Metal: Cinco bandas que mudaram a sonoridade - Parte 1
Por Mateus Ribeiro
Postado em 27 de março de 2019
A evolução é um processo que ocorre naturalmente no mundo da música. Quando falamos de Heavy Metal (e todas suas vertentes), as coisas não são diferentes. Por diversos motivos, como a vontade própria, por exemplo, bandas e artistas costumam apresentar mudanças na sonoridade, o que algumas vezes, acaba deixando os fãs mais radicais furiosos.

Confira abaixo cinco dessas bandas que mudaram a sonoridade com o passar do tempo.
5 - CARCASS
Quando a banda inglesa iniciou sua carreira, no final da década de 1980, executava um Grindcore cruel, que por vezes, chegava a ser inaudível para pessoas mais sensíveis. Porém, para os apreciadores da desgraça, o material apresentado no debut "Reek Of Putrefaction" é uma obra de arte.
As coisas não mudaram muito no segundo disco, "Symphonies Of Sickness", porém, a produção tornou o som mais "limpo" (para os padrões do CARCASS, é claro).

Já no terceiro disco, o ótimo "Necroticism - Descanting the Insalubrious", a banda apresentou um som mais bem trabalhado, chegando a apresentar alguns toques de melodia, mas sem deixar a podreira de lado. O Melodic Death Metal começou a dar seus primeiros passos.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | Em 1993, apenas cinco anos após o lançamento do primeiro disco, o CARCASS lança 'Heartwork", melhor trabalho da banda, e cultuado até hoje por fãs de Metal Extremo. O que começou como Grindcore já estava com uma identidade própria, que continha traços do Thrash, do Death,e do Heavy Metal. As letras mudaram de forma consideravelmente, e a estrutura das músicas, apesar de muito bem executada, já não era tão complexa.

Três anos depois, em 1996, o disco "Swansong" traz o CARCASS executando uma mistura de Metal Extremo com Rock And Roll (!!!), que ganhou o nome originalíssimo de Death And Roll.
Infelizmente, após esse disco, a banda encerrou suas atividades por aproximadamente uma década. Para a felicidade dos fãs, em 2007, voltaram a excursionar. Em 2013, lançaram "Surgical Steel", que mistura todas as fases da banda, com muita classe e sangue nos olhos.

Nossos ouvidos aguardam ansiosamente por novos trabalhos e mudanças.
4 - DEATH
Como você deve ter imaginado, a banda em questão é uma das maiores expoentes do Death Metal. Na verdade, é uma das criadoras do estilo, e o primeiro álbum é um dos guias do estilo.

