Na arte da capa, talvez?
188 acessosSTP: Banda se despedem de Chester com mensagem emocionada5000 acessosPlágio ou coincidência: trechos semelhantes no rock/metal

Veja bem, não sou um daqueles headbangers tradicionalistas que abominam o Linkin Park e toda e qualquer banda que a crítica resolva que vai colocar sob o rótulo ainda confuso de new metal (ou nu metal, você decide). Na verdade, até gosto de “Hybrid Theory” e principalmente de “Meteora”, que acho uma bolacha forte e acima da média para o mercado roqueiro mainstream estadunidense. Fui, a trabalho, assistir ao show dos moleques no Morumbi e, saiba você, a trupe faz o possível e o impossível para quebrar tudo no palco – e consegue um resultado considerável. Mas este “Minutes to Midnight” não dá para engolir. É um resultado irregular demais, com poucos pontos altos – que talvez justifiquem a nota - e muitos pontos baixos.

Depois da pequena introdução instrumental “Wake”, somos apresentados à paulada “Given Up”, que difere de quase todo o restante do álbum, e aí aquela história de “marcante e diferente” começa a fazer sentido. Uma guitarra distorcida animalesca, um baixo destruidor, uma influência thrash gritante, para bater cabeça com qualidade. Mas aí vem a baladinha pop “Leave Out All The Rest”, uma das muitas dispensáveis e descartáveis de um disco com culhões de menos e baladas de mais. E vai tudo para as cucuias. É o caso de “Shadow Of The Day” e “Valentine's Day”, todas facilmente integráveis ao repertório de qualquer um destes grupelhos emo do tipo Fall Out Boy ou My Chemical Romance. Nada contra ser pop. Mas se é para ser pop, que seja um pop com personalidade e bons bocados de estilo!

O que dizer então da animadinha e dançante (?) “Bleed It Out” – que, se não fosse pela letra, teria palminhas e refrõezinhos meia-boca o suficiente para estar na trilha sonora de “High School Musical”? Faça-me o favor. E aquela herança ragga de “In Pieces”, praticamente uma continuação da baladinha (mais uma?) “In Between” e que lembra muito mais os brazucas do Tihuana do que o próprio Linkin Park? Para encerrar, a chatíssima baladinha (MAIS UMA?) acústica “The Little Things Give You Away”, com um mal-ajambrado ar de U2.

Os tais “poucos pontos altos” ficam por conta da já citada “Given Up”, da demoníaca “No More Sorrow” - o combo instrumental bateria e guitarra inicia a coisa de maneira quase System of a Down, para ouvir em volume máximo, um Linkin Park aumentado pelo menos três vezes – e de “Hands Held High”. Esta última é, a bem da verdade, um rap comandado quase que inteiramente por Mike Shinoda, mas que surpreende positivamente por ser uma sufocante canção política sobre a atual situação de guerra na qual o mundo se encontra, uma abordagem quase messiânica que, apesar da falta de guitarras, é aquela que tem a atitude mais rock ‘n’ roll de todo o CD. Bolas, ora bolas.

Você deve ter percebido que, em nenhum momento, comentei “What I’ve Done”, o primeiro single radiofônico de “Minutes to Midnight”. É simples, caro leitor. Esta é uma faixa tipicamente Linkin Park, que poderia estar tanto em “Meteora” quanto em “Hybrid Theory”, com o frontman Chester Bennington usando e abusando dos gritos que lhe são peculiares. Boa música... mas no que diabos ela é “marcante e diferente”?

Line-up:
Chester Bennington - Vocal
Mike Shinoda - Vocal, Teclado
Brad Delson - Guitarra
Dave Farrell - Baixo
Joe Hahn - Samplers, Turntables
Rob Bourdon - Bateria

Tracklist:
1. Wake
2. Given Up
3. Leave Out All The Rest
4. Bleed It Out
5. Shadow Of The Day
6. What I've Done
7. Hands Held High
8. No More Sorrow
9. Valentine's Day
10. In Between
11. In Pieces
12. The Little Things Give You Away

Gravadora: Warner

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Minutes To Midnight - Linkin Park

5000 acessosLinkin Park: mais pesado (mas nem tanto)

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Linkin ParkLinkin Park
Petição de fãs pede que Lincoln Park mude de nome

188 acessosSTP: Banda se despedem de Chester com mensagem emocionada102 acessosLinkin Park: veja como foi o último show de Chester Bennington116 acessosChester Bennington: em vídeo, os filmes em que ele trabalhou32 acessosChester Bennington: a mudança no vocal de 2003 a 2016284 acessosLinkin Park: desvendando a voz de Chester Bennington0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Linkin Park"

Corey TaylorCorey Taylor
"Agradeça pelo que tem", ele diz para Chester

BillboardBillboard
Discos de rock/metal que atingiram o topo nos anos 2000

Linkin ParkLinkin Park
Como adolescentes de hoje reagem ao ouvir a banda?

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Linkin Park"

Coincidência?Coincidência?
Riffs e trechos de músicas semelhantes no rock/metal

Pra convencerPra convencer
Dez álbuns de metal para quem não gosta de metal

Iron MaidenIron Maiden
Veja Bruce abandonando o palco em 1999

5000 acessosSlipknot: como são os membros da banda sem as máscaras?5000 acessosGuns N' Roses: transtorno bipolar, a doença de Axl Rose5000 acessosGarimpeiro das Galáxias: Beldades globais e sua paixão pelo rock5000 acessosIron Maiden: "Eddie precisa de um quiroprático"5000 acessosThe Voice Brasil: candidato arrebenta com Queen e vai pra final5000 acessosHistória do Rock

Sobre Thiago El Cid Cardim

Thiago Cardim é publicitário e jornalista. Nerd convicto, louco por cinema, séries de TV e histórias em quadrinhos. Vegetariano por opção, banger de coração, marvete de carteirinha. É apaixonado por Queen e Blind Guardian. Mas também adora Iron Maiden, Judas Priest, Aerosmith, Kiss, Anthrax, Stratovarius, Edguy, Kamelot, Manowar, Rhapsody, Mötley Crüe, Europe, Scorpions, Sebastian Bach, Michael Kiske, Jeff Scott Soto, System of a Down, The Darkness e mais uma porrada de coisas. Dentre os nacionais, curte Velhas Virgens, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Matanza, Sepultura, Tuatha de Danaan, Tubaína, Ira! e Premê. Escreve seus desatinos sobre música, cinema e quadrinhos no www.observatorionerd.com.br e no www.twitter.com/thiagocardim.

Mais informações sobre Thiago El Cid Cardim

Mais matérias de Thiago El Cid Cardim no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online