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Resenha - Atlantic Crossing - Rod Stewart

Por Everi Rudinei Carrara
Em 26/11/03

Ano: 1976

Quando ROD STEWART cruzou o oceâno atlântico para lançar este disco, ele já havia produzido o melhor de sua carreira musical ao lado de JEFF BECK, do grupo FACES, e seus primeiros discos solos. Rod Stewart passou a ser acompanhado por músicos norte-americanos, e sua voz e estilo inconfundíveis mantiveram-se soberanos em ATLANTIC CROSSING (1976).

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A capa nos mostra uma caricatura do cantor atravessando o mar, deixando as terras britânicas, o público escocês sempre fidélissimo, as roupas e estampas em xadrez, as bebedeiras homéricas e costumeiras ao lado dos amigos do FACES... para viver na América em busca de sucesso e fortuna.

ATLANTIC CROSSING para mim sinaliza o que ROD ainda poderia nos apresentar de melhor em baladas e puro rock and roll. Em alguns momentos deste disco,poderemos ouvir o som de bandolins (típicos nos primeiros trabalhos dele), e a guitarra com aquela marcação seca, bem ao estilo dos ROLLING STONES. As baladas são ótimas, nunca descambam para a melosidade banal.

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O grande sucesso comercial deste disco foi SAILING, uma balada inspirada, que projetou ROD para o resto do mundo conquistando a América implacavelmente, com voz deliciosamente rouca e um arranjo de guitarra perfeito. Quem gostava do FACES não se decepcionou, porque este disco mantinha a fúria essencial que começava a faltar entre alguns artistas contemporâneos de Rod, culminando com o protesto punk que tomou de assalto o final da década de 70. De lá para cá, ROD obteve êxito comercial e fortuna, mas permaneceu em ATLANTIC CROSSING, talvez, o último registro do que ele ainda sabia fazer pelo rock.

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Pergunto às pessoas que gostam de rock sobre essa possível "perda de referência" comum aos grupos e artistas, depois que se estabilizam financeiramente, conquistando tempo e disponibilidade para produzirem melhores trabalhos musicais, novas concepções estéticas... por que não o fazem? Será que essa alquimia não poderia ser resgatada por esses mesmos artistas, em alguns momentos de suas glamorosas carreiras?

Destaco THREE TIME LOSER, ALL IN THE NAME OF ROCK AND ROLL, STONE COLD SOBER, IT'S NOT THE SPOTLIGHT, I DON'T WANT TO TALK ABOUT IT, e DRIFT AWAY.

Everi Rudinei Carrara é editor da coluna Telescópio.

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