Resenha - Arrival - Hypocrisy
Por Clóvis Eduardo
Postado em 20 de maio de 2004
Enfim o novo trabalho da banda sueca formada por Peter Tägtgren (vocal e guitarra), Mikael Hedlund (baixo) e Horgh (baterial, ex-Immortal), que entrou no lugar de Lars Szöke logo depois da gravação do disco. O ex-batera pulou fora porque não agüentava mais a cansativa agenda do grupo e Tägtgren, por sua vez, escolheu um substituto à altura. The Arrival é o sucessor de Catch 22, álbum que dividiu as críticas dos fãs por conter elementos experimentais e passagens industriais. Mas podemos ficar sossegados, pois as características principais do Hypocrisy estão de volta.
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Se você gosta de riffs marcantes e variações de andamentos em músicas pesadíssimas, tem aqui um prato cheio. Heavy, doom, gothic e até black metal tornam o trabalho muito mais amplo do que o death característico da banda. Born Dead, Buried Alive não é aquele abre-alas que arrebenta com tudo, mas faz o nervosismo começa a tomar forma em você. Ainda mais arrastada, Erased não se deixa atrapalhar com grandes introduções. A parte mais rápida é de impressionar, mas não é nada que Horgh não consiga reproduzir com facilidade, e o refrão maravilhoso e para fazer qualquer um sair berrando por aí.
Stillborn começa diferente de tudo o que você poderia imaginar em se tratando de Hypocrisy, mas depois rola a quebradeira. Bumbos marcantes e riffs comendo soltos. Muito boa. Slave to the Parasites mexe com o típico death metal e Tägtgren nos faz viajar com seu vocal totalmente inspirado. New World é forte e se destaca pela bateria quebrada. Se o instrumento ficar se movimentando pelo palco, não se assuste, afinal, é paulada atrás de paulada.
The Abyss é música de show. Doom metal na essência, refrões recheados de efeitos e uma marcação que dita a velocidade do pescoço na hora de agitar. Mesmo assim, não disse que não era boa. Boa? Fenomenal! Assim como Dead By Dawing, uma das melhores. Com o comando de Tägtgren, Hedlund e Szöke, a banda funciona como um relógio. Tudo certinho e muito bem encaixado. O sentimento é de que sua obrigação é dar cabeçadas contra a parede.
The Depature é mais um exemplo da mistura entre a agressividade do death e a cadência do doom. War Within fecha o CD com riff, cozinha, vocal e harmonia nervosos. Enfim, é um resumo do que você ouve da primeira à última faixa. Um álbum para não sair do aparelho tão cedo. Para quem gosta, é garantia de dor no pescoço por dias. Para quem não gosta, vale a pena ouvir. Aos poucos você se acostuma. Mas cuidado com o efeito que pode causar em você. Repito: é um convite a dar cabeçadas na parede.
The Arrival é um ótimo trabalho, com sonoridade múltipla e arranjos sensacionais. Não chega a superar Hypocrisy, de 1999, o melhor álbum do trio, mas é muito acima de Catch 22. Para os fãs, um alívio. Para nossos avós, o demônio está dentro de seu aparelho de som.
(Nuclear Blast - nacional)
Nota: 9
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