Resenha - Purpendicular - Deep Purple
Por Rossano Agostini
Postado em 11 de abril de 2003
Mesmo os fãs mais fiéis já não acreditavam no futuro do Deep Purple; uma das maiores formações da história do rock, cujo ego de seus integrantes - principalmente de Ritchie Blackmore (G) e Ian Gillan (V) - sempre foi tão grande quanto a sua importância para a música. A formação clássica (com os dois, mais Jon Lord (K), Roger Glover (B) e Ian Paice (D)) se separou pela primeira vez em 1973 e reuniu-se novamente em 1983 no excelente LP "Perfect Strangers". Porém, desse disco em diante, o Purple só conseguiu provar o que todos já sabiam: que as picuinhas entre Gillan e Blackmore estavam dilacerando a criatividade do grupo, o que culminou com a saída de Gillan, em 1988, e uma sucessão de discos cada vez mais fracos.

Apoiado pelos outros integrantes, Gillan volta e, dessa vez, Blackmore é quem abandona o barco. E, após uma tentativa com Joe Satriani, finalmente seu substituto é escolhido: Steve Morse (ex-Dixie Dregs e Kansas). E, com essa formação - Gillan, Glover, Lord, Paice e Morse, a banda grava um dos melhores discos de sua carreira: "Purpendicular". O álbum remete o ouvinte diretamente aos bons tempos de "In Rock" e "Machine Head" e, de certa forma, resgata a auto estima da banda.
O disco já começa com um riff de guitarra em "Ted The Mechanic", que prova que Morse não foi escolhido à toa. Os destaques vão para as baladas, como a fenomenal "Sometimes I Feel Like Screaming" (que já é um clássico) e a despojada, mas não menos empolgante "The Aviator". O Deep Purple roqueiro aparece nas eficientes "Hey Cisco" e "Somebody Stole My Guitar". Até aquela velha gaitinha de boca ressurge com força na última faixa do album, a blueseira "The Purpendicular Waltz".
Tudo bem que o deus Blackmore deu no pé, que Gillan não berra mais como antigamente e que Ian Paice está a cara do Elton John. Apenas ouça o CD no volume máximo e compare com as bandas da atualidade. Apenas isso.
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