Resenha - Burn - Deep Purple

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Por Valmor José Pedretti Júnior
Enviar correções  |  Ver Acessos

Em 1973, no auge de sua mais clássica formação, o Deep Purple surpreende seus fãs com a partida dos dois membros que ajudaram a consolidar este sucesso: Ian Gillan (vocais) e Roger Glover (baixo). Estes haviam substituído, respectivamente, Rod Evans e Nick Simper alguns anos antes e trouxeram o Purple ao seu novo e marcante estilo de fazer rock. A banda precisava de substitutos à altura, e o primeiro a ser recrutado foi o baixista Glenn Hughes, do Trapeze. Hughes tinha ainda como vantagem, além de seu groove influenciado pelo soul, poderosos vocais. Mas o DP não estava pronto para um vocalista/baixista, e para o posto de frontman foi encontrado (através de uma demo tape) um novato de nome David Coverdale.

Zakk Wylde: o riff que ele queria ter criado - e a música que ele nunca conseguiu tocarTradução: O clássico The Wall, do Pink Floyd

Com o grupo restabelecido, eles viajam para a mística cidade de Montreux, na Suíça, e gravam este clássico do rock no mês de novembro do ano de 1973. E de fato, a mudança no line-up não foi nada burocrática, trazendo profundas transformações no som do Purple. O álbum abre magistralmente com a canção-título, que na minha humilde opinião se trata da maior criação do grupo. "Burn" tem um riff poderoso, uma pegada incessante, dois solos lindos e um show de bateria do mestre Ian Paice, que inova ao tocar uma espécie de solo no trecho que contém os versos. Além disso, Coverdale e Hughes dividem os vocais, e ao vivo temos este último abusando fantasticamente do berreiro.

Em seguida chega o primeiro single "Might Just Take Your Life", uma contagiante canção onde o teclado de Jon Lord ganha mais espaço e mais uma vez contamos com o dueto vocal (Hughes chega a fazer dueto com si mesmo, empregando entonações diferentes e alternadas na suas partes). "Lay Down, Stay Down" é uma canção frenética, com Ian Paice saindo do sério outra vez. Como sempre um riff de guitarra bem sacado do mestre Ritchie Blackmore. "Sail Away" baixa um pouco a bola, numa canção com um vocal sem a exaltação das anteriores, mas muito bem colocado. "You Fool No One" tornou-se importante pela sua participação no set ao vivo, onde passava a ter mais de 15 minutos ao incluir solos de teclado e guitarra, mais o solo de bateria de Ian Paice, que abre a música com uma inconfundível levada no cowbell. "What's Goin' On Here" é um blues irreverente que tem as frases todas alternadas entre os dois vocalistas. A sétima canção, "Mistreated", é o momento de David Coverdale brilhar. Tornou-se extremamente performática ao vivo, com a interpretação cheia de sentimento do vocalista. Um blues-rock cheio de paradas e um solo simples, porém preciso de Blackmore. O disco fecha com uma instrumental, "A 200", que conta com algumas viagens de teclados e uma levada de marcha.

No ano de seu lançamento, o Deep Purple faria uma de suas apresentações mais memoráveis, para o programa de TV ABC in Concert. Registrado no disco "California Jam 1974", ficou marcado pelo trecho final do show, quando Ritchie Blackmore, irritado com os produtores do concerto, destrói sua Fender Stratocaster golpeando uma das câmeras da emissora. Essa formação do Purple costuma dividir alguns fãs. Muitos não apreciaram o direcionamento funk/soul que seria tomado nos anos seguintes, até a (provisória) dissolução do grupo em 77. Deste rompimento surgem novos grupos, de importância inegável, como o Rainbow de Blackmore e o Whitesnake de Coverdale. Mas a maioria dos fãs é simpatizante desta fase diferente, porém sempre criativa de uma das maiores bandas da história do rock.


Outras resenhas de Burn - Deep Purple

Deep Purple: Os 40 anos de lançamento do "Burn"




GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net


Todas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDsTodas as matérias sobre "Deep Purple"


Zakk Wylde: o riff que ele queria ter criado - e a música que ele nunca conseguiu tocarZakk Wylde
O riff que ele queria ter criado - e a música que ele nunca conseguiu tocar

Regis Tadeu: Deep Purple, os plágios do Black Sabbath e muito maisHeavy Lero 134: Whitesnake por Gastão e Clemente (vídeo)Entrevista: Martin Popoff, a máquina de escrever do rock/metal

Grandes covers: cinco versões para a clássica Smoke On The Water,Grandes covers
Cinco versões para a clássica "Smoke On The Water",

Europe: nome da banda surgiu com inspiração no Deep PurpleEurope
Nome da banda surgiu com inspiração no Deep Purple

Deep Purple: Coverdale e Blackmore discutiram possível reuniãoDeep Purple
Coverdale e Blackmore discutiram possível reunião

Deep Purple: Coverdale diz que tentou reunião com BlackmoreDeep Purple
Coverdale diz que tentou reunião com Blackmore


Tradução: O clássico The Wall, do Pink FloydTradução
O clássico The Wall, do Pink Floyd

Heavy Metal: os dez melhores álbuns lançados em 1991Heavy Metal
Os dez melhores álbuns lançados em 1991


Sobre Valmor José Pedretti Júnior

Autor sem foto e/ou descrição cadastrados. Caso seja o autor e tenha dez ou mais matérias publicadas no Whiplash.Net, entre em contato enviando sua descrição e link de uma foto.

adGoo336