O segundo disco, "Leprosy", já mostra uma grande evolução na composição. Além de músicas mais rápidas, pesadas e agressivas, a produção melhorou de maneira considerável.
O disco "Spiritual Healing", além de uma mudança nas letras (que agora falavam mais de aspectos sociais), foi o último disco que Chuck Schuldiner gravou com músicos fixos. Bem, não que Chuck não fizesse mudanças na formação da banda, mas após um problema envolvendo membros antes de uma tour pela Europa, o chefe decidiu que trabalharia apenas com músicos contratados.
Depois das brigas e disputas legais, Chuck contratou um time de peso, que entre outros, contava com o monstruoso Steve DiGiorgio, e gravou o excelente "Human", um disco absurdamente técnico, pesado, rápido, complexo, e diferente de tudo o que a banda havia feito, inclusive contando com passagens progressivas e uma mudança significativa nos vocais de Chuck. A banda passou a trilhar novos caminhos,e novamente, abriu as portas para o estilo evoluir.
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O lançamento seguinte, "Individual Thought Patterns", manteve a mistura de técnica e agressividade, e soa como uma evolução de "Human". As presenças dos grandes Gene Hoglan (bateria) e Andy LaRocque (guitarra) foram importantes para que o trabalho seja considerado até hoje um dos mais técnicos e intrincados da historia do Metal Extremo.
Quando o DEATH parecia não ter mais como evoluir, é lançado "Symbolic", que consegue, além de manter o altíssimo padrão de qualidade das composições, emplacar grandes sucessos, como a faixa título, "Empty Words", "Crystal Mountain" e "Zero Tolerance".
O último trabalho lançado pela banda é o estupendo "The Sound Of Perseverance", lançado em 1998. Chuck fez o que parecia impossível, e conseguiu mudar mais ainda a cara da banda, que se tornou mais pesada e progressiva, e em alguns instantes, chega a flertar com o Heavy tradicional. O álbum alterna momentos de agressividade extrema com outros mais tranquilos, e até mesmo emocionantes, como na instrumental "Voice Of The Soul.". Infelizmente, o mentor do DEATH descobriu que estava com câncer, e em 2001, faleceu aos 34 anos.
Aparentemente, Chuck nasceu para se tornar uma lenda,e de fato, virou. Mesmo com uma carreira relativamente curta, conseguiu criar um estilo de som único, que até hoje, mesmo influenciando milhares de músicos, continua intacto, já que nenhuma banda chegou perto do que o DEATH fez.
03 - PARADISE LOST
A banda inglesa tocava uma mistura de Death e Doom Metal no início de sua carreira. As músicas eram pesadas, arrastadas, e com altas doses de melancolia e vocais guturais (e algumas passagens com vozes femininas). Os primeiros trabalhos da banda indicavam o surgimento do que viria a ser conhecido como Gothic Metal anos depois.
Os lançamentos seguintes mostram um novo direcionamento. Alguns riffs mais próximos do Heavy Metal começaram a aparecer, e tanto o instrumental quanto o vocal ficaram mais limpos, mas sem deixar a agressividade de lado. Os discos lançados nesse período são clássicos admirados até os dias de hoje, e a evolução contínua conhece seu ápice com o maravilhoso "Draconian Times", um dos melhores discos de Metal dos anos 90. O PARADISE LOST, definitivamente, se firmava como um dos grandes do Metal, além de ser referência no Gothic Metal. Por outro lado, "Draconian Times", um trabalho com muitas melodias e vocais mais limpos, mostrava que a banda poderia tomar outro rumo.
Conforme previsto, o PARADISE LOST foi buscar outros caminhos, e por consequência, agradou alguns, e desagradou outros.Alguns elementos do gótico oitentista, bateria eletrônica e clima atmosférico fizeram do PARADISE LOST uma banda que dividia opiniões.
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Mesmo com as mudanças no som, o PARADISE continuava sendo um nome muito respeitado na cena da música pesada. De qualquer forma, após alguns álbuns polêmicos, a banda resgatou elementos do passado, mas continuou agregando toques mais modernos, como pode ser visto em "Symbol Of Life", ou no disco que leva o nome da banda.
A veia mais POP que começou no final dos anos 90 e foi até a metade dos anos 2000 foi desaparecendo aos poucos, começando pelo álbum "In Requiem", passando pelo extremamente melancólico "Faith Divides Us - Death Unites Us", e que permanece até os dias de hoje.
Longe de qualquer conversa de "volta ao passado", mas o PARADISE LOST mostrou que faz o que bem entende, e que nunca vai deitar nas facilidades da zona de conforto. Sorte de quem consegue admirar, azar de quem vive preso ao passado.
02 - IN FLAMES
Quem acompanha o cenário do Metal sabe que o IN FLAMES surgiu no meio da década de 90 como uma grande promessa. A banda sueca, que foi um dos maiores nomes do Melodic Death Metal, lançou dois grandes trabalhos, "Lunar Strain" e "The Jester Race", que abriram muitas portas não só para eles, como para o estilo, que estava se expandindo. Além das guitarras pesadas e melódicas, os vocais que variavam entre o gritado e o gutural, algumas influências de Metal clássico tornaram o som do IN FLAMES algo único e original.
