Resenha - 1.22.03.Acoustic - Marron 5
Por Ricardo Seelig
Postado em 21 de julho de 2005
Nota: 9 ![]()
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Uma das coisas que mais me deixa irritado em relação à música é o preconceito dos fãs de rock pelo termo "pop", como se a simples menção destas três letras desqualificasse toda e qualquer banda automaticamente.

O pop sempre andou de mãos dadas com o rock, e gerou frutos inesquecíveis e obrigatórios para qualquer fã de música, como "Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band", "Pet Sounds" e "A Night At The Opera". Ser pop não é pecado, pelo contrário, é uma qualidade. Qualquer refrão que você ouve e fica gravado na sua cabeça desde a primeira audição, seja ele o de "Run To Hills" ou o de "Smoke On The Water", é pop e pronto.
Mas, é claro, o tal do fã de rock, principalmente de música pesada, nunca vai admitir isso. Azar dele, que vai deixar de conhecer novas bandas tão legais quanto o californiano Maroon 5. O primeiro álbum do grupo, "Songs About Jane", saiu em 2002, e transformou a banda em figurinha tarimbada nas rádios e na MTV (mais duas palavras "proibidas" para o tal do fã de rock, já que são veículos que "vendem" a música que para eles é pura arte ... como será que eles pensam que os seus artistas preferidos sobrevivem ? ). Agora, aproveitando a onda favorável, o grupo lança o EP "1.22.03.Acoustic", gravado em Nova Iorque em 2003.
A principal característica, e a própria identidade do Maroon 5, está na voz peculiar de seu vocalista Adam Levine, e isto fica ainda mais evidente neste EP acústico. Adam é um excelente vocalista, e interpreta as canções com uma emoção concreta e palpável, valorizando ainda mais as músicas do grupo.
O EP abre com o primeiro hit do grupo, "This Love", que fez o álbum "Songs About Jane" vender milhões de cópias ao redor do mundo e tornou a banda conhecida. Mesmo desprovida de toda a pompa dos arranjos de estúdio, "This Love" se revela uma canção agradável, carregada de influências do pop negro produzido pela gravadora americana Motown nos anos setenta, berço de artistas como Jackson 5.
A seguir entram mais dois singles do grupo, as conhecidas "Sunday Morning" e "She Will Be Loved". A primeira segue a linha de "This Love", com as mesmas influências negras, enquanto que a segunda, uma das melhores faixas do debut da banda, acaba se revelando um dos principais destaques do EP. "She Will Be Loved" é ao mesmo tempo delicada e poderosa, transbordando emoção em uma interpretação primorosa de Adam Levine.
"Harder To Breathe" e "The Sun", ambas também do álbum de estréia do grupo, mantém o excelente nível do CD, com destaque para a primeira, um daqueles pops que agradam já na primeira audição.
Fechando o EP temos duas surpresas. A primeira é a versão para a maravilhosa "If I Fell", dos Beatles, que aqui, executada por uma banda inspirada e despida de pretensão, mostra o poder criativo de Paul McCartney e John Lennon em uma canção escrita há quase quarenta anos e que, mesmo assim, ainda se mantém bela e atual. O Maroon 5 executa "If I Fell" com um cuidado e uma reverência quase religiosos, e o resultado final não poderia ser outro a não ser uma versão antológica e belíssima, que vale o CD.
O set acústico acaba aqui, mas o EP ainda nos dá de presente uma bonus track digna de nota, com o grupo executando a clássica "Highway To Hell", do AC/DC, em um show gravado em Hamburgo, na Alemanha. A princípio o resultado é meio estranho, mais aos poucos você vai se acostumando com o tempero soul que o Maroon 5 deu a um dos maiores hinos dos irmãos Young.
Além do destaque evidente ao vocalista Adam Levine, a performance de toda a banda (Jesse Carmichael, James Valentine, Mickey Madden e Ryan Dusick) é excelente, principalmente a do pianista e guitarrista Jesse Carmichael.
Enfim, música fácil de ouvir e agradável para todo o corpo, em um belo e despretensioso CD que deixa um gostinho de quero mais.
Altamente recomendável.
Faixas:
1. This Love
2. Sunday Morning
3. She Will Be Loved
4. Harder To Breathe
5. The Sun
6. If I Fell
Bonus Track:
7. Highway To Hell
Ouvindo:
Queen, Love Of My Life.
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