Neil Peart: Muito além de um gênio da bateria
Por Ricardo Bellucci
Fonte: Evan Carmichael
Postado em 28 de março de 2018
Nos idos tempos de adolescência, como muitos, decidi arranhar as cordas de um baixo. Não me dei bem, confesso, meu talento, devo reconhecer, estava com os números. Mas mesmo tendo tocado baixo e guitarra, sempre tive uma profunda admiração por quem tocava bateria. O domínio técnico, a extrema coordenação motora, o grau de exigência e concentração são extremos. Além disso, me parecia que a "posição" de "batera" era algo meio parecida com a do goleiro, no futebol. Sempre percebi uma certa solidariedade entre os "bateras", algo meio como uma confraria, assim como acontece com os goleiros.
Não vou enveredar por julgamentos de caráter técnico. Não tenho capacidade para tal. Mas como fã de rock, e fã de muitos "bateras", tenho minhas preferências. Também não vou me arriscar a fazer uma lista, afinal de contas, cada um de nós tem a sua pessoal.
Mas um dos "bateras" com o qual me identifico profundamente, é Neil Peart, do Rush.
Dono de uma técnica refinada, de um estilo limpo, intenso, firme, possui um extremo bom gosto. Navega do rock ao jazz, com maestria. Na minha opinião, caro leitor, de um não especialista, tem a capacidade de alternar, durante a música, de momentos da mais profunda intensidade, com momentos de leveza e poesia, transmitindo emoção através de suas "batidas". Música é algo muito mais do que meramente técnica, é bem mais, é emoção que transcende através de notas.
Dono de uma personalidade introvertida, tímida, para muitos, Neil passou por uma série de dramas pessoais que o marcaram profundamente. Para ninguém é fácil perder entes queridos. Isso nos marca, e cada um reage da sua própria maneira. Neil mergulhou para dentro do seu próprio universo. Deu um tempo na banda, em certo momento da história do Rush, decidiu viajar pelos Estados Unidos, em sua moto, ao melhor estilo "easy rider".
Esse espírito solitário, "in", digamos assim, combina com sua forma de tocar. Não procura ser a estrela, não se perde em "malabarismos" desnecessários, cada toque em seu lugar, na mais perfeita ordem, o importante é o todo, a música, o som.
Não procura se sobrepor, nem a sua sonoridade, aos demais caras do Rush, pelo contrário. Em sua complexidade, o som de Neil é elemento central a música do Rush. Tocar e emocionar, são partes da sonoridade do Rush, e isso ele faz com maestria.
Obs: é possível configurar para legendas em português a entrevista abaixo de Neil.
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