Resenha - Zooma - John Paul Jones

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Por Márcio Ribeiro
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Nota: 10

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Depois da decepção do disco Walking Into Clarksdale, da dupla Page & Plant, um disco solo de John Paul Jones, após tantos anos de silêncio, parece coisa caça-níquel. Mas para aqueles que, ao encontrar o disco, tiveram receio de apostar e continuaram vasculhando as prateleiras da loja, saibam que esse CD é uma grata surpresa. Zooma é de longe uma das melhores coisas em catálogo e isso é muito difícil de ser dito hoje em dia, dado o tamanho da mesmice encontrada por aí. É uma grande satisfação poder fazer a resenha de um disco tão pesado, bem arranjado, com temas criativos e primorosamente bem gravado e executado!
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A banda base é formada por Pete Thomas, ex-Attractions, na bateria e ele, John Paul Jones, em diversos tipos de baixos, órgão e dois instrumentos menos conhecidos, o mandolo elétrico, uma espécie de bandolim que toca na região dos graves-médios e o Kyma, sistema computadorizado para produção e controle de sons eletrônicos sintetizados. Em algumas faixas temos Trey Gunn, membro fixo da atual fase de King Crimson, na guitarra. Porém, na música titulo a guitarra é de Paul Leary, conhecido "session man" que participa apenas nesse tema. Denny Fongheiser, que primeiro apareceu nos álbuns de Tracy Chapman, contribui em duas músicas, ora na bateria, ora tocando um Djembe, instrumento de percussão original da região entre a Costa do Marfim e Ghana. As cordas da London Symphony Orchestra marca presença no tema Snake Eyes.

Quem anda acompanhando a carreira de Jones não deverá ser pego inteiramente de surpresa, pois sabe de suas participações em álbuns de gente tão diversa quanto Paul McCartney, Robert Fripp, REM e Butthole Surfers. Zooma oferece elementos de heavy rock, jazz, world music e blues, todos com uma leitura distinta, criativa e longe do previsível. Mantendo o disco instrumental, John se liberta das limitações de canções e seus formatos, focalizando seus esforços nas composições. Embora haja elementos "Zeppelinianos" neste seu trabalho, o som é propositadamente outro.

O CD não tem um tema de destaque. Estamos falando de um trabalho realmente muito bom. Zooma, Goose, B. Fingers e Tidal são temas alucinadamente pesados, com um baixo extremamente presente, daqueles que, no volume certo, empurram você para trás. São todos temas complicados e de difícil execução, uma verdadeira aula sobre como mesclar o som do moderno com preceitos antigos sobre musicalidade. Grind começa como um tema pop à la REM e desanda em marretadas deliciosamente ensurdecedoras desse baixista nada velho. The Smile of Your Shadow é um tema mais lírico, evocando um pouco o clima leve de alguns temas à la Zeppelin, sem lembrar nenhuma canção em específico. Bass'n'Drum é um tema puramente jazz, enquanto Snake Eyes, embora tenha peso, é um tema mais arrastado com um sabor de country e com reforço das cordas do LSO. Este tema, embora muito bom, até certo ponto destoa da obra como um todo. Enfim, se você gosta de peso e composições relativamente complexas, vale a pena conferir Zooma.

ZOOMA (1999)
Zomma
Grind
The Smile of Your Shadow
Goose
Bass 'n' Drums
b. Finger
Snake Eye
Nosumi Blues
Tidal

Todas as canções compostas e produzidas por John Paul Jones.
Os músicos da LSO foram arranjados e conduzidos por John Paul Jones.

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Sobre Márcio Ribeiro

Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.

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