Resenha - Universal Migrator 2: Flight Of The Migrator - Ayreon
Por Rodrigo Simas
Postado em 17 de julho de 2000
Arjen Lucassen, dono do Ayreon, é um cara de sorte. Além de ser um compositor de mão cheia, sempre está cercado por músicos maravilhosos para realizar suas composições e dar vida a suas idéias.
Após dois discos lançados o Ayreon só ficou realmente conhecido internacionalmente com o terceiro, o maravilhoso Into The Eletric Castle, que tinha nomes como Fish e Anneke Giersbergen nos vocais (além de vários outros), sendo que cada vocalista era um personagem diferente que realmente participava da estória.
No novo CD (que é duplo, mas dividido em dois discos vendidos separadamente) os convidados não são personagens diferentes, e sim narram a estória que acontece, sendo o último humano vivo que entra em uma máquina conhecida como Dream Sequencer numa colônia de Marte, e usa o programa chamado Universal Migrator. Esse programa o leva para um período antes do Big Bang. Com o Big Bang uma alma é criada, o Universal Migrator, que se divide em várias partes que vão procurar planetas capazes de serem ocupados por vida. A nossa busca começa quando nosso amigo segue uma parte do Migrator que eventualmente encontrará a Terra.
O estilo, bem diferente da parte 1 desta obra, é um heavy metal progressivo, que em muitas vezes entra no heavy metal tradicional e muitas vezes é bastante progressivo lembrando o anterior, Into the Eletric Castle.
Após a longa e ultra-melódica introdução , Chaos, o disco começa já com Russel Allen ( Symphony X ) nos vocais, na poderosa Dawn of Million Souls, que ainda conta com um solo de ninguém menos que Michael Romeo (guitarra- também no Symphony X). Já no clima de uma viagem universal, Ralph Scheepers (ex-Gamma ray, agora no Primal Fear) canta a excelente Journey on the Waves of Time, que aliás tem uma das melhores linhas de vocal do álbum, realçadas ainda mais pela perfeita execução de Scheepers. Após isso, se o ouvinte ainda estiver vivo, Andi Deris toma o controle do Migrator em To The Quasar, que é uma das músicas mais climáticas do CD, com sua voz encaixando perfeitamente nela, dando um clima espacial e sabendo aproveitar todas variações que sua voz pode ter, se mostrando bastante dinâmico. Essa composição é dividida em duas partes: The Taurus Pulsar e a pesada Quasar 3C273. O detalhe é que todas as faixas além das qualidades já citadas ainda tem excelentes partes apenas instrumentais que realmente prendem a atenção de quem está ouvindo.
Agora o CD devia ter um minuto de descanso pois quem está se preparando para cantar é Mr. Air Raid Siren, mais conhecido como Bruce Dickinson, provando mais uma vez porque ele é o único, e insubstituível, cantor da maior banda de heavy metal do mundo, o Iron Maiden. Into the Black Hole começa bem lenta para depois entrar em um heavy metal vigoroso, com um riff bastante pesado, perfeito para Bruce soltar sua voz como sempre o faz.
Fabio Lione (Rhapsody) não deixa a peteca cair com a rápida Through the Wormhole, passando a bola para Timo Kotipelto em Out of The White Hole, que tem um riff muito bom, além da performance do cantor na música ser indiscutivelmente ótima. O disco chega ao seu final com as não menos boas To the solar System (com Robert Soeterboek nos vocais) e The New Migrator (com Ian Parry)fechando maravilhosamente o álbum e também mostrando o valor de Parry como vocalista.
Importante notar que cada faixa combina exatamente com o vocalista que a canta e não seria a mesma coisa se eles mudassem as ordens. Arjen conseguiu chamar os cantores certos para as faixas certas e isso torna esse trabalho ainda mais especial fazendo assim com que Flight of the Migrator seja uma obra maravilhosa e empolgante além de ser um disco digno de uma banda como o Ayreon. Vale muito a pena dar uma conferida.
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