Gorgoroth: pancadaria, blasfêmias e vociferações

Resenha - Ad Majorem Sathanas Gloriam - Gorgoroth

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Por Glauco Silva
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Nota: 8


O último do Gorgoroth, que saiu aqui via Hellion, é bem aquilo que o fã de Black Metal "xiita" espera: muita pancadaria instrumental, blasfêmia saindo pelo ladrão e vociferações odiosas. No entanto, a banda tem que aprender o quanto antes a lição que Deicide e Emperor pegaram, depois de anos dando murro em ponta de faca: mais som, menos marketing.

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Entre idas e vindas da prisão e tribunais, Gaahl (V), Infernus (G) e King (B) gravaram um excelente álbum, contando ainda com a presença mais que especial do Frost (Satyricon) destruindo peles e pratos. Aliás, o que esse maldito faz na faixa "Exit" é qualquer coisa de anormal... mais surpreendente ainda é que ela começa como trem descarrilhando e acaba em vocais um tanto inusitados - agonizantes, mas mesmo assim belos. Já "White Seed" e "Untamed Forces" são um caos só, de dar gosto!

Enquanto a esporrenta "Wound Upon Wound" abre o play e a violência segue até "God Seed (Twilight Of The Idols)", a 4ª faixa "Sign Of An Open Eye" já traz investimento maior no pêso, com a bateria bem arrastada e muitos acordes soltos. Aliás, um ponto a favor deste play é fugir da mesmice, graças às bem-elaboradas mudanças de andamento, muita variação vocal do Gaahl e o criativo trampo do Infernus nas seis cordas - provando que é possível gravar um CD decente SEM SOLOS (coisa que nem o tão incensado Kirk Hammet conseguiu fazer) e se garantindo só no ritmo.

Mas fica aquele lance na cabeça: se são músicos talentosos, viajados (vieram até pro Brasil, pô!) e poderiam se bancar só com isso, pra quê se meterem tanto em confusão criminal? Enquanto traz uma publicidade farta e gratuita pra banda, isso também prejudica muito pois impede a apreciação de sua arte, no estado bruto, por setores menos extremistas como o Black e o Death. Torna-se, digamos, um "eclipse artístico" que ganha mais destaque que a música em si - que, no final, é o que interessa.

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Bela, sombria e hermética arte da capa (identifiquei um pentagrama, um cara mordendo a traquéia de outro, um demônio e cidades em chamas - alguém vê algo mais? Comentários no fórum, please...) e fotos do encarte - que só peca por não ter letras - completam o quadro que o Gorgoroth pinta com todo orgulho: ver o circo pegar fogo e o palhaço morrer queimado. Dada a atual saturação do gênero, não é nada espetacular ou inovador: mas quem procura um puta esporro bem-executado, como eu, sai mais do que satisfeito dessa viagem.

Agora é só esperar o retorno deles pro Brasil (programado pro 2º semestre de 2007), e que brilhem exclusivamente por seus méritos artísticos... não acho que viver nos "Notícias Populares" da vida vai trazer muita longevidade a estes três persistentes guerreiros noruegueses...

2006, Hellion (nacional)

Faixas:
1. Wound Upon Wound
2. Carving A Giant
3. God Seed (Twilight of the Idols)
4. Sign Of An Open Eye
5. White Seed
6. Exit
7. Untamed Forces
8. Prosperity And Beauty


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Sobre Glauco Silva

36 anos, solteiro, estudou Linguística e Engenharia de Alimentos na UNICAMP. Tem sua sobrevivência (CDs, cigarro e cerveja) garantida no trabalho em uma multinacional. Iniciado no Metal em 1988, é baixista/vocal do LACONIST (Death Metal) e acredita fielmente que o SARCÓFAGO é a melhor banda do universo.

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