O prêmio que Eddie Vedder acha que o Pearl Jam só merece "pela metade"
Por Bruce William
Postado em 24 de novembro de 2025
Morre Phil Campbell, guitarrista que integrou o Motörhead por mais de 30 anos
Quando o Pearl Jam foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame, muita gente enxergou aquilo como a consagração óbvia de uma das bandas mais importantes dos anos 1990. Para Eddie Vedder, porém, a história não era tão simples assim. No meio do discurso de agradecimento, ele olhou para os companheiros de banda e deixou claro que, na cabeça dele, o grupo ainda não tinha chegado lá. "Eu amo tanto essas pessoas e nós adoramos sair juntos e adoramos excursionar. Nós amamos tocar, amamos escrever e amamos gravar. E eu sinto que estamos mais ou menos na metade do caminho para merecer uma homenagem dessa estatura, talvez na metade do caminho, mas isso é muito encorajador", afirmou, conforme transcrição feita pela Far Out.

Essa ideia de "metade do caminho" ajuda a entender como Vedder enxerga a própria trajetória. Diferente de muitos frontmen que abraçaram o papel de estrela de arena desde cedo, ele nunca pareceu confortável com o pacote completo da fama. O Pearl Jam nasceu mais como um projeto criativo entre amigos do que como uma banda planejada para disputar espaço nas paradas, e o salto repentino para o topo deixou o vocalista sempre com um pé atrás em relação ao pedestal em que o mundo os colocou.
Ao mesmo tempo, Vedder nunca escondeu o tamanho da dívida que sente com os gigantes do rock. The Who, por exemplo, ocupa um lugar especial na formação musical dele desde a adolescência. Ouvir um disco como "Live at Leeds" ainda jovem ajudou a estabelecer, na cabeça do futuro vocalista, um padrão de intensidade e autenticidade que ele continua usando como referência até hoje. Não é à toa que, ao falar sobre prêmios, ele sempre puxa a conversa de volta para os heróis que vieram antes.
Essa comparação constante com a geração anterior deixa o sucesso do Pearl Jam com um sabor ambíguo. De um lado, a banda explodiu com "Ten" em uma velocidade que grupos como o R.E.M. levaram anos para alcançar. Do outro, Vedder observava justamente esses artistas que subiram devagar, disco a disco, consolidando um catálogo extenso e coerente, sem a sensação de terem "queimado etapas". A impressão é de que ele teria preferido um crescimento mais lento, em vez do salto imediato para o estrelato.
Quando o grupo passou a recusar clipes, brigar com o sistema de venda de ingressos e lançar álbuns menos previsíveis, muita gente interpretou como teimosia ou sabotagem da própria carreira. Mas, na prática, era o jeito que Vedder encontrou de tentar aproximar a banda do modelo dos ídolos: menos foco na celebridade, mais foco em construir uma obra que fizesse sentido no longo prazo. Discos como "Vitalogy", "No Code" e "Binaural" podem não ter o mesmo impacto comercial do começo, mas mostram um grupo usando a própria popularidade como espaço para se arriscar.
Colocando tudo isso na balança, a frase dita no Hall of Fame soa menos como falsa modéstia e mais como um retrato fiel da cabeça de Vedder. Para ele, estar na mesma instituição que abriga nomes como The Who é um incentivo, não uma linha de chegada. O Pearl Jam já fez o suficiente para ser lembrado, mas ainda há um pedaço grande de estrada que, na visão do vocalista, precisa ser percorrido antes que a banda realmente se veja no mesmo patamar que os heróis que o moldaram quando ele ainda era só um fã ouvindo discos em casa.
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