Resenha - Far Away - Crushing Blow

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Por Sílvio Costa
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A primeira impressão que passa o Crushing Blow é que eles são (ou tentam ser) mais um dos incontáveis clones do Nightwish que proliferam na cena européia desde o surgimento e sucesso do quinteto finlandês. Mas no heavy metal, assim como na vida, conclusões precipitadas raramente são acertadas, e basta dar uma ouvida mais atenta nas 10 faixas de Far Away para que se constate que esse grupo francês não tem quase nada que lembre os milhares de grupos de gothic/symphonic metal europeus, que exploram à exaustão a imagem de suas cantoras, não importando muito o quanto elas são capazes de cantar. De clone do Nightwish, portanto, o Crushing Blow tem pouco. Na verdade, apesar da presença forte de alguns elementos "modernos" em sua música, o Crushing Blow soa "old school" e não tem medo de agregar elementos que poderiam até soar datados, mas que foram retrabalhados de modo a dar ao som da banda originalidade e coesão.

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O heavy metal do Crushing Blow é um emaranhado de influências que partem do próprio Nightwish e passam por grupos que investem mais em peso e acréscimo de elementos sinfônicos a sua música, como Angra e Rhapsody, embora sem a destreza dos primeiros ou a pompa dos segundos. As linhas melódicas seguem o elevado padrão estabelecido pelos maiores grupos de power metal da atualidade, o que serve apenas para comprovar a competência de Guillaume e Benjamin no comando das guitarras. A bateria poderosa e veloz de Patrick bem que poderia ser mais diversificada, mas mesmo assim o resultado final impressiona pela vontade que dá de bangear ao longo da audição do CD.

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Os vocais de Audrey ficam prejudicados em virtude do fortíssimo sotaque da moça. É bom lembrar que a própria Tarja Turunen passou por dificuldades semelhantes (ainda que em menor grau) nos primórdios do Nightwish. Nada que esforço e um pouco mais de estrada não consertem. De maneira genérica, ela se aproxima mais de Kimberly Goss (Sinergy) que da própria Tarja, uma vez que sua voz tem um punch mais "heavy" e menos lírico. Distanciando-se das bandas escandinavas que apresentam mais ou menos a mesma proposta apresentada pelo Crushing Blow, a banda optou por acelerar seu heavy metal e evitar "confusões" com a cena gótica européia, já mais que saturada atualmente. Além disso, a ausência de teclados (acidental, já que a banda perdeu seu tecladista pouco antes de as gravações começarem) acaba ajudando a diferenciar o som do Crushing Blow, tornando-o mais compacto e menos floreado. A opção por um som mais direcionado para a guitarra acabou por criar temas muito intensos, como é o caso da faixa-título e da poderosíssima "Humanity".

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Infelizmente, a Haunted Records, que lançou o disco por aqui e tem feito um excelente trabalho desde o início de suas atividades, vacilou com relação à arte gráfica do álbum do Crushing Blow. Aqui no Brasil o disco não foi lançado com a mesma capa européia, e o encarte não traz absolutamente nenhuma informação sobre a banda. Nem mesmo o nome dos integrantes. Pena que um trabalho tão bom tenha sido prejudicado por um detalhe tão sem importância.

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Banda:
Audrey Bucci – Voz
Patrick Prunetti – Bateria
Guillaume Stamm – Guitarra
Benjamin Truelle – Guitarra
Gerald Krist - Baixo

Site Oficial: www.chez.com/crushingblow

Haunted Records: www.hauntedrecords.com.br

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Sobre Sílvio Costa

Formado em Direito e tentando novos caminhos agora no curso de História, Sílvio Costa é fanzineiro desde 1994. Começou a colaborar com o Whiplash postando reviews como usuário, mas com o tempo foi tomando gosto por escrever e espera um dia aprender como se faz isso. Já colaborou com algumas revistas e sites especializados em rock e heavy metal, mas tem o Whiplash no coração (sem demagogia, mas quem sabe assim o JPA me manda mais promos...). Amante de heavy metal há 15 anos, gosta de ser qualificado como eclético, mesmo que isto signifique ter que ouvir um pouco de Poison para diminuir o zumbido no ouvido depois de altas doses de metal extremo.

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