Resenha - Motherfuckers Of Metal - Death After Death
Por Nelson Endebo (O Capiroto Sabe!)
Postado em 06 de janeiro de 2005
Essa resenha poderia facilmente ter sido retirada da consagrada bíblia virtual Crime Library, afinal, o site americano se tornou famoso em função de seu arquivo de atrocidades mórbidas cometidas por desajustados sociais em diversos pontos da História. Como é sabido, crimes hediondos se tornam legais depois que se transformam em história. Quem freqüentou colônia de férias alguma vez na vida há de concordar. Levando essa máxima ao limite, eis que temos em mãos o petardo de estréia do abominável Death After Death.

No caso, os desajustados sociais foram batizados de Dennis Pombo e André Delacroix, guitarrista e baterista, respectivamente, da banda de doom metal carioca Imago Mortis. Cansados de ouvir e reouvir as aventuras de Jeffrey Dahmer em rodinhas de amigos, a dupla resolveu cometer sua própria obscenidade, um estupro auricular chamado "Motherfuckers of Metal", que reúne Manowar, fetichismo, homofobia de araque, King Diamond, radicalismo heavy metal de plástico, Outkast, Frank Zappa, mariachis hardcore, experimentos com loops, discurso satanicômico e Led Zeppelin em um coquetel sonoro demolidor, que expande as possibilidades do bom e velho crossover dos anos 80. As 32 faixas se desenrolam em cerca de 20 minutos e trazem dezenas de referências impregnadas – dá pra brincar de adivinhação com o disco.
Gustavo Anunciação Lenza | Roberto Luis Pertsew | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Luis Alberto Braga Rodrigues | Reginaldo Manuel Soares de Faria | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
As letras são um caso à parte e mereciam impressão no encarte. Dennis Pombo (guitarra e baixo) surge como uma mistura de Rocky George, Kerry King e Zakk Wylde sob efeito de esteróides. A "interpretação" de Delacroix, que aqui ataca de vocalista, é impagável e remete ao Macabre, este sim um literal representante do metal à moda Crime Library. Faixas como "Kill Your Boss", "Billy Kincaid", "Leech" (a melhor de todas) e "Chris" são divertidas em sua dimensão perversa e mostram que é possível misturar tendências do metal extremo com criatividade, sem que seja necessário mergulhar em divagações existenciais, incursões literárias ou manuais de conservatório musical. A poesia do barulhocore está justamente na capacidade de fazer revoluções pessoais sem precisar falar muito. Sua existência, por si só, é a prova disso.
Fãs de S.O.D., D.R.I., Cro-Mags, Napalm Death (fase "Diatribes"), Mortician, Pig Destroyer, Murphy’s Law, Mayhem antigo, Ratos de Porão, Sick Terror e Macabre têm em "Motherfuckers of Metal" um prato farto. O Death After Death (ou D.A.D., simplificando) marca o surgimento do Laugh Grind em um álbum que vai abrir a cabeça de muita gente para os sons mais degradantes dos porões mundo afora. A machadadas, é claro. Um clássico da sujeira moderna.
Para adquirir o álbum (é baratinho e vale muito, cara-pálida), envie um e-mail para [email protected] ou [email protected].
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