Atrocity: na onda de retornos e reuniões
Resenha - Contamined - Atrocity
Por Maurício Dehò
Postado em 14 de abril de 2007
Nota: 8 ![]()
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Na onda de retornos e reuniões que vêm marcando a última década no rock/metal, foi a vez de o Atrocity anunciar o seu reativamento. A banda de Connecticut, nos Estados Unidos (não confunda com os alemães de mesmo nome!) teve uma carreira um tanto curta. Rob Wedda (vocal), Scott Reynolds (guitarra), Rich Flint (baixo) e Jeff White (bateria) se juntaram em 1985 e debutaram com o álbum Infected, cinco anos depois. Depois disso, ainda lançaram "The Art of Death", mas o próximo passo foi a dissolução.

14 anos depois, o line-up original resolveu retomar as atividades e, antes de colocar material inédito na praça, foi lançado "Contamined", pela Open Grave Records. Este trabalho parece servir apenas para tirar as teias do quarteto, por serem 10 músicas regravadas entre as 22 do "Infected", no espantoso tempo de... 18 minutos de CD! Mas o que se tem em mãos é algo que mostra bem o que foi o Atrocity, e, com certeza, o que os caras devem retomar num futuro bem próximo: metal cru e extremo, sem firulas, e que dura só o suficiente para deixar o recado deles.
Individualmente, não falta gente de qualidade para fazer o trabalho. O vocal de Wedda é muito marcante, bem grave e agressivo e melhorou consideravelmente neste tempo todo. Os riffs de Scott não ficam para trás, além dos solos barulhentos do americano. A cozinha é forte: um baixo sempre cheio de efeitos de Rich Flint, acompanhado por White descendo braços e pernas nas velozes linhas de bateria.
A produção é um tema interessante. Se qualquer um esperaria muitas diferenças de "Infected" para "Contamined", ledo engano. Nada de som cristalino. Apesar de apresentar sim uma melhora, aquela "sujeira" está presente, como parte mesmo da sonoridade do grupo. Além disso, há partes como os solos, meio "pandemônicos", que só ajudam nessa característica. Ao mesmo tempo em que houve progresso, o Atrocity resolveu podar alguns detalhes, como tirar guitarras dobradas e efeitos no vocal e gravar aparentemente apenas os três instrumentos e a voz. A intenção parece ser dizer que a retomada é melhor que o original, com um som ainda mais pesado e cru, seguindo uma evolução mesmo após tantos anos.
Entre os petardos, mantidos quase que totalmente fiéis às antigas gravações, alguns se destacam. São faixas como "Enslaved in Turmoil", que abre o CD e começa cadenciada, só escondendo o peso do grindcore e logo caindo na velocidade, com direito a blast beats e tudo. "Contamination" é uma das melhores, uma porrada bem rápida e que curiosamente termina no meio de um solo, do nada. Outras imperdíveis são "Awaiting Demise", com linhas de guitarra marcantes e um começo legal no baixo e "Redeemed By Confession", thrash e de uma estrutura descompromissada, meio na linha do improviso, na prova do quanto se pode fazer em apenas 50 segundos.
Vale uma atenção especial à bela capa, com toda a agressividade do conjunto bem expressada por Steph Ruple.
Para quem sobreviveu a esses intensos 18 minutos, só resta aguardar o que virá num futuro álbum de inéditas. O EP acaba sendo um bom meio de apresentar o Atrocity ao público mais jovem e, talvez, relembrar o mais antigo, e atinge seu objetivo com primor nessas regravações. Tudo bem que outros nomes como Terrorizer ou Napalm Death ainda façam um som melhor, mas o Atrocity não deixa de ser uma boa opção. Ah, e não se deixe enganar por uma ou duas caras de "tiozão" na foto da contra-capa. É só botar o play para mostrar que os americanos ainda têm muita porrada para mostrar.
Formação:
Rob Wedda - vocal
Scott Reynolds - guitarra
Rich Flint - baixo
Jeff White - bateria
Track list (18'35):
1. Enslaved In Turmoil (1'50)
2. Nuclear Manslaughter (3'00)
3. Unseen Death (3'03)
4. Contamination (1'55)
5. Slave To Conformity (2'08)
6. Awaiting Demise (1'32)
7. Infected (1'16)
8. Cycle Of Despair (1'02)
9. Redeemed By Confession (0'49)
10. Personal Decimation (1'43)
Lançamento Open Grave – importado – 2006
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