Resenha - Arena - Perpetual Dreams
Por Ricardo Seelig
Postado em 27 de fevereiro de 2006
Nota: 9 ![]()
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Ao contrário do que muitos pensam, a pedra fundamental do heavy metal melódico não foi lançada pelo Helloween com as duas partes do clássico "Keeper Of The Seven Keys". A raiz do gênero, suas fórmulas e melodias abundantes têm como base dois discos lançados pelo Rainbow de Ritchie Blackmore em 1975 e 1976. Os álbuns "Ritchie Blackmore´s Rainbow" e "Rising", apesar de "esquecidos" pela maioria dos jovens fãs do gênero, são obrigatórios e didáticos para quem pretende entender a evolução do metal ao longo dos anos.

Os catarinenses do Perpetual Dreams fizeram a lição de casa direitinho, e o resultado é o belo "Arena", terceiro álbum da banda. Investindo na melodia sem abrir mão do peso, o que se ouve no disco é de uma maturidade surpreendente, enganando facilmente qualquer ouvinte eventual que não possua maiores informações sobre o grupo.
O álbum abre com a intro "Arena", que prepara o clima para "Push", excelente composição que nos transporta para os álbuns que Ronnie James Dio gravou nos anos oitenta. O solo desta canção é muito bom, com uma sonoridade parecida com a explorada pelo guitarrista Vivian Campbell quando de sua passagem pela banda de Dio.
As três faixas seguintes despejam peso sem dó. Em "Falling Down" a voz de Eduardo D´Avila lembra um pouco a de Andre Mattos, e a faixa contém um excelente riff e ótimas passagens de teclados. Já em "Braveheart" o destaque é o riff totalmente oitentista, lembrando as bandas de hard rock daquela época. Longa e cadenciada, mais uma vez tem ótimas passagens de teclado e uma parte orquestrada com arranjos épicos semelhantes ao estilo adotado por Tuomas Holopainen em "Once", último trabalho do Nightwish. "No More Lies" vem em seguida, e mais uma vez o guitarrista Deny Bonfante mostra todo o seu talento, naquele que é, na minha opinião, o melhor riff do álbum. Com uma clima bem hard rock, "No More Lies" lembra a fase "Sacred Heart" de Dio, e, ao lado de "Alive", é uma das melhores faixas de "Arena"
O álbum é repleto de ótimos momentos. A instrumental "Escape In" é o testemunho do talento de Bonfante, que em um clima acústico despeja influências de Blackmore e Eddie Van Halen. "My Revenge" mistura Saxon com Dio, enquanto que "Conspiracy" e "Terrorslaves" são um tributo ao excelente trabalho perpetuado pelo Rainbow há trinta anos.
A banda soa muito coesa em todo o álbum, com destaque para o vocalista Eduardo D´Avila, o excelente guitarrista Deny Bonfante (além de tocar muito, o cara é um grande compositor) e o tecladista Jan Findeiss. A produção do álbum foi muito bem executada pela banda, assim como a arte da capa, a cargo do competente Gustavo Sazes. Fechando com chave de ouro, o CD contém ainda o clip da faixa "Push", muito bem produzido diga-se de passagem.
Se eu tivesse recebido este álbum antes do final de 2005, certamente ele estaria na minha lista dos melhores do ano. Excelente trabalho de uma banda que promete muito para o futuro. Parabéns.
Faixas:
1. Arena
2. Push
3. Falling Down
4. Braveheart
5. No More Lies
6. Escape In
7. My Revenge
8. Alive
9. Conspiracy
10. Forever Lost In Time
11. Terrorslaves
Bonus Track
12. Push - Video Clip
Site: www.perpetualdreams.net
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