Patti Smith: O rock político continua sendo fonte para manifestos

Resenha - Trampin - Patti Smith

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Por Roberto Almeida
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O rock político, se depender de Patti Smith, continua sendo fonte para manifestos. Esse é mais um para o governo Bush.

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Uma das faixas de Trampin’, nono álbum da poetisa do punk Patti Smith, vai longe além dos 10 minutos. Nela, o pau come solto em cima da pauta política do momento, a guerra do Iraque, com uma delicadeza que só uma compositora do calibre dessa quase sexagenária (espero que ela não leia isso) consegue fazer. E Radio Baghdad, título da música, termina com:

They’re robbing the cradle of civilization
(Eles estão roubando o berço da civilização)

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Patti Smith capricha no lado político, que se percebe imerso em todas as faixas do disco. Trampin’, sem dúvida alguma, nasceu em um ano politicamente conturbado nos E.U.A. e Patti fisgou bem o momento. Radio Baghdad é apenas um exemplo, fácil de citar porque é literal. Em Jubilee, faixa que abre o disco, Patti dá suas metaforizadas de praxe para valorizar a liberdade estadounidense. E segue assim: defendendo o livre e detonando o submisso.

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Até aí, parece que é mais um daqueles discos bons de ouvir uma vez só. Lê-se a letra, tudo parece claro. "Legal". Mas, para ouvi-lo de novo, só daqui a alguns meses. Para manter Trampin’ livre do limbo das coleções de CDs, Patti e seus colegas de banda - Lenny Kaye, Jay Dee Daugherty, Tony Shanahan e Oliver Ray - capricharam no rock para embalar a poesia tanto falada quanto cantada. É, de fato, bem elaborado, mas não atinge elevados graus de atenção do ouvinte. Enfim, quem conhece o som de Patti em seus últimos discos (Gung Ho, de 2000, e Peace and Noise, de 97), não deve esperar muitas surpresas.

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Os destaques do disco ficam para a poderosa My Bleaken Years e a já citada Radio Baghdad que, mesmo em se tratando de um manifesto, é boa música. No segundo time, entram o rock de Stride of the Mind e a quase marchinha Jubilee.

Patti Smith - Trampin’
Columbia - 2004

Faixas
01 Jubilee (Daugherty, Kaye, Smith) 4:43
02 Mother Rose (Shanahan, Smith) 4:56
03 Stride of the Mind (Ray, Smith) 3:37
04 Cartwheels (Kaye, Smith) 6:01
05 Gandhi (Daugherty, Kaye, Ray, Shanahan) 9:21
06 Trespasses (Daugherty, Smith) 5:00
07 My Bleaken Year (Smith) 5:16
08 Cash (Ray, Smith) 4:20
09 Peaceable Kingdom (Shanahan, Smith) 5:09
10 Radio Baghdad (Ray, Smith) 12:17
11 Trampin’ (spiritual) 2:56

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Esta matéria foi originalmente publicada na coluna Vitrolaz do Whiplash!. Informação para quem gosta de cultura. O Vitrolaz é uma revista eletrônica que fala de música, cinema e literatura. A proposta é apresentar sempre críticas, resenhas e entrevistas onde o que é novidade se mistura com o que fez história. O site, que tem uma equipe de jornalistas dividida entre Recife e Curitiba, também abre espaço para enquetes, comentários e promoções.

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