Resenha - Dante XXI - Sepultura

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Por Ricardo Seelig
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Muito acima do gosto pessoal de cada um, uma coisa é indiscutível: o Sepultura é uma das bandas mais originais, importantes e influentes dos últimos vinte anos, não só no cenário heavy metal, mas em todo o rock. Com papel fundamental no crescimento e consolidação do metal aqui no Brasil, o grupo acaba de lançar "Dante XXI", seu novo álbum. Só as palavras deste primeiro parágrafo já deveriam atrair, com sobras, a atenção de todo e qualquer apreciador de música pesada para o novo trabalho, mas infelizmente não é assim que acontece.

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Não vou entrar em discussões sem sentido sobre o prazer que o brasileiro tem em dar mais valor as coisas que vem de fora em detrimento as produzidas em sua própria terra. Não vou falar da contradição que a maioria dos headbangers carrega estampada na testa, reclamando diariamente do preconceito e não aceitação da grande mídia e das pessoas em geral ao som que curtem, enquanto eles próprios são poços sem fundo de conservadorismo, capazes de classificar um álbum como ruim apenas porque a banda resolver usar teclados ou colocar alguns efeitos eletrônicos em seu som (e, neste caso, eu não estou falando do Sepultura). O que eu quero dizer é que Igor Cavalera, Andreas Kisser, Paulo Jr e Derrick Green merecem, acima de tudo, respeito, não só pelo que significam para o heavy metal brasileiro e mundial, mas, principalmente, por ainda encontrarem forças para levar o Sepultura adiante mesmo diante da enxurrada de problemas, críticas e acusações que acometeram o grupo desde a saída traumática de Max Cavalera.

"Dante XXI" parte de um ponto muito interessante: a história do poeta italiano Dante Alighieri, autor do clássico "A Divina Comédia", que narra a sua descida ao inferno. O Sepultura transpôs o livro para o disco, e o resultado final mostra que, acima de discussões e suposições sobre o que o futuro reserva à banda, a banda ainda merece ser ouvida com atenção.

Características marcantes do thrash metal que levou o grupo às alturas na primeira metade da década de noventa soam fortes, vigorosas e renovadas em "Dante XXI". A principal delas é a guitarra de Andreas Kisser. Seus riffs, suas "pedaladas", seus timbres e, principalmente, a forma com que toca o seu instrumento mostram quem é, hoje, a usina pulsante por trás da banda. Mais afiado do que nunca, Andreas faz de sua guitarra o destaque principal do álbum.

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As já citadas características thrash marcam presença na introdução de "Dark Wood Of Error", no peso de "Convicted In Life" (que poderia estar no set list de "Chaos A.D." sem demérito algum), nas guitarras pesadíssimas de "Fighting On" e no riff matador de "Nuclear Seven".

Mesmo com a performance de Andreas saltando aos ouvidos, os outros membros do Sepultura mostram-se igualmente inspirados em "Dante XXI". Igor Cavalera, mesmo optando por linhas de bateria mais simples e diretas, sem dúvida ainda figura entre os grandes do instrumento em todo o mundo. Paulo Jr vai na boa, e seu baixo acrescenta ainda mais peso às guitarras de Andreas. E Derrick Green ? Bem, eu sou suspeito para falar, pois sempre curti os vocais do sujeito, e neste álbum o cara mostrou mais uma vez que é um baita vocalista. Viúvas de Max Cavalera vão chiar ? Vão, mas se você levar apenas a opinião delas em conta a banda acabou há tempos.

Um fator que chama a atenção é a ausência total de experimentos com a música brasileira, que tanto marcaram o som do grupo ao longo dos anos. Em seu lugar o álbum apresenta orquestrações de muito bom gosto, que complementem e dão ainda mais peso às músicas.

A escolha de uma história interessante e original como ponto de partida para o disco fez muito bem ao Sepultura. Mesmo que "Against", "Nation" e "Roorback" sejam bons álbuns, eles são inferiores à "Dante XXI". A banda conseguiu unir a raiz do estilo que a tornou conhecida no mundo todo com a inquietação que sempre marcou a sua obra, buscando novos caminhos e sonoridades a cada lançamento. O que poderia soar como um tiro em falso soa como uma bala de canhão certeira.

"Dante XXI" é heavy metal, é hardcore, é thrash metal, é death metal, é black metal e, acima de tudo, é heavy metal moderno e atual, jogando o Sepultura de novo no seu merecido lugar: um dos grupos mais influentes e originais do rock.

Altamente recomendável.

Faixas:
1. Lost (Intro)
2. Dark Wood Of Error
3. Convicted In Life
4. City Of Dis
5. False
6. Fighting On
7. Limbo (Intro)
8. Ostia
9. Buried Words
10. Nucelar Seven
11. Repeating The Horror
12. Euno ... (Intro)
13. Crown And Miter
14. Primium Mobile (Intro)
15. Still Flame


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