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Resenha - Godbluff - Van Der Graaf Generator

Por [email protected]
Postado em 11 de janeiro de 2003

Primeiro álbum após a obra-prima "Pawns Hearts", "Godbluff" traz um Van Der Graaf reformulado após um período no qual Peter Hammill se dedicou com mais empenho em sua carreira solo que por definição trata de temas mais pessoais; talvez por isto mesmo, este álbum conceitual volta ao questionamento filosófico que marca as letras do VdGG. Desta vez o tema central das parábolas sci-fi de Hammill é a eterna busca humana por uma "verdade divina"...sempre com muita ironia, sarcasmo e metáforas, marcas do poeta, a inicar pelo próprio título do álbum.

A sonoridade desta nova banda porém traz muitas diferenças das proposta anteriores deles. Menos solos, o que dá ao som um senso de conjunto muito grande, com alguns momentos em que se sobrepõem os maravilhosos fraseados de Hugh Banton e os solos marcantes de David Jackson. Músicas mais diretas e com mais raiva, que encaixam perfeitamente com os vocais mais que expressivos de Hammill. Guy Evans prossegue ótimo mantendo os climas sem sobressair-se. As passagens dissonantes ainda estão lá, o que aumenta a criação de climas de desconforto, exatamente a perfeita trilha para o que está se tentando passar ao longo dos quase quarenta minutos do CD.

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O disco produzido na crueza já característica deles segue a linha lo-fi o que pode levar os mais perfeccionistas a reclamarem demé equalização, etc...porém, esta falta de esmero deixa mais evidente ainda a capacidade dos músicos de transmitirem seus sentimentos, ainda mais lembrando que esta banda reformulada gravou o disco com apenas quatro meses juntos.

The Undercover Man [7:00] (Hammill)

Da monotonia cíclica de uma mesma nota da flauta de Jackson contrapondo o órgão de Banton surge a voz de Hammill para numa melodia belíssima quase que declamar suas dúvidas. A bateria marca o tempo precisamente com algumas incursões caóticas apenas..Para num momento magestral a banda inteira entrar música adentro e o você se ver perdido entre os mais diversos temas que se sobrepõem. Ou talvez no meio do diálogo de Hammill com o espelho, o seu "Homem Disfarçado". Quando cessa a letra, você se vê num momento de solo, onde o saxofone melancólico contrasta com o "baixo"agressivo. Após, a poesia, num momento raro, retorna com otimismo e esperança na busca humana. Finalizando, a voz de Hammill cede espaço a um solo ainda mais emocionante de Jackson, desta vez em consonância com o órgão de Banton.

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Scorched Earth [10:10] (Hammill/Jackson)

A música mais "Desconfortável" do disco fala dos resultados da busca inconsequente pelas neuroses humanas, e de agir sem questionar. É possível perceber alguns trechos melódicos bem semelhantes aos de Arrow, o que faz um certo jogo de trocadilho das letras entre as músicas. Os vocais triplicados, já conhecidos da banda se mostram e desta vez ainda mais confusos, o que para uns pode soar estranho...mas exatamente este estranhamento é o que confere a eles o seu mérito. Durante o solo de órgão de Banton, a bateria de Evans, numa de suas batidas caóticas supera-se. Para finalizar, a música acalma, num clima pacífico para depois voltar à dissonância e concluir num eco de microfonia como não poderia deixar de ser para encaixar com a frieza do último verso.

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Arrow [8:15] (Hammill)

Flecha de acordo com o próprio Hammill é "a... eterna necessidade humana de buscar metas...". A música começa com um trecho de improviso maravilhoso da banda que conclui inesperadamente, para a entrada de um dos temas mais marcantes do roque progressivo e neste clima soturno a música segue até a entrada gritante de Hammill que nesta música mostra porque é um dos maiores vocalistas de todos os tempos no roque..fala duma "busca insana na qual até o motivo dela é esquecido". Até que amúsica entra num crescendo, com a bateria de Evans em rufos, o baixo pulsando para toda a banda explodir..."ARROW" ele grita com agonia, raiva, angústia e um amontoado de sentimentos que chegam a dar arrepios o clima alterna para uma maior crueza. Um pequeno solo de Jackson aparece para pôr mais angústia nos relatos da música ."Quão estranho meu corpo me é, empalado nesta flecha" logo antes de mais um solo maravilhoso que se segue até a intensidade da música baixar a zero e terminar.

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The Sleepwalkers [10.26] (Hammill)

Rasgando a música começa com o definitivo solo de progressivo de Banton, entram o vocal de Hammill concluindo sua pequena fábula a falar de sonâmbulos que passam a vida sem se questionar e dos outros sonâmbulos que questionam, todos fadados a, sem tempo, morrer sem saber o porquê de sua condição. Na entrada do segundo verso quando entram o saxofone e a bateria, a música toma vida de verdade. Há então, uma parada, no mínimo inusitada mais dançante, quase cômica que depois se torna angustiada e cheia de raiva. A música entra depois num momento de melancolia para cair num tema de sonho do órgão de Banton que na ciclicidade hipnotiza o ouvinte. Depois a música retorna a um solo de sax que dá corpo ao som com um duelo consigo mesmo em overdub. Ao retornar, Hammill se encarrega de pôr ainda mais raiva ao seu relato anti-alienação. Para explodir e tornar ao tema do sonho de banton e neste clima onírico, a dúvida prossegue quanto aos questionamentos propostos, como sempre se vê nos trabalhos da banda que se nega a vender ideologias.

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Músicos:
Peter Hammill - vocais, guitarras e piano
Hugh Banton - teclados, piano e vocais de apoio
Guy Evans - bateria e percussão
David Jackson - saxofones e flautas

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