Após algumas mudanças na formação, foram lançados três ótimos trabalhos, um pouco mais modernos, agregando elementos de diversos estilos, desde o Heavy Metal até o Death, passando pelo Thrash. Os discos em questão são os inesquecíveis "Whoracle" (1997), "Colony" (1999), e "Clayman" (2000). O IN FLAMES estava se tornando uma das maiores bandas de sua geração, e o Melodic Death Metal estava virando um fenômeno de proporções mundiais.
Pois bem, o sucesso chegou, e algumas mudanças também. O som da banda ganhou contornos mais alternativos, e a influência de bandas dos EUA e até mesmo da música alternativa começaram a moldar o som da banda, que continuava pesada. Porém, os discos "Reroute To Remain" e "Soundtrack To Your Escape" não foram exatamente bem aceitos pela velha guarda.
No ótimo "Come Clarity", lançado em 2006, parecia que a banda conseguiu encontrar o equilíbrio entre o antigo e o moderno. No fim das contas, mesmo com muita gente torcendo o nariz, uma verdade havia aparecido: o IN FLAMES jamais iria voltar ao passado apenas por voltar.
Isso ficou provado em "A Sense Of Purpose", um disco sólido, mas que mantém a proposta mais moderna da banda, que já não era mais novidade.
Após o lançamento do álbum, o guitarrista e fundador da banda Jesper Strömblad decidiu abandonar o barco, o que causou um grande impacto.
Depois da saída de Jesper, o ótimo "Sounds Of A Playground Fading" (2011) e "Siren Charms" (2014) atuaram como álbuns de transição, preparando os ouvidos dos fãs da banda para o que estaria por vir: a fase alternativa que a banda parece ter abraçado com força nos dois últimos discos, "Battles" (2016) e "I,The Mask" (2019).
Mesmo sendo uma das bandas mais perseguidas pelos bangers mais radicais, o IN FLAMES sempre foi autêntico no que fez, e continua fazendo um som muito bem feito (gostar ou não já é uma opção pessoal) até os dias de hoje. Sorte de quem consegue gostar de guturais e de pula pula ao mesmo tempo...
01- METALLICA
Qualquer ser humano que conheça o mínimo de música já ouviu alguém falando que "só os três primeiros do METALLICA eram bons". Goste você do restante da carreira da banda ou não, é fato que os três primeiros discos da banda são fundamentais para qualquer fã de música pesada, já que são três verdadeiras aulas de Metal. Peso, velocidade, melodia, e uma banda coesa, que fazia uma verdadeira parede sonora. O METALLICA era uma das maiores bandas do planeta, e "Kill ´Em All" (1983), "Ride The Lightning" (1984) e "Master Of Puppets" (1986) foram essenciais para que os caras alcançassem tal status.
Justo no maior momento da banda, o baixista Cliff Burton falece em um trágico acidente, e o METALLICA contrata Jason Newsted, que participa do intrincado "...And Justice For All" (1988), disco que alguns fãs não gostaram tanto, enquanto outros acharam fantástico. Realmente, as músicas estavam diferentes, um pouco mais longas, algumas até um tanto obscuras. De qualquer forma, um disco que nem de longe queimaria o filme da banda.
Já em 1991, o METALLICA lança o disco que leva seu nome. Músicas como "Enter Sandman", "The Unforgiven" e "Sad But True" fizeram do METALLICA um grande nome da música mundial. Quem não conhecia Metal passou a conhecer, já que as músicas eram executadas em todo e qualquer lugar. O som era pesado, mas não lembrava o Thrash "inconsequente " de "Kill ´Em All", por exemplo. É claro que os fãs mais radicais não gostaram disso, e começaram a estufar o peito para falar que "A BANDA SE VENDEU", frase que alguns falam até hoje.
E se os fãs ficaram malucos com o "Black Album", imagina qual foi a reação com o lançamento de "Load" (1996) e "ReLoad" (1997)? Além de mudar MUITO o som, através de inúmeras músicas mais acessíveis (a grande maioria, boa, o "problema" era quem estava as executando), os caras mudaram o visual, e cometeram o crime número 01 do Código de Defesa do Headbanger: cortaram o cabelo.
Desnecessário dizer que o barulho foi grande,e que muitos fãs desistiram do METALLICA.
Passado todo o barulho, e depois da banda perceber que não estava agradando muita gente, foi gravado um álbum de covers, "Garage Inc." e o maravilhoso "S&M", disco ao vivo gravado junto com a Orquestra Sinfônica de São Francisco.
A barra até que ficou limpa, até que os caras resolveram dar a maior derrapada da carreira, batizada como "St. Anger". Um dos discos mais constrangedores da historia da música pesada, com músicas ruins, uma banda tentando fazer algo fora dos seus padrões, e uma produção de deixar muita banda iniciante com inveja...
É bem verdade que o álbum que veio depois, "Death Magnetic", se não tem nada de especial, consegue ser melhor que o anterior, o que também não exigiria muito esforço. Os riffs rápidos estavam de volta, algumas músicas legais pipocam daqui e dali, mas é inegável que a alma parece ter ido embora da banda faz tempo. O mesmo sentimento existe no último lançamento, "Hardwired...To Self -Destruct".
As músicas são até legais, mas você sabe desde o primeiro acorde que nada de muito diferente vai acontecer.
Seja como for, o METALLICA continua sendo um gigante da música, enchendo estádios mundo afora, e tem muita lenha pra queimar!
E você, quais bandas sugere para a parte 2?
Um abraço, e até a próxima!
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