Resenha - Live in Boston - Who
Por Rafael Carnovale
Postado em 12 de outubro de 2004
Nota: 9 ![]()
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A morte do genial baixista John Entwistle deixou um grande vazio no já desfalcado The Who anos 2000. Se a banda já sofria com a ausência do fantástico baterista Keith Moon (mesmo tendo na bateria um excelente Zak Starkey), agora seria uma outra grande lacuna a ser preenchida, já que John formava com Keith uma das melhores cozinhas do rock setentista. Muitos afirmaram que seria a hora de parar, encerrar as atividades, interromper essa banda paródia que excursionava continuamente desde o final dos anos 90. Mas Pete Townsend e Roger Daltrey resolveram continuar. Recrutaram o talentoso Pino Palladino para o baixo e embarcaram em mais uma turnê em 2003.

O resultado você confere neste bom DVD, "Live in Boston". Tocando para um anfiteatro lotado, Pete e Roger demonstram que ainda têm muito a oferecer para o rock, mesmo sentindo as ausências de Keith e John, já que Pino e Zak são nitidamente músicos de apoio, ficando as luzes totalmente focadas em Pete e Roger.
O show é como todo show do The Who nos anos 90: bombástico. Abrindo com "I can’t Explain", passando por clássicos como "Substitute", "Relay", "5:15" e uma série de músicas de "Quadrophenia", a banda (se é que podemos chamar de banda) demonstra forte entrosamento e Roger continua o mesmo, brincando com o microfone (que não para em suas mãos), além de continuar sendo um excelente "frontman". Pete também não fica atrás, embora as marcas da idade já se façam presentes, o mesmo continua um demolidor, com solos agressivos, ironias com a platéia (ele chega a mandar todos "calarem a boca" antes de anunciar "The Kids are Alright") e uma presença forte. Pino cumpre bem a função de baixista e Zak é de fato um talento na bateria. Os teclados ficam a cargo de John Bundrick e o irmão de Pete, Simon Towsend dá um apoio na guitarra e vocais.
Outros destaques ficam para "Pinball Wizard" (com Roger destruindo na performance), "Behind Blue Eyes" (para ensinar Fred Durst como se canta) e a emocionante "Won’t get Fooled Again" (dedicada a John). O final é fantástico, com "See Me, Feel Me" e "Listening to You" sendo cantadas em uníssono pela platéia. Como extras temos entrevistas recentes com Roger, que se mostra ainda abatido pela morte de John, mas revigorado pelas músicas gravadas em estúdio em 2004 ("Old Red Wine" e "Real Looking Boy"), e um Pete totalmente sarcástico, mas também apreciador do atual "status" do The Who.
Um bom DVD, que só não leva nota máxima pela ausência de um dos maiores baxistas que já passaram pela Terra, e pelo fato de soar um tanto oportunista. Mas sendo sincero, pelo vigor demonstrado pela turma, e pela qualidade das músicas recém lançadas, ainda vale a pena apostar nessa grande banda, ou no que restou dela.
Lançado em 2004 pela Warner Music.
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