Resenha - For All - Belica

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Por Maurício Gomes Angelo
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Nota: 8


Como é bom achar uma banda que toque heavy metal de verdade hoje em dia. E o Belica nos proporciona isso sem transmitir a sensação de que estamos na idade média vestindo uma armadura e empunhando uma espada. Não é o máximo? Pois é. A banda parece se lembrar que está no século XXI, e sem abandonar as suas raízes pratica um heavy metal carregado de várias influências, bem criativo e original.

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Heterogêneo. Diversificado. Quebrando parâmetros. Caprichando nas melodias. Cuidado especial na escolha dos timbres. Atenção redobrada na simetria das músicas. Este é o Belica de "For All".

Quem conferiu o histórico debut "Looking For The Light" com certeza deve ter gostado, e todos os "problemas" que ele continha foram revistos e eliminados, todos os timbres de guitarra foram bem escolhidos e transmitem exatamente o que a música se propõe a trazer. A produção certamente está melhor, mais limpa e equilibrada, e deixando todos os instrumentos bem nítidos e ainda assim consistentes. Outra coisa que me agrada na produção é a presença do baixo, que ficou incrivelmente audível e encorpado, diferente de 90% das bandas em que o baixo simplesmente desaparece na mixagem.
Tudo isso deu plenas condições para a banda desfilar sua classe.

Classe que começa a se expor em "Life's Victory", a paulada de abertura, dotada de uma rifferama atordoante e incríveis vocais de Hélio D'Tarso, funciona muito bem para impressionar e criar empatia. E é impossível não comentar a performance do vocalista. Hélio D'Tarso é original, não se parece com ninguém e canta como se aquilo ali fosse a última ação de sua vida, canta com raiva, com energia, com emoção, com técnica e atitude, um dos MELHORES VOCALISTAS do metal nacional, que já deveria ser reconhecido há mais tempo por toda a mídia especializada.

E é só ouvir a sintomática e animalesca introdução de baixo de "Mistake" para ver que o leque musical é amplo. E na verdade, é justamente por isso que "For All" soa tão bem aos ouvidos e injeta doses cavalares de criatividade no mercado.
Deixando riquíssimo o som do grupo e uma agradável sensação de frescor na mente.

A praticamente prog "Serpent Of Bronze" surpreende e se torna uma deliciosa amostra de virtuose com consciência.

Que se ergue em músicas como "Little London", "God Is The Heart Of The World", "Fight Girl" e "The Power Of God", uma amostra das composições de estruturas complexas, arranjos diferenciados, melodias diversificadas, e riffs/solos que exaltam toda a técnica e gênio criativo de Edson Boleti e Luciano Novi.

"Full Salvation" é uma das melhores composições que o metal cristão nacional já criou, linda, com corais simples, mas efetivos, solos refinados, riffs memoráveis, crescendo numa progressão absurda e se completando na irrepreensível atuação de Hélio D'Tarso, fazendo o que quer com sua voz e absorvendo completamente o ouvinte em todas as emoções que esta música proporciona.

"Confessions" que vem a seguir, é uma aula de como fazer uma composição diferente e completa, onde baixo e guitarra travam um duelo técnica e beleza, saindo do "lugar-comum" que todas as bandas apostam e demonstrando também que o tecladista Karl Ellwein deveria ocupar maior destaque no grupo, pois suas contribuições são sempre positivas e agregam valor ao som do Belica.

O baixo é o posto historicamente mais problemático da banda, e o fantástico, espetacular e fabuloso baixo de Cezar Augustus que temos o prazer de ouvir neste álbum já foi para a Inglaterra, sendo que o posto atualmente é ocupado por Carlos E. Bürkle - isso sem contar a passagem de João Bosco neste meio tempo - espero que o novo integrante consiga manter o altíssimo nível de seu predecessor.

Nota 8 para o conjunto da obra (isso porque eu tenho certeza que eles podem render muito mais ainda). Nota 10 para a criatividade, para a ousadia.

Só não são mais comentados por não possuírem uma Nuclear Blast por trás, ou seja, milhões de dólares e todas as portas abertas.

Isso é outro fator que leva-me a enaltecer ainda mais a fibra do grupo, se com o que tem a sua disposição, já fazem um estrago desses, imagina com uma estrutura maior?

"For All" não tem nada de linear, de repetido, de chato - o que vai exigir atenção, paciência e bom gosto do ouvinte.
A banda se mostra infinitamente mais segura e ousada do que antes e deixou fluir toda sua musicalidade de forma espontânea, daí o álbum exalar honestidade e um incrível feeling.

Para você, para todo mundo que já cansou de ouvir bandas que na verdade só tem o nome de diferente, para todos que procuram por inovação, por originalidade, por música feita com honestidade e competência, é só ouvir "For All" e abrir o sorriso.

Como o nome diz, o álbum é realmente "para todos", é o remédio para a orgia mercadológica que infesta o meio.
Parabéns ao Belica, parabéns ao metal cristão nacional.
Espero que ao contrário do que sempre acontece com quem bate de frente com o que está estabelecido, o Belica tenha uma longa vida pela frente, longa mesmo. Porque a "eterna" já está garantida. Se é que vocês entenderam o que eu quis dizer... ;)

Formação:
Hélio D'Tarso (Vocal)
Edson Boleti (Guitarra)
Luciano Novi (Guitarra)
Cezar Augustus (Baixo)
Dany Martins (Bateria)
Karl Ellwein (Teclado)

Site Oficial: www.belica.com.br

Material Cedido Por:
Avantage Records
http://www.avantagerecords.com.br




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Sobre Maurício Gomes Angelo

Jornalista. Escreve sobre cultura pop (e não pop), política, economia, literatura e artigos em várias áreas desde 2003. Fundador da Revista Movin' Up (www.revistamovinup.com) e da revrbr (www.revrbr.com), agência de comunicação digital. Começou a escrever para o Whiplash! em 2004 e passou também pela revista Roadie Crew.

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