Resenha - Rock & Roll Machine - Triumph
Por Rodrigo Werneck
Postado em 23 de março de 2006
Nota: 9 ![]()
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Se na sua boa estréia o grupo Triumph já mostrava sua força, neste segundo disco, sendo relançado agora pela Sanctuary com som remasterizado e encarte extenso, a banda começava a desenvolver o seu som mais característico, fugindo das referências a outras bandas e desenvolvendo um estilo próprio.

Mantendo a formação com Rik Emmett na guitarra e vocal, Mike Levine no baixo e teclados, e Gil Moore na bateria e vocal, neste "Rock & Roll Machine" o Triumph mostra uma grande evolução musical, fruto não somente do maior entrosamento dos músicos, mas também da possibilidade de passar mais tempo dentro de um estúdio para gravar seu segundo disco, após o primeiro ter sido bem recebido por público e crítica.
O disco abre com faixas ainda lembrando o estilo mais cru, por assim dizer, do trabalho de estréia. "Takes Time" e "Little Texas Shaker" chegam a lembrar o AC/DC e o Nazareth, até pelo fato de Emmett apresentar um vocal mais "rasgado". A partir da quarta música, o disco muda de estilo, interessantemente, passando a demonstrar o que a banda viria a fazer nos próximos trabalhos: um hard rock melódico, com influências do rock progressivo e até do jazz, fruto em especial do estilo eclético e do talento de Rik Emmett. "New York City Streets", em suas 2 partes, se alterna portanto entre todos os estilos mencionados: começa como uma suíte progressiva, prosseguindo por passagens jazzísticas da guitarra de Emmett, e então retornando ao hard rock clássico, com mais solos de guitarra, dessa vez pesados, acompanhados pela cozinha criativa de Moore e Levine. Certamente um dos pontos altos deste disco.
A longa suíte "The City", com suas 3 partes, mostra novos terrenos percorridos pelo Triumph, com a banda correndo riscos mas saindo-se vitoriosa. A primeira parte, "War March", é um instrumental baseado em "Mars, The Bringer of War", segmento da obra erudita "The Planets", do compositor inglês Gustav Holst. Segue-se "El Duende Agonizante", mais um instrumental no qual Emmett demonstra toda sua habilidade numa inspirada interpretação ao violão. A terceira parte é "Minstrel’s Lament", que começa como uma balada pesada em todas as acepções do termo, ao melhor estilo do Uriah Heep, e com um emocionante solo de guitarra de Emmett. O final, porém, é arrebatador, rápido e pesado, voltando portanto ao estilo anterior. Quase 10 minutos de duração, um tiro certeiro.
De volta ao rock visceral, o disco se encerra com mais 2 destaques: o cover para "Rocky Mountain Way", célebre composição do grande guitarrista Joe Walsh (James Gang, Eagles, solo), e o quase hino "Rock & Roll Machine", obrigatória nos shows do Triumph, e no meio da qual Rik Emmett sempre incluía seu (longo) solo de guitarra. Interessante é que nesta última estão de volta as referências ao Led Zeppelin, inclusive de forma explícita, pois há partes "chupadas" de "Whole Lotta Love".
Após esse disco de 1977, a banda alcançaria o sucesso merecido, e estaria aberto o terreno para o disco que talvez mais simbolize o que é a música do Triumph, "Just A Game" (review aqui em breve!).
Tracklist:
1. Takes Time
2. Bringing It On Home
3. Little Texas Shaker
4. New York City Streets – Part 1
5. New York City Streets – Part 2
6. The City
i) War March (instrumental)
ii) El Duende Agonizante (instrumental)
iii) Minstrel’s Lament
7. Rocky Mountain Way
8. Rock & Roll Machine
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