Resenha - Rock Soldiers - Vol. 9
Por Sílvio Costa
Postado em 12 de julho de 2004
Dizer que coletâneas são como montanhas-russas - cheias de altos e baixos - é algo tão clichê que deveria ser uma daquelas frases banidas para todo o sempre do vocabulário da crítica musical do universo. Mas o pior é ter que encontrar um substituto adequado para se referir a trabalhos como este Rock Soldiers. Levado adiante pelo incansável Marivan Ugoski (da banda Attro, que já está com disco novo no mercado), a proposta desta série de CDs é mostrar o que é produzido pelo undergroud país afora. Neste nono volume, são treze bandas, distrubuídas em 22 faixas. Aqui, a diversidade é o maior destaque, presentes bandas de hard rock e death metal lado a lado. Mesmo correndo o risco de me estender mais do que deveria, prefiro não partir para generalizações, correndo o risco de cometer injustiças. Vamos falar de todas as bandas.

O CD abre com o genial Entrevero Cardinal, de Pelotas (RS). A banda pratica um death metal sem concessões. O grande destaque é o trampo de guitarras e a produção limpa nas duas faixas que a banda participa.Em seguida, os paulistanos do Dragster não deixam o ritmo cair. Também é um death metal bem trampado, como a banda anterior e a produção também ajuda muito. O problema fica por conta do vocal, prejudicado um pouco por causa da gravação que o deixou muito mais alto que o resto dos instrumentos. Nada muito grave. Vindos de Taubaté (SP), o furioso power trio Perpectual Hate lembra um pouco o Krisium, mas é prejudicado pelo som abafado. O instrumental é insano e o vocal é excelente. Uma das melhores da coletânea, se a gente deixar de lado a questão da qulidade da gravação.
Mudando um pouquinho o clima death metal veloz predominante até aqui, o Predatory, da Praia Grande (SP), executam um death com pitadas meio thrash extremamente pesado. O instrumental ficou um pouco prejudicado pela gravação, soando um tantinho abafado, mas dá para perceber a garra da banda.
O Winds of Creation é uma banda bastante conhecida em Brasília. O death metal classudo e pesadíssimo da banda está muito bem representado aqui, com destaque absoluto para os vocais ultracavernosos de Pedro. Continuando na senda do death metal, o Neophitous de Bertioga (SP) apresentam um som cheio de variações, mas prejudicado pela gravação ruim, que deixou tudo muito baixo e indefinido. Com um pouco mais de potência na hora de gravar, este quarteto vai muito longe.
Mudando um pouco de ares, os goianos do Sunroad aposta num heavy metal clássico muitíssimo bem executado. Depois de uma introdução climática, repleta de efeitos interessantes, a faixa "Light up the Sky" surpreende os incautos.Os vocais chegam a lembrar os de Carlos Sousa (Narcoze) no início da carreira. O som é trampado e um pouco mais de estrada deixará esta banda no ponto certo para voar mais alto.
Também de Goiás, Marcelo Rocker é um sujeito com boas idéias. Ele faz um rock básico, tipo Raul Seixas, Camisa de Vênus, etc. As duas faixas são muito legais, mas as letras botam tudo a perder. Além disso, a voz do rapaz não parece muito adequada para o som que ele se propõe. A faixa "Não Acredito" é o melhor exemplo disto. Um instrumental maravilhoso que se perde numa letra descartável.
O Holiness Code, de Guarulhos, é excelente, especialmente o vocalista Billy, mas a gravação está entre as piores desta coletânea. O som é um extreme speed metal muitíssimo bem feito, com um excelente trabalho de guitarras e uma cozinha (bateria, já que não dá para ouvir o baixo) muito competente. Apesar do estilo, a banda canta em português.
O D.W.E é uma das coisas mais estranhas que eu já ouvi. Tem hora que é um grindcore nervoso, mas bem trampado, às vezes soa mais para o hardcore bruto, com toques de death metal. É a banda que mais tem faixas na coletânea (cinco), mas nenhuma tem mais de dois minutos. Nos momentos mais inspirados, chega a lembrar o grande Death Slam. Eles são do Rio de Janeiro.
De Garanhuns (PE), o Carbonized executa um death metal quebra-ossos, no melhor estilo Drowned. O talento dos músicos fica latente nas duas faixas (especialmente em "Maggots With Malicious Hate")
A penúltima banda é o Confinement, da capital paulista. Apesar da confusão criada pela gravação ruim, dá para sacar que o negócio deste trio é fazer muito barulho. Trata-se de uma mistura bem sacada de death com grindcore.
Com teclados atmosféricos, o doom/death metal dos cariocas do Akael é muito bem feito. Aqui o problema fica por conta da bateria, que atravessa em algumas passagens, mas nada muito comprometedor.
No site oficial da UGK Disccos (www. ugkdisccos.hpg.com.br) é possível encomendar a coletânea e encontrar endereços para correspondência com todas as bandas que já participaram das nove edições do Rock Soldiers. Parabéns, mais uma vez, ao Marivan Ugoski pela iniciativa.
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