Death Angel: O fim nos anos 90, desilusões com gravadoras e reunião

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Por Tiago Dantas da Rocha, Fonte: BlabberMouth, Tradução
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Rob Cavestany, guitarrista do DEATH ANGEL, afirmou que o acidente com o ônibus de turnê da banda em 1990 "acabou com a banda naquele momento." A colisão, que aconteceu enquanto o DEATH ANGEL estava na turnê de divulgação do álbum "Act III", o primeiro lançado por uma grande gravadora, a Geffen Records, feriu de forma mais grave o baterista na época Andy Galeon, o qual se machucou seriamente com um ferimento na cabeça e outros danos que exigiram cirurgias reconstrutivas. O DEATH ANGEL se separou pouco menos de 1 ano depois, com quatro dos membros originais, menos o vocalista Mark Osegueda, formando a banda THE ORGANIZATION.

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Numa entrevista recente com Sebastiano Mereu do site From Hero To Zero, Cavestany foi questionado sobre as diferenças entre ser um músico profissional nos dias de hoje em comparação quando o DEATH ANGEL iniciou na segunda metade dos anos 80. "Com certeza o jogo mudou de uma forma incrível", disse Rob. "Eu acho que lá no início, pelo menos na minha perspectiva e dos outros na banda, não tinha nada a ver com o lado empresarial. Não sabíamos de nada disso. Nem sequer estávamos prestando atenção nesse aspecto; tudo que queríamos fazer era tocar, se divertir e fazer parte. Participar de toda a ação e diversão envolvida quando assistíamos os shows e ouvíamos as músicas das bandas. Só queríamos fazer parte daquilo. Sabíamos que queríamos formar uma banda antes mesmo de aprender como tocar instrumentos. Aprendemos a tocar para poder formar uma banda juntos. Estávamos praticamente escrevendo canções antes mesmo de tentar tocar músicas dos outros porque a nossa ideia era tocar nossas próprias músicas e gravar nossos álbuns, do nosso jeito. Estávamos realmente empolgados com toda aquela agitação e o amor à música, como qualquer um estaria. Então, foi basicamente assim durante todo o início, praticamente nos nossos 3 primeiros álbuns, os 8 anos iniciais da banda. Além disso, nós eramos realmente jovens e ingênuos na época. Não sabíamos de nada e a única coisa que fazíamos era tentar nos divertir, um estado de espírito maravilhoso para se estar. Mas, é o tipo da coisa para a qual você nunca consegue regressar.

A carreira do DEATH ANGEL foi subindo consideravelmente no final dos anos 80 graças ao álbum de estréia de 1987 "The Ultra-Violence" e do sucessor de 1988 "Frolic Through The Park", ambos lançados pela gravadora Enigma. Mais jovens do que muitos dos colegas de outras bandas de thrash (os integrantes do DEATH ANGEL mal tinham chegado na casa dos 20 anos) a banda começou a chamar atenção de grandes gravadoras, muitas das quais estavam tirando bandas de selos menores e independentes na esperança de conseguir alcançar o sucesso das bandas mais famosas de thrash da época como o METALLICA e o MEGADETH.

"Enquanto o tempo ia passando e tudo ia ficando mais sério, a nossa banda foi ficando cada vez maior, assinamos um contrato com uma grande gravadora, a Geffen Records, nosso gerenciamento se tornou bem maior, empresários envolvidos e tudo mais... o lado empresarial estava se tornando bem evidente para nós," Rob afirmou. "Então, aquilo foi se tornando cada vez menos divertido porque estava tirando toda a diversão e inocência envolvida e aquela ideia do por quê estavamos tocando música, para sermos rebeldes e termos aquela mentalidade de ir contra todas as normas, padrões e autoridades, saca? Mas aí você é forçado a perceber a realidade envolvida nisso tudo também. E estávamos crescendo, tudo estava muito confuso. Naquela época tinhamos cerca de 20, 21 anos e após todos aqueles anos estávamos saindo em turnê, gravando em estúdio e fazendo nosso som, mas também estávamos sendo manipulados pelos empresários e pelas gravadoras sem percebermos o que de fato estava acontecendo. Quando finalmente a ficha caiu ficamos bastante desiludidos e nada satisfeitos com aquela situação. Todo esse lado empresarial da música nos deixou verdadeiramente enojados e isso acabou por começar a refletir na parte musical também porque é algo que caminha lado a lado."

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A gravadora Geffen indicou um produtor britânico renomado, Max Norman, para trabalhar no terceiro álbum da banda, "Act III", de 1990. Um registro mais maduro e melódico que seus predecessores, Act III foi lançado bem no final da explosão da cena do thrash metal, com o DEATH ANGEL - bem como muitas das bandas contemporâneas - sendo ofuscado pela cena grunge de Seatle que começava a emergir.

