Resenha - Amnesiac - Radiohead

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Por Rodrigo Simas
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Como uma banda pode agradar tanto alguns, ser odiada por muitos e continuar vendendo tanto? Como uma banda pode manter seu lugar na mídia sendo tão alternativa, talvez até revolucionária, estando 100 anos a frente da grande maioria das bandas de hoje, ainda fazendo músicas que são confusas e desconexas para quase a totalidade dos seus ouvintes?

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Poderíamos dizer que o Radiohead é "patrocinado" por uma gravadora grande com um marketing que não deixa seu nome desaparecer do mercado por muito tempo, mas esquecer a qualidade da banda é impossível.
O clássico "OK Computer" (1997) levou o Radiohead a outro patamar, mas ninguém esperava nada tão "novo" quanto "Kid A", que mostrou que ainda vinha muita coisa pela frente.

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"Amnesiac" foi gravado junto com "Kid A", na mesma época, no mesmo lugar, e sendo assim traz o mesmo direcionamento de seu antecessor de menos de um ano: muitas partes praticamente eletrônicas, produção impecável, melodias doentias de tão estranhas, linhas instrumentais idem e uma personalidade e inovação de fazer inveja a quase tudo que ouvimos hoje em dia. Só um detalhe: "Amnesiac" é ainda mais radical.

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Difícil explicar porque é tão bom, até porquê se você que está lendo esse review agora acha horrível, está mais que certo. "Amnesiac" é tão intragável que parece que entala no seu cérebro durante dois meses até você diluir o que está ouvindo e começar a achar que o CD inteiro é simplesmente excelente. E é mesmo.

Desde a entrada com a neurótica "Packt Like Sardines In A Crushd Tin Box", a bela "Pyramid Song" (os vocais de Thom Yorke continuam perfeitos), a completamente caótica/eletrônica "Pull/Pulk Revolving Doors" (como eles ainda conseguem vender algum CD?), a linda "Knives Out" (talvez a melhor do disco) e a excêntrica "Life in a Glass House" (que traz vários músicos convidados tocando instrumentos como clarineta e trombone), que fecha "Amnesiac" de um jeito no mínimo paranóico.

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Se você achou essa crítica meio complexa, talvez meio confusa, com umas opiniões conflitantes, ela é mesmo. É um reflexo do que se ouve em "Amnesiac". Se Thom Yorke é um gênio ou um grande lunático só o tempo vai dizer, mas não precisamos esperar 100 anos para ouvir né?

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Sobre Rodrigo Simas

Designer, carioca e tricolor. Começou a ouvir música aos 11 anos, com Iron Maiden, Metallica e Rush. Tem como hobby quase profissional, a música. Além de produzir shows e eventos, trabalhou por 5 anos em loja especializada em Heavy Metal, e já escreveu para alguns sites e revistas de música. Hoje escuta de tudo um pouco, e cada vez mais descobre que existem apenas dois tipos de música: a boa e a ruim, independente do estilo. Bandas e artistas favoritos: Dave Matthews Band, Peter Gabriel, Rush, Iron Maiden, Led Zeppelin, Ben Harper, Radiohead, System of a Down... e a lista continua...

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