Resenha - Secret Society - Europe
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 19 de dezembro de 2006
Nota: 10 ![]()
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Se você ouviu "Start From The Dark" (2004), o retorno dos suecos do Europe depois de mais de uma década na obscuridade, então já sabe que tipo de trabalho esperar do recém-lançado "Secret Society". Aos desavisados, no entanto, fica aqui o conselho: não espere os teclados pop e a sonoridade hair metal do maior hit do grupo nos anos 80, "The Final Countdown", e muito menos baladas doces como "Carrie". Embora a formação seja a mesma que os consagrou na época do laquê e das calças de couro justíssimas, aqui a proposta é rigorosamente outra. Disco todo composto e produzido pessoalmente pelo quinteto, "Secret Society" é um hard rock moderno, inteligente e pesado - muito mais pesado do que se imaginaria ao ouvir os trabalhos anteriores da banda.

Para entender do que se trata este Europe de cara nova, tente misturar o peso e a personalidade do hard europeu de grupos como Pink Cream 69; as boas letras, a pegada e a crueza de um U2 em começo de carreira, quando Bono Vox ainda não estava preocupado em salvar o mundo; e a modernidade sonora, sem frescuras ou invencionices baratas, de um Audioslave da vida. As cereja do bolo, é claro, são a guitarra energética de John Norum e os vocais intensos de Joey Tempest, cuja voz ficou mais limpa e mais poderosa com o passar dos anos, e que chega a emocionar qualquer ouvinte na linda balada "A Mother's Son", na qual o frontman se entrega com a alma em pedaços.
A faixa título, que abre o trabalho, e sua sucessora, "Always The Pretenders", são uma amostra clara e objetiva da nova proposta do Europe, com melodias e refrões irresistíveis. "Love is Not The Enemy", por exemplo, é o tipo de canção na qual qualquer headbanger não pensaria duas vezes para começar a bater cabeça - e, no entanto, ainda dá para tocar fácil em qualquer rádio das mais comerciais. O mesmo dá para dizer de "Let The Children Play", cujos riffs completamente heavy metal se misturam harmoniosamente com um coral de crianças que, em dado momento da canção, assumem o refrão no lugar de Tempest.
A dobradinha "Human After All" e "The Getaway Plan" é o tipo de trabalho que, se Dave Grohl acabar ouvindo, com certeza faria o líder do Foo Fighters bater a cabeça na parede e dizer, em penitência: "Putz, era eu que deveria ter escrito isso!". E com "Wish I Could Believe", na opinião deste que vos escreve a melhor do disco e que já vale a bolacha inteira, o Europe apresenta um dos refrões mais arrebatadores que já tive o prazer de ouvir nos últimos anos, entrando sem cerimônias no meu hall de "canções inesquecíveis do ano".
Para finalizar, a letra esperta e contagiante de "Devil Sings The Blues" deixa uma pergunta no ar: no caso de um disco viciante como este, não seria melhor ter um modo randômico, no qual a primeira música já jogasse direto para a primeira, para nos poupar o trabalho de recorrer ao repeat? Recomendadíssimo, uma excelente surpresa para este final de ano.
Line-up:
Joey Tempest - Vocal
John Norum - Guitarra
John Levén - Baixo
Mic Michaeli - Teclado
Ian Haugland - Bateria
Tracklist:
1. Secret Society
2. Always the Pretenders
3. The Getaway Plan
4. Wish I Could Believe
5. Let The Children Play
6. Human After All
7. Love Is Not the Enemy
8. A Mother´s Son
9. Forever Traveling
10. Brave and Beautiful Soul
11. Devil Sings the Blues
Gravadora:
Dynamo Records
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