Iron Maiden: por que os músicos são colocados em um pedestal?
Por Igor Miranda
Fonte: IgorMiranda.com.br
Postado em 08 de fevereiro de 2018
O Iron Maiden é idolatrado no Brasil. Aliás, as pessoas amam a banda em diversas partes do mundo, mas a devoção dos fãs brasileiros é peculiar.
E não é para menos. Dentro do metal, o Iron Maiden tem uma das discografias mais impecáveis e uma das carreiras mais consistentes. O público olha para o Maiden e enxerga uma banda, que, mesmo com tantos integrantes e um "chefe" - Steve Harris, baixista - que comanda tudo aquilo, parece estar em sintonia. É como a empresa perfeita para se trabalhar.
Além de demonstrarem domínio criativo e técnico dentro da música, os integrantes parecem ter, muitas vezes, perspicácia para assuntos fora da música, como o multi-funcional vocalista Bruce Dickinson, que também é escritor, piloto, historiador, mestre cervejeiro e o que mais seu currículo permitir. Ler ou ouvir afirmações de Dickinson é sempre algo recomendável.
No entanto, ninguém é perfeito. E o sexteto mais conhecido do metal, às vezes, também derrapa. Seja em sua carreira ou em declarações e atitudes que parecem ser isoladas, mas não são.
As demonstrações mais recentes de imperfeição por parte do Iron Maiden têm acontecido, especialmente, no que diz respeito a direitos autorais. E não falo só de música: comento, também, sobre decisões comerciais que vão além do que é arte para os ouvidos.
O sinal de "alerta" foi acendido, em minha opinião, quando o Iron Maiden optou por retirar "Hallowed Be Thy Name" do repertório dos shows após uma ação judicial, que se tornou pública em maio de 2017. O compositor Brian Quinn alega que a música contém um trecho de letra copiado de "Life's Shadow", do Beckett. E tem mesmo: basta conferir as duas composições para tirar a prova.
Retirar "Hallowed Be Thy Name" pode ter sido um ato de cautela, entretanto, também aparenta ser, para muitos, uma atitude gananciosa - ou medrosa. Muitas pessoas foram a shows do Iron Maiden após essa decisão e, provavelmente, lamentaram a ausência de um dos grandes clássicos da banda.
Mais recentemente, em 2018, Bruce Dickinson pontuou críticas ao download de música em recente entrevista. "Mesmo o download estando na mídia hoje, o Napster destruiu o conceito da música ter algum valor, o que é terrível. Acho que o cara (que criou o Napster) deveria estar preso, e talvez ele esteja, ele merece, foi uma atitude de puro egoísmo destrutivo", afirmou Dickinson.
"Para uma banda como nós, que na verdade continuamos gravando discos, mas aceitamos o fato que não fazemos mais dinheiro com isto, apenas fazemos por gostar de gravar e produzir coisas novas. Mas ganhamos muito dinheiro com turnês. Outras bandas que fazem grandes canções não tem este luxo, e é complicado ver uma imensa nova geração de grandes músicos não ser remunerados pelo seu trabalho fantástico", completou.
No cerne da questão, Bruce Dickinson está correto. Lars Ulrich, baterista do Metallica que liderou uma ação contra o Napster, também. E por que Ulrich é tão criticado e Dickinson, não? A leitura e a eloquência são diferentes - embora o pensamento de Dickinson seja simplista demais -, mas a proposta é a mesma.
Além disso, o problema não está no Napster - que foi, sim, revolucionário e iniciou, sim, uma nova forma de se ouvir música - , nem no download digital em si. O problema é (e sempre foi) o oligopólio na área.
Poucas companhias detém os direitos e as ferramentas de divulgação musical. O público deixou de comprar discos produzidos por grandes gravadoras para consumir canções no Spotify, Deezer e afins, cujos faturamentos vão para as corporações em vez dos artistas. É por isso que peixes grandes como Taylor Swift relutaram em entregar seus catálogos para o streaming.
Dias depois, divulgou-se que o Iron Maiden estava processando quem vendesse produtos de sua marca sem licença. Mais uma vez, uma atitude correta. Tente imaginar, no entanto, se outros grandes artistas - até mesmo fora do rock - tomassem tal decisão. As críticas seriam, sem dúvidas, bem mais pesadas.
A empatia em torno do Iron Maiden faz com que muitos fãs se esqueçam que seus integrantes, empresários e afins não são perfeitos. Tal visão compromete até mesmo a crítica a alguns discos da banda, que, assim como alguns pensamentos de seus músicos, também deixam a desejar em alguns momentos.
O mesmo senso crítico que existe para se abordar Metallica, Megadeth, Black Sabbath, Judas Priest - por vezes, também "protegido" demais por parte do público e da imprensa especializada - e outros grandes nomes do metal também deve existir com o Maiden. É bom lembrar, mais uma vez, que ninguém é perfeito. São músicos, não heróis.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



U2 anuncia quarto e último show no Brasil da Tour The Greatest Show On Earth 2027
Regis Tadeu aponta problema no show do Iron Maiden e explica atitude do atual baterista
Regis Tadeu aponta o grande erro que Tony Iommi cometeu em seu novo álbum solo
Jorn Lande explica por que prefere Black Sabbath com Dio
Ex-guitarrista do Scorpions, Uli Jon Roth se apresentará em São Paulo em janeiro
A faixa de "Reign in Blood" que Tom Araya não é muito fã
Ida de John Bush para o Anthrax foi como uma "bomba atômica", diz guitarrista do Armored Saint
Nicko McBrain critica voz atual de Axl Rose e revela tentativa frustrada de reconciliação
Lita Ford lança "Dracula", sua primeira música inédita desde 2012
Pete Townshend (The Who) admite que só foi gostar de Led Zeppelin recentemente
O sucesso de 1977 que Paul McCartney reconheceu como praticamente cópia de uma música dos Beatles
Metallica divulga performance ao vivo de "Fade to Black"
Cinco músicas que mostram o lado mais sombrio e arrastado de Ronnie James Dio
A música do Led que parece fantasia, mas nasceu de uma bronca de Robert Plant com a polícia
Sete músicas inesperadas em álbuns de metal que deram muito certo, segundo a Ultimate Guitar

A pergunta estranha que Clive Burr teria feito a Nicko McBrain
Nicko McBrain reconhece que Iron Maiden foi injusto com Blaze Bayley
A banda de metal que Gene Simmons dizia que iria tomar o lugar do Kiss
A banda influenciada pelo Iron Maiden que Bruce Dickinson elegeu como sua favorita
Move Concerts pede que fãs do Iron Maiden não levem sinalizadores aos shows
Acender sinalizadores em shows é uma tremenda besteira
"Accident of Birth", de Bruce Dickinson, é lançado em versão remixada
Rod Smallwood desconversa ao ser perguntado sobre planos futuros do Iron Maiden
A curiosa trajetória de Wagner "Antichrist" Lamounier um dos fundadores da lendária Sarcófago
AC/DC: os últimos dias do vocalista Bon Scott


