Resenha - W.A.S.P. - W.A.S.P.
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 30 de junho de 2004
O debut da banda W.A.S.P., lançado em 1984 é lembrado com muito respeito até os dias atuais por inúmeros músicos do hard rock e até mesmo o heavy metal extremo.
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Desde o início de sua carreira em Los Angeles, o W.A.S.P., com sua proposta musical e teatral com muito sangue, sadomasoquismo, mulheres seminuas "assassinadas" durante as apresentações, visual cuidadosamente agressivo e politicamente incorreto já chamavam muito a atenção, tanto de apaixonados pela música pesada como pelas entidades que visavam a preservação dos valores e bons costumes da sociedade norte-americana. Com o passar dos mais de vinte anos a banda foi boicotada, taxada de sexista, satanista, seu vocalista foi baleado, problemas com drogas e bebidas de alguns membros, freqüentes trocas de integrantes, etc.
Mas também no decorrer deste período, graças a Blackie Lawless, sua força de vontade e disciplina quase militar no que diz respeito às composições e apresentações ao vivo, sempre produziu trabalhos que são muito acima da média do que se vê por aí, sem contar que Blackie é o tipo de artista que sabe o que dizer em suas músicas com letras geralmente controversas e bem politizadas, não perdoando nada nem ninguém com suas críticas ácidas.
Quanto ao disco homônimo em questão, lançado em 1984, Blackie Lawless, vocalista, baixista e insano mentor, juntamente com Randy Piper e Chris Holmes nas guitarras e o excelente baterista Tony Richards tiveram imensos problemas com esse seu primeiro trabalho, tanto que passaram por diversos estúdios até gravarem todo o álbum.
A faixa de abertura é um de seus maiores clássicos, "I Wanna be Somebody", velocíssima para os padrões da época, inclusive após o solo vem a típica passagem só com a bateria e vozes cantando o refrão, quantas bandas não usaram desse método em seus discos nesta época! A próxima é outro clássico, "L.O.V.E. Machine", com riffs matadores e o disco segue com "The Flame", com umas bases de rock n´roll tão pesado que chega a confundir com metal mesmo; "B.A.D.", quase arrastada e "School Daze", que começa com vozes de alunos em sala de aula enaltecendo os EUA, interrompidas pelas tradicionais guitarras pesadíssimas. Em "Hellion", Blackie põe os pulmões para fora, riffs rasgados e Tony, como em todo o ábum, destrói nas baquetas; "Sleeping (in the Fire)", a balada pesada e soturna que é tocada até hoje em suas apresentações. A próxima faixa, "Tormentor", começa com ruídos de correntes, quebrado pela entrada de todos os instrumentos tocados numa precisão e cadência impressionantes. O disco fecha com "The Tortures Never Stops", que quebra o rítmo violento do álbum.
Este é um disco como poucos que foram lançados pelo mercado norte-americano na primeira metade da década de 80, com excelentes bases e solos de guitarras que se alternam entre os músicos e, como já foi citado, um excelente trabalho de bateria, além dos vocais rasgados e característicos de Blackie Lawless. Tudo isso aliado às composições que não tem como cativar o ouvinte.
Como curiosidade: W.A.S.P. tentou lançar antes deste debut um single "Animal (Fuck Like a Beast)", que foi recusado pela gravadora Capitol Records, só vindo a ser colocada no mercado algum tempo depois pela gravadora Music for Nations, saindo como vinil pic-disc no formato da cabeça de um porco monstruoso e com etiqueta de advertência sobre o conteúdo das letras, hoje um item raríssimo de colecionador.
Banda
Blackie Lawless - Voz e Contrabaixo
Randy Piper - Guitarra
Chris Holmes - Guitarra
Tony Richards - Bateria
W.A.S.P. - W.A.S.P. - (1984) – Capitol Records
- I Wanna be Somebody
- L.O.V.E. Machine
- The Flame
- B.A.D.
- School Daze
- Hellion
- Sleeping (in the Fire)
- On Your Knees
- Tormentor
- The Torture Never Stops
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