Eddie Vedder: A difícil relação com o pai em cinco canções
Por Ivan da Luz
Fonte: Fanpage Memórias do Rock
Postado em 23 de abril de 2019
Eddie Vedder tinha 12 anos quando ganhou de presente uma guitarra de sua mãe. Aos 15 decidiu que iria fazer música após ouvir Quadrophenia, disco clássico do The Who. Em entrevistas, Vedder disse algumas vezes que em sua adolescência, o que lhe trazia conforto eram o surfe e seu fone de ouvido.
As inquietações de Eddie Vedder tinham um motivo: na adolescência ele não lidou bem com o divórcio de sua mãe e, ainda menos com a descoberta de que o ex dela, na verdade, não era seu pai biológico - este até tinha alguma convivência com o jovem Eddie e seus irmãos, mas sempre acharam que se tratava de um conhecido da família, nada mais.
Não é difícil encontrar por aí a história de como Eddie Vedder conheceu os músicos com quem formaria o Pearl Jam. O intuito desse texto é falar um pouco de cada uma de cinco canções cujas letras foram escritas por ele para expressar seu descontamento com o pai biológico e a relação ruim que tinha com o padastro. Aliás, seu verdadeiro nome é Eddie Louis Severson e o sobrenome artístico que adotou, na verdade, é o sobrenome de sua mãe, que tem ascendência alemã.
"Better Man" é uma canção originalmente escrita por Eddie Vedder quando era ainda adolescente, ou seja, muito antes de se juntar ao Pearl Jam. Foi naquele período que descobriu que o homem que vivia com sua mãe era seu padastro na realidade.
Vedder e o padastro não tinham um bom relacionamento, como já dito e Vedder passou a acreditar que sua mãe só resolveu se casar novamente porque não podia se sustentar. A letra fala de uma mulher acorrentada a um relacionamento ruim, do qual ela não consegue se ver livre. Em shows da turnê de Vitalogy, o disco onde está a versão de estúdio da canção, Vedder anunciava "Better Man" como "a canção que fiz para o bastardo que se casou com minha mãe". Uma outra curiosidade é que sua melodia é livremente inspirada em Save It For Later, da The English Beat, banda inglesa formada nos fim dos anos 70.
O pai biológico de Vedder separou-se de sua mãe quando o músico tinha um ano apenas. Pouco tempo depois ela se casou e Vedder cresceu achando que o padastro era seu pai, com quem ele sempre teve muitos conflitos. Até chegou a conhecer o pai biológico mais tarde, mas acreditando que era uma amigo dos pais.
Só depois que seu pai biológico morreu, quando Eddie era adolescente que lhe foi revelada a verdadeira história. Irritado com tudo, ele escreveu a letra de "My Father's Son": "Pai, você está morto e foi embora e eu estou finalmente livre para ser eu, obrigado por todos os seus presentes falsos, pelos quais eu não tenho simpatia."
Sob o nome de "Dolar Short", "Alive é uma das músicas que estavam na fita que Eddie Vedder recebeu, com canções escritas e gravadas pelo guitarrista Stone Grossard (essa história, posso contar um outro dia). Eddie Vedder escreveu sobre um menino que descobre que seu pai é na verdade seu padrasto e que seu verdadeiro pai está morto.
Mais tarde, ele revelou que a música era "uma obra de ficção baseada na realidade", e o refrão "Eu ainda estou vivo" foi o que ele considerou sua maldição, enquanto lutava para lidar com o relacionamento tenso com o padrasto e o fato de que seu verdadeiro pai estava morto.
O embrião da letra já havia sido escrita por Vedder, e foi a primeira música em que ele registrou a voz para enviar de volta a Stone Grossard a fita que recebeu. Depois, ele escreveu outras duas letras que dão continuidade à história de "Alive": "Once" e "Footstep". As três canções compõem a chamada "trilogia Mamasan".
A segunda parte da trilogia Mamasan. Essa canção foi o lado B do EP de Alive, e depois foi incluída no primeiro álbum da banda.
Continuando a história iniciada por Alive, o garoto se torna um perturbado, o que o leva à loucura e, com isso, se torna um serial killer.
A demo da música "Footstep" foi batizada de "Times Of Trouble", sendo composta na época em que Stone Grossard estava no Mother Love Bone, banda embrião do Pearl Jam e serviu de base para a canção de mesmo nome, registrada no álbum Temple Of The Dog, um projeto que reuniu músicos da cena de Seattle, em memória ao falecido Andrew Wood, o vocalista do Mother Love Bone.
Na versão com letra de Eddie Vedder, o garoto da trilogia Mamasan é preso e condenado à morte e, após um tempo preso, ele reflete o quanto desperdiçou sua vida numa cela, culpando a mãe por tudo o que com ele aconteceu.
Foi lançada como lado B de "Jeremy", não entrou no primeiro disco do Pearl Jam, mas foi relançada na coletânea Lost Dogs.
Assista sobre outros clássicos no Canal Memórias do Rock no YouTube.
Ivan da Luz, junto a Jayro Teles, é criador do canal Memórias do Rock e editor da fanpage deste mesmo canal.
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