A melhor banda com que Rod Stewart trabalhou na sua longa carreira
Por Bruce William
Postado em 01 de dezembro de 2025
Desde os anos 1960, Rod Stewart sempre pareceu mais do que suficiente sozinho, com aquele timbre rouco que segura um show até se o resto da banda faltar. Mesmo assim, a carreira dele é cheia de parcerias importantes: passou pelo grupo de Jeff Beck, comandou o caos controlado do Faces e ainda emplacou uma série de discos solo. No meio disso tudo, aprendeu uma coisa básica: vocal forte ajuda, mas quem está tocando atrás faz toda a diferença.

Nem sempre essa turma de apoio foi exatamente exemplar. O próprio Rod já descreveu o Faces como uma banda tão divertida quanto pouco profissional, um bando de roqueiros que parecia viver mais para a farra do que para a disciplina. Já com Jeff Beck, a história era outra: guitarrista obcecado por timbre, ensaios puxados, arranjos bem pensados. Essa diferença de postura ficou gravada na cabeça de Stewart quando ele começou a dirigir seus próprios discos, como "Every Picture Tells a Story", em que pequenas passagens instrumentais ajudavam a amarrar as músicas de um jeito que ia além de um simples blues de bar.
Com o tempo, ele foi mudando de rota. Depois de flertar com disco em "Do Ya Think I'm Sexy?" e de passar décadas como astro do rock, Stewart chegou a uma fase em que não fazia mais sentido fingir que tinha 21 anos. Entrou então no terreno dos standards, aquelas canções do chamado Great American Songbook, revisitando clássicos em clima de big band. A ideia parecia ousada para quem vinha de guitarras e amplificadores no talo, mas caiu bem na voz envelhecida e rouca que ele acumulou ao longo dos anos.
Foi justamente nesse contexto que surgiu a parceria com Jools Holland. Ao gravar um álbum de swing com o pianista britânico e sua orquestra, Stewart se deu conta de que estava diante de um tipo de grupo bem diferente das bandas de rock com as quais tinha convivido. Em vez de improviso desorganizado, encontrou um time afiado, capaz de acompanhar arranjos cheios, mudar de clima com facilidade e sustentar repertório inteiro de clássicos sem escorregar.
Em uma entrevista resgatada pela Far Out, ele comentou essa experiência ao lado de Holland. Rod contou: "Você conhece o Jools Holland? Eu fiz o álbum de swing com ele que acabou de sair. É tudo coisa pra cima com a banda dele, que é provavelmente uma das melhores que eu já ouvi." Com isso Rod, que viu de perto a engrenagem de bandas históricas, colocou o grupo de Holland em um patamar que diz muito sobre o nível de organização e musicalidade que ele encontrou ali.
Antes mesmo dessa gravação, Stewart já tinha visto de que a banda era capaz ao acompanhar George Harrison em "Between the Devil and the Deep Blue Sea", misturando linguagem de jazz, pop e música tradicional sem perder o equilíbrio. É o tipo de versatilidade que costuma passar despercebida para o público geral, mas que músicos veteranos percebem rápido. Por isso, quando Rod Stewart aponta aquele conjunto como "uma das melhores bandas que já ouvi", não está apenas jogando confete: está reconhecendo que, na fase em que decidiu tirar o pé do acelerador e revisitar velhos standards, encontrou um grupo à altura da história que construiu com Beck, Faces e tantas outras formações ao longo da carreira.
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