Joy Division: os 38 anos de morte de Ian Curtis e do fim da banda
Por Eliane Alves de Oliveira
Fonte: Editora Horizonte
Postado em 18 de maio de 2018
Em maio de 1980, na pequena Macclesfield, norte da Inglaterra, Ian Curtis, vocalista e letrista do Joy Division, comete suicídio. O grupo acabara de gravar, dias antes, aquele que viria a ser um dos mais sombrios e belos discos de todos os tempos, Closer, lançado postumamente. No mesmo período, também gravaram o single Love will tear us apart, maior hit da banda e um verdadeiro hino da década de sua produção.
O fatídico 18 de maio de 1980 pôs fim ao Joy Division apenas um dia antes de embarcarem na sua primeira turnê pelos E.U.A. O grupo, no entanto, não cairia no esquecimento. Pelo contrário. Quase quatro décadas depois, apesar da sua pequena discografia, o Joy Division é uma verdadeira instituição musical, inspirando centenas de novas bandas ao redor do mundo.
Agora, nas proximidades dos 38 anos de morte de Ian Curtis, a Editora Horizonte publica In Aeternum, Joy Division: a busca afetiva por uma imagem, que será lançado no dia 19 de maio, em São Paulo, um dia depois da data que marca o suicídio do vocalista.
Este livro de sensível escrita é uma biografia afetiva que narra a trajetória do Joy Division e foi construído com base na relação do experiente autor e fotógrafo Arlindo Gonçalves e sua descoberta da banda inglesa desde o início dos anos 1980 até os dias de hoje. Como fã e colecionador, Arlindo, além de reunir discos e suvenires, também realizou leitura assídua de tudo o que foi escrito sobre o grupo, revisitou o perfil de algumas personalidades que conviveram com os integrantes da banda e, junto com Luciana Fátima, sua companheira e também fã do Joy Division, fez uma jornada mística à Inglaterra, visitando a fatídica residência onde Curtis pôs fim à própria vida, bem como seu memorial no cemitério da cidade natal do cantor.
Em In Aeternum, o autor, unindo suas memórias e pesquisas sobre o Joy Division, apresenta o surgimento da banda, suas tentativas de entrarem no mercado musical, suas derrotas e conquistas. No decorrer dos capítulos, trata a história da escolha do nome do grupo, sua estética musical e a firmeza em seguirem o estilo punk/pós-punk, mesmo sob pressão do produtor. Em paralelo, é inevitável a abordagem da sensível vida de Ian Curtis e seu trágico suicídio.
Durante a produção de Closer, o Joy Division, ao folhear o trabalho do fotógrafo francês Bernard Pierre Wolff, que trazia um ensaio com as esculturas do cemitério Staglieno, da cidade de Gênova, logo decidiu pela estética da capa do disco que, em grande parte, também representava a atmosfera das músicas e da vida de seu líder, Ian Curtis. O álbum foi lançado após o suicídio do cantor; entretanto, mesmo com todas as críticas recebidas, os integrantes da banda e amigos do compositor resolveram respeitar a escolha original e manter a estética que bem os representava. Arlindo Gonçalves e Luciana Fátima também percorreram o cemitério Staglieno em busca de uma imagem afetiva e fizeram um belíssimo ensaio com centenas de fotos para o acervo do coletivo Diálogos com a Cidade. In aeternum vem acompanhado do belíssimo caderno com uma seleção das melhores fotografias das esculturas do Staglieno.
Arlindo Gonçalves, escritor e fotógrafo, já publicou vários títulos nos gêneros romance, novela, conto, crônica, diário e fotopoesia. Sua obra é marcada pela memória e afetividade que dão voz, sem ser piegas, aos excluídos e às minorias. Essa afeição e alteridade chegam a ser tocante neste seu décimo livro In Aeternum, Joy Division: a busca afetiva por uma imagem.
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