O prêmio que Eddie Vedder acha que o Pearl Jam só merece "pela metade"
Por Bruce William
Postado em 24 de novembro de 2025
Quando o Pearl Jam foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame, muita gente enxergou aquilo como a consagração óbvia de uma das bandas mais importantes dos anos 1990. Para Eddie Vedder, porém, a história não era tão simples assim. No meio do discurso de agradecimento, ele olhou para os companheiros de banda e deixou claro que, na cabeça dele, o grupo ainda não tinha chegado lá. "Eu amo tanto essas pessoas e nós adoramos sair juntos e adoramos excursionar. Nós amamos tocar, amamos escrever e amamos gravar. E eu sinto que estamos mais ou menos na metade do caminho para merecer uma homenagem dessa estatura, talvez na metade do caminho, mas isso é muito encorajador", afirmou, conforme transcrição feita pela Far Out.

Essa ideia de "metade do caminho" ajuda a entender como Vedder enxerga a própria trajetória. Diferente de muitos frontmen que abraçaram o papel de estrela de arena desde cedo, ele nunca pareceu confortável com o pacote completo da fama. O Pearl Jam nasceu mais como um projeto criativo entre amigos do que como uma banda planejada para disputar espaço nas paradas, e o salto repentino para o topo deixou o vocalista sempre com um pé atrás em relação ao pedestal em que o mundo os colocou.
Ao mesmo tempo, Vedder nunca escondeu o tamanho da dívida que sente com os gigantes do rock. The Who, por exemplo, ocupa um lugar especial na formação musical dele desde a adolescência. Ouvir um disco como "Live at Leeds" ainda jovem ajudou a estabelecer, na cabeça do futuro vocalista, um padrão de intensidade e autenticidade que ele continua usando como referência até hoje. Não é à toa que, ao falar sobre prêmios, ele sempre puxa a conversa de volta para os heróis que vieram antes.
Essa comparação constante com a geração anterior deixa o sucesso do Pearl Jam com um sabor ambíguo. De um lado, a banda explodiu com "Ten" em uma velocidade que grupos como o R.E.M. levaram anos para alcançar. Do outro, Vedder observava justamente esses artistas que subiram devagar, disco a disco, consolidando um catálogo extenso e coerente, sem a sensação de terem "queimado etapas". A impressão é de que ele teria preferido um crescimento mais lento, em vez do salto imediato para o estrelato.
Quando o grupo passou a recusar clipes, brigar com o sistema de venda de ingressos e lançar álbuns menos previsíveis, muita gente interpretou como teimosia ou sabotagem da própria carreira. Mas, na prática, era o jeito que Vedder encontrou de tentar aproximar a banda do modelo dos ídolos: menos foco na celebridade, mais foco em construir uma obra que fizesse sentido no longo prazo. Discos como "Vitalogy", "No Code" e "Binaural" podem não ter o mesmo impacto comercial do começo, mas mostram um grupo usando a própria popularidade como espaço para se arriscar.
Colocando tudo isso na balança, a frase dita no Hall of Fame soa menos como falsa modéstia e mais como um retrato fiel da cabeça de Vedder. Para ele, estar na mesma instituição que abriga nomes como The Who é um incentivo, não uma linha de chegada. O Pearl Jam já fez o suficiente para ser lembrado, mas ainda há um pedaço grande de estrada que, na visão do vocalista, precisa ser percorrido antes que a banda realmente se veja no mesmo patamar que os heróis que o moldaram quando ele ainda era só um fã ouvindo discos em casa.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Mastodon oficializa nova formação, que conta com músico brasileiro
Nicko McBrain surpreende ao eleger os álbuns do Iron Maiden do pior ao melhor
A banda que bateu um recorde dos Beatles e afundou em poucos anos
Ex-baterista do Guns N' Roses fala sobre o Axl Rose que a maioria não conhece
Mike Browning, baterista e vocalista original do Morbid Angel, morre aos 62 anos
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
O disco de 1983 que Dave Grohl sabe tocar de cor e salteado; "Conheço cada virada de bateria"
A música do AC/DC que Angus Young escolheu como sua favorita na guitarra
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
Steve Howe (Yes) conta como foi tocar em "Innuendo", do Queen
Mick Jagger não vê nada de bom em envelhecer, mas admite uma vantagem inesperada
Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
Jennifer Finch, baixista da L7, diagnosticada com agressivo câncer cerebral
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
Frank Ferrer explica motivo de saída do Guns N' Roses após 19 anos na banda

Eddie Vedder toma banho de cerveja belga em eliminação americana da Copa
Ouvintes de rádio dos EUA escolhem 250 melhores músicas do rock alternativo nos 1990s
A música do Pearl Jam que teve o sentido da letra alterado pelos fãs
Os 11 maiores solos com pedal wah da história do rock e metal, segundo a Loudwire
Com Roger Daltrey e Eddie Vedder, Best of Blues and Rock 2026 confirma atrações
Ultimate Classic Rock: as dez melhores duplas de guitarristas


