Resenha - Blood And Belief - Blaze
Por Felipe Martynetz
Postado em 06 de abril de 2004
O terceiro trabalho de estúdio de Blaze Bayley, recentemente lançado na Europa (e, diga-se de passagem, sem previsão de lançamento nacional), mostra-se um pouco diferente em relação aos anteriores, especialmente ao memorável "Silicon Messiah". O pique dos dois álbuns anteriores parece ter arrefecido um pouco, visto que as músicas estão mais lentas e pesadas de um modo geral. Não estou afirmando que está ruim, de forma alguma, porém, não há como compará-lo em termos de criatividade em relação ao debut "Silicon Messiah", o qual, sem sombra de dúvidas, é o mais consistente trabalho do ex-vocalista da Donzela até o momento.

"Alive" abre o disco com um riff muito empolgante, porém, é uma música que não possui o mesmo espírito da maravilhosa "Speed Of Light", do álbum "Tenth Dimension", para abertura de shows, como esta o fazia na última turnê. Quem já teve a oportunidade de ouvir o espetacular "As Live As It Gets", compilação ao vivo das melhores canções dos álbuns "Silicon Messiah" e "Tenth Dimension", lançada no ano passado, sabe perfeitamente a que me refiro. "Speed Of Light" abrindo o álbum, "When Two Worlds Collide" dando empolgante seqüência ao show juntamente com outros clássicos da carreira solo do "macacão da Panasonic" misturados a clássicos dos excelentes "The X (PER)Factor" e "Virtual XI", do Iron Maiden, como "Sign Of The Cross", "Futureal" e "Virus" (lançada apenas em forma de single).
"Ten Seconds" é outra boa música, com melodias interessantes e um bom refrão. A faixa-título é a próxima, com uma introdução que apresenta grande semelhança à maravilhosa "Round Table (Forever)", do Grave Digger. O refrão é muito bom, empolgante, para shows principalmente.
Bela letra e uma melodia com arranjos relativamente tristes. Essa é "Life And Death", a música seguinte. Não chega a ser excepcional, mas é bonita e tem um sentimento forte.
"Tearing Myself To Pieces" é uma que retrata fielmente o espírito do álbum, pesada e lenta do início ao fim, chegando a ser repetitiva em boa parte de seus 5:49. Não considero-a candidata em potencial a freqüentar o set-list da turnê do álbum que, sem dúvida alguma, passará pelo Brasil no segundo semestre de 2004.
Peso puro desde que ouve-se seu primeiro acorde. Refiro-me a "Hollow Head", a sexta faixa do "Blood And Belief". É uma boa música, mas conta com determinados riffs um tanto chatos em seu decorrer, beirando o new metal (o que, aliás, ocorre desde "Tenth Dimension", lançado em 2002).
"Will To Win!" Sim, esta música é puro heavy metal, refrão alegre, empolgante, perfeito ao vivo. Sem dúvida, a melhor do álbum até o presente momento. O riff principal é sensacional, demonstrando relação quase que conjugal com a letra da música. O solo é muito bom, porém, poderia ser mais prolongado, o que faria a música beirar a perfeição (se é que a mesma existe).
"Regret", a oitava canção do álbum, conta com uma boa melodia e um refrão no máximo interessante. Trata-se outra que não deve dar o ar de sua graça no set-list.
Na seqüência, temos "The Path And The Way", cuja principal qualidade a ser ressaltada são os belos solos de guitarra. O refrão, novamente, mostra-se repetitivo.
A última música do disco é "Soundtrack Of My Life". Introdução lenta e bonita, dando o gancho ideal ao desenrolar do restante da música, cujo riff principal lembra muito a excepcional "In My Darkest Hour", do Megadeth, presente no álbum "So Far, So Good... So What!" (1988), terceiro álbum da banda de Mustaine. Boa música, deve constar nos sets dos shows que estão por vir.
Prós e contras:
A ser ressaltado negativamente, a falta de criatividade para tornar as músicas mais empolgantes, com diferentes ritmos e melodias, além dos solos, que sequer comparam-se aos presentes nos outros álbuns, especialmente no Silicon Messiah, cujos solos são simplesmente maravilhosos.
De positivo, o vocal de Blaze Bayley, que continua ótimo, poderoso como nos discos anteriores. As letras continuam excepcionais, extremamente filosóficas e profundas, como todas escritas pelo vocalista, desde seus tempos na Donzela.
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