"A música estava evoluindo além dos anos 80 e caminhando para os 90, o estilo de música que tocávamos evoluiu, evoluiu e então desapareceu", Rob afirmou. "Naquele momento, graças a circustâncias que estavam além do nosso controle, a banda chegou a um fim abrupto. Estávamos em turnê, tivemos um acidente terrível com o ônibus. Por causa disso, estávamos praticamente ferrados. A banda acabou bem ali. Houve lesões muito sérias, nosso baterista na época, Andy, se machucou feio. Foi um choque para todos. Aquele foi o início do fim, naquele momento. Naquela altura, enquanto começávamos a nos reorganizar depois de tudo que estava acontecendo, não queríamos nos envolver em nada no momento, sem mencionar o fato que a Geffen nos expulsou do selo porque não substituímos Andy imediatamente por outro baterista para dar continuidade a turnê, o que analisando hoje, eu consigo entender o lado deles. Eles investiram muito na gente e queriam que continuássemos promovendo o álbum, mas não tínhamos condições de continuar com aquilo. Não iríamos substituir Andy e seguir assim desse jeito. Eramos muito próximos, inclusive no lado familiar e apenas dissemos: "Sem chance". Foi aí que percebemos o lado feio da indústria da música. Foi tipo, "Ah beleza, então é assim. BAM."

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Cavestany detalhou um pouco mais sobre o período no qual o DEATH ANGEL esteve inativo, mas alguns dos integrantes principais ainda continuaram tocando juntos, especialmente no THE ORGANIZATION, uma banda de rock/metal alternativo com pitadas de funk e hard rock, que em nada lembrava o thrash metal do DEATH ANGEL. Com o thrash num momento de pleno declínio comercial e desenganados com a indústria da música, Cavestany disse que o que ele queria era tocar música puramente por diversão e deixar pra lá toda essa questão de negócios.

"Houve um período de cerca de 11 anos até nos reunirmos novamente aonde acabamos por nos separar e tentamos esses projetos musicais diferentes com pessoas diferentes", ele disse. "As vezes alguns de nós juntos, em outras não, explorando outros estilos musicais e incorporando todas essas influências na nossa personalidade. Nessa época estávamos bastante amargurados e indiferentes a tocar metal ou thrash, o que eu vejo como algo positivo, porque naquele momento esse tipo de música não existia mais de fato. Foi estranho. Eu não entendia que rumo o metal estava seguindo. Não conseguia entender os diferentes estilos que estavam se fundindo. Então eu dei de ombros para tudo isso e comecei a ouvir e explorar outros tipos de sons, o que acabou sendo ótimo porque existe muita música boa por aí."

"Então, ao longo do tempo, fomos observando como estava a situação da indústria da música, e eu pessoalmente não tinha o menor interesse em fazer parte daquilo. Eu não estava realmente tentando seguir uma carreira musical de forma tão agressiva como o DEATH ANGEL costumava agir em outra época. O que eu queria era tentar capturar novamente aquela época na qual eu curtia música, tocar em shows locais e curtir com meus amigos. Por causa disso, não estávamos indo a lugar algum. A mesma coisa acontece com a banda, que também não crescia porque não estávamos trabalhando o aspecto empresarial. Eu também não me importava com nada disso naquela época. Esse tempo acabou sendo uma boa oportunidade para escapar de tudo isso e redescobrir a música."

O DEATH ANGEL iria se reunir em 2001 fazendo parte do "Thrash Of The Titans", um show beneficente com o intuito de levantar fundos para ajudar no tratamento de câncer de Chuck Billy, vocalista do TESTAMENT, e Chuck Schuldiner, líder do DEATH. A resposta do público foi tão surpreendente que acabou levando o DEATH ANGEL a se reunir de forma definitiva.

"Naquele momento, mais uma vez, nós estávamos tentando seguir aquela abordagem inocente em não tentar levar nada adiante", afirmou Rob. "Estávamos tocando juntos; mas não planejávamos que iríamos durar muito. Pensamos em nos reunir para alguns shows, talvez uma turnê de reunião e só isso mesmo. Aos poucos começamos a escrever algumas músicas, de forma bem natural, então chegou a Nuclear Blast e começaram a dar algumas ideias, 'Vamos lá. Voltem a vida e criem música novamente'. Aos poucos, fomos simpatizando com a ideia de voltar com tudo. Então, assinamos com a Nuclear Blast e assim começou essa era da banda, ou pelo menos a próxima era da banda."

O último álbum de estúdio do DEATH ANGEL, "The Evil Divide", foi lançado em maio de 2016 pela Nuclear Blast. O CD foi gravado nos estúdios da AudioHammer em Sanford, Flórida com o produtor Jason Suecof, que também trabalhou nos álbuns anteriores, "Relentless Retribution" de 2010 e "The Dream Calls For Blood" de 2013.




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