Resenha - I Made My Own Hell - Vhäldemar
Por Clóvis Eduardo
Postado em 08 de agosto de 2004
(Rock Brigade - nacional)
I Made My Own Hell é a prova dos nove para o Vhäldemar. Independentemente do estilo, toda banda pode lançar um CD, mas o segundo é sempre uma questão mais complicada. Depois do marcante álbum de estréia, Fight to the End, a banda espanhola deveria mostrar um serviço mais intenso. Lançado em 2003, o disco infelizmente nem de longe chega ao nível do primeiro, curiosamente por manter a fórmula.

Formado por Pedro J. Monge (guitarra), Carlos Escudero (vocal e guitarra) Oscar Cuadrado (baixo) e Edu Martinez (bateria), o grupo veio com seu power metal épico e decepcionou alguns fãs, incluindo este que vos escreve. A faixa-título abre o trabalho com corais, excesso de solos e forte influência de Gamma Ray, Manowar e um sem número de outras bandas afins.
O que marca mais presença negativa em I Made My Own Hell, assim em todas as outras faixas, é um absurdo em criação e quantidade de solos. Um virtuosismo que já encheu o saco. Logo em seguida, Breakin' all the Rules tem aquela jeito de "já ouvi isso em algum lugar". Novamente, solos em demasia fazem do álbum de qualquer instrumentista um megaclássico na carreira, menos o trabalho de uma banda.
Aliás, das 12 músicas próprias, sete começam com solos. E No Return não seria exceção. Mais lenta do que as duas primeiras, tem um refrãozinho daqueles para cantar com o capacete na cabeça e o punho erguido, marchando bem rápido para trocar de música. Me deparo com Stream-Roller, diferente em todos os sentidos. Se você aguçar o ouvido perceberá que, na metade da música, o vocal de Escudero toma um volume acima do normal. Nunca ouvi caso igual. Dá nisso investir em duetos com ele mesmo.
Seguimos ao som da balada Old King's Visions (Part II) e a instrumental Mystery, se é que era necessário uma faixa como esta - por sinal, tem mais duas ao longo do CD. Assim, na quinta música nem queria mais ouvir o álbum. House of War vem depois e é, enfim, um ponto alto. A velocidade! Bateria, baixo e guitarra se superam, mas pena que só valem pelos momentos extremamente velozes. O restante é tudo igual. Moonlight é outra instrumental, mais curta e que abre para Dreamer, com aquele sincronismo cavalgado que todo mundo faz.
Death Comes Tonight é uma das mais cadenciadas, insistindo nos solos exagerados. I Will Rise My Fist tem um riff rápido e acompanhamento engraçado (para não ter de procurar outro adjetivo), já que a criatividade fica bem abaixo do esperado. March of Dooms é uma instrumental até que bem feita e com um feeling muito bom, mas que não serve para fechar o álbum. Até na ordem das músicas o Vhäldemar foi infeliz. Claro que a culpa não é só dos integrantes da banda, já que Piet Sielck comandou a masterização. Notou algum semelhança com o Iron Savior? O CD conta ainda com a faixa bônus Gorgar, que fez parte de um tributo ao Helloween.
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