A música do Led que John Paul Jones penou para tocar; "o riff mais difícil que eu escrevi
Por Bruce William
Postado em 09 de dezembro de 2025
Quando se fala em Led Zeppelin, a imagem padrão é a de quatro músicos com domínio técnico suficiente para transformar qualquer ideia em música com aparência de coisa fácil. Jimmy Page tinha o fogo do riff, John Bonham tinha uma levada que parecia mover o chão, Robert Plant era a linha melódica com sangue e exagero na medida do rock, e John Paul Jones era o sujeito que mantinha tudo de pé sem precisar de holofote. Justamente por isso, chama atenção quando o próprio Jones admite que uma das bases mais famosas do grupo não foi um passeio.
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A lembrança dele não aponta para uma fase tardia cheia de experimentos ou arranjos intrincados. Na verdade, o comentário recai sobre o começo de tudo, quando o Led Zeppelin ainda estava definindo o tamanho do próprio som e o baixo de Jones já aparecia como motor real de algumas composições. Aquele tipo de situação em que o ouvinte escuta e pensa que é simples, mas o músico sabe que a coisa é mais espinhosa por dentro.
A faixa em questão é "Good Times Bad Times", do álbum de estreia. Ao falar sobre a música por ocasião da reunião de 2007, Jones resumiu a bronca: "Esse é o riff mais difícil que eu já escrevi, o mais difícil de tocar" disse, conforme relembrou a Far Out. O detalhe bom dessa frase é que ela não vem de um músico inseguro - vem de alguém que escreveu boa parte da arquitetura musical do Zeppelin e sabia exatamente o que estava dizendo.
Page também reforçou como o processo tinha elementos que pegavam todo mundo de surpresa. Ele lembrou que a canção nasceu de um riff com grande participação de Jones no baixo e que o padrão do bumbo de Bonham fez muita gente achar que o baterista estava usando dois bumbos, quando na verdade era apenas um. Esse tipo de comentário encaixa bem com a lógica do Zeppelin inicial: mesmo nos temas mais diretos, havia truques de execução que elevavam a exigência.
E dá para entender por quê. O riff central de "Good Times Bad Times" exige precisão de encaixe entre baixo e guitarra e tem aquela sensação de mudança rápida de desenho, que não deixa o músico relaxar. No disco, Jones soa como se estivesse em casa, mas a própria declaração sugere que o conforto do resultado final veio depois de briga com a peça, não antes.
Esse episódio também combina com a imagem dele como o integrante mais "cérebro musical" da banda. Quando o Zeppelin avançou, Jones continuou entregando ideias que exigiam atenção quase matemática da parte de todo mundo - e às vezes até dele mesmo no início. A graça é justamente essa: mesmo o cara que parecia o mais sólido do grupo podia escrever algo que, na primeira abordagem, não se revelava tão simples.
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