Resenha - Almah - Edu Falaschi

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Por Ricardo Seelig
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Nota: 5

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Você já percebeu como, de uns tempos para cá, todo e qualquer integrante de uma banda se sente na obrigação de lançar um álbum solo para “se expressar artisticamente de uma maneira mais livre”, solto das amarras e dos limites de seu grupo principal?

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Isto não ocorria há vinte, trinta anos atrás. É claro que álbuns solos de vocalistas, guitarristas e qualquer outro integrante das bandas mais antigas sempre existiram (e vão continuar existindo), mas eram uma exceção (vide os discos lançados pelos membros do Kiss no final da década de setenta, por exemplo) e não a regra, como agora. Isso me faz pensar sobre o que será que mudou na música para que, nos dias de hoje, praticamente todas as pessoas que fazem parte de qualquer grupo sintam a necessidade de lançar um trabalho individual.

O mundo atual tornou as relações entre os indivíduos mais complicadas, fazendo com que só consigam ser eles mesmos quando estão em um projeto onde tem controle absoluto sobre os rumos criativos do trabalho, não precisando dividir isto com mais ninguém? As gravadoras assumiram de vez o rótulo de “produto” que os seus contratados sempre carregaram, permitindo que os músicos só exerçam a sua criatividade dentro de um limite pré-determinado? Os caras antigos eram mais ingênuos, ou mais maduros, e conseguiam conciliar os conflitos de ego que sempre envolvem um trabalho artístico, administrando os conflitos tendo como objetivo principal a qualidade do produto final? Ou a alimentação cheia de conservantes e produtos químicos que estamos consumindo nas últimas décadas contém aditivos que agem, mesmo sem o nosso conhecimento, sobre a área criativa de nossos cérebros, fazendo com que tenhamos a necessidade de produzir mais e mais e mais, sempre?

Confesso que poderia tentar, durante horas, encontrar possíveis motivos para este fenômeno, mas talvez no meu caso os conservantes aí de cima não tenham agido direito.

Outra coisa: pode ser que este monte de raciocínios infundados não passe de papo furado, e Edu Falaschi tenha decidido que queria apenas fazer e curtir um som. Tudo bem, talvez seja isso mesmo, e eu não passe de um chato cheio de teorias na cabeça, mas uma coisa eu posso concluir sem dúvida alguma: ele escolheu o pior momento possível para lançar seu primeiro trabalho solo.

A resposta para esta conclusão é bem simples. Basta abrir qualquer revista, site, fórum, conversar com qualquer fã do Angra ou de metal que suposições sobre uma possível separação do grupo surgem aos montes. Não vou dar ouvidos a fanáticos que, ao invés de olhar para os lados, preferem ficar fixos no próprio umbigo, dizendo que os veículos e os jornalistas de música pesada brasileiros (e o Whiplash! e todos os seus colaboradores estão incluídos neste bolo) vivem plantando informações falsas sobre os tão falados conflitos entre os integrantes, mas este diz-que-me-diz se sustentar ao longo dos anos, ganhando ares de novela mexicana a todo momento, é um fato curioso e que deixa qualquer um que curte os trabalhos do Angra com a pulga atrás da orelha (isso sem falar que a existência de uma banda do tamanho do Angra traz um benefício enorme para todo mundo).

E, quando estes boatos sobre supostos conflitos mantém-se firmes e crescem a cada dia, Edu Falaschi lança o seu primeiro álbum solo. Pronto, páro por aqui e não escrevo mais nada a respeito...

O que há de legal em “Almah”? A primeira música, “King”, é o maior destaque do disco, disparado. Cantando de uma forma agressiva até então inédita, Edu mostra uma faceta desconhecida do seu trabalho, e alcança um resultado final muito bom. Dá gosto ouvir a música repetidas vezes, curtindo o caminho inesperado que Falaschi imprimiu a ela. Confesso que gostaria de vê-lo cantando desta maneira no novo do Angra, mas algo me diz que isso está muito longe de acontecer.

Tá, e as outras dez faixas do CD, como é que são? Olha, por mais que a banda formada por Emppu Vourinen (guitarrista do Nightwish), Lauri Porra (baixista do Stratovarius) e Casey Grillo (baterista do Kamelot) seja indiscutível tecnicamente, e que cada um deles tenha mostrado o seu talento várias vezes ao longo do álbum, não há muito mais além do que isso no CD. Se você curte Stratovarius acho que vai preferir ouvir os álbuns da banda e não “Take Back Your Spell”. Se você é fã do Angra (e é claro que é, afinal está lendo esta resenha até aqui) vai preferir ouvir os CDs do grupo ao invés de “Scary Zone”.

Edu se aproxima do pop através de várias baladas, como “Forgotten Land”, “Primitive Chaos” e “Almah”, que soam como meros pastiches de Bon Jovi, Guns´N Roses e Aerosmith em seus piores momentos.

O ouvinte médio não encontrará maiores atrativos em “Almah”, enquanto o mais exigente não conseguirá passar da primeira música. Esperava mais de Edu Falaschi em seus primeiro trabalho individual, afinal o cara é a voz de uma das maiores bandas que o Brasil já viu nascer, mas infelizmente o que se ouve neste disco são idéias repetidas e requentadas, repletas de clichês já utilizados à exaustão.

Enquanto o heavy metal nos entrega dezenas de novas e boas bandas todos os dias, um dos principais integrantes de um dos grupos de maior expressão no estilo coloca no mercado um trabalho pra lá de mediano. Com o preço do CD nas alturas, não é difícil imaginar qual disco será levado para casa e qual ficará encalhado na prateleira.

Quer uma dica? Não faça como eu, espere alguns meses e adquira o CD pela metade do preço nas liquidações que as grandes lojas vivem fazendo. Assim o valor que você irá pagar estará ligado à qualidade final do produto.

Faixas:

1. King
2. Take Back Your Spell
3. Forgotten Land
4. Scary Zone
5. Children Of Lies
6. Break All The Welds
7. Golden Empire
8. Primitive Chaos
9. Breath
10. Box Of Illusion
11. Almah

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Sobre Ricardo Seelig

Ricardo Seelig é editor da Collectors Room - www.collectorsroom.com.br - e colabora com o Whiplash.Net desde 2004.

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