Áudio: Acústica em salas de estúdios pequenos
Por Marcelo Costa
Postado em 27 de janeiro de 2018
De alguns anos para cá, cada vez mais músicos e produtores musicais, amadores e profissionais, tem optado por construir pequenos estúdios ou até mesmo fazer em suas próprias casas seus home studios. O uso é variado, para estudo, para dar aulas, para fazer pré-produções,para produzir material de divulgação de algum artista ou até mesmo um album, portanto chega-se a um nível alto de exigência do trabalho final em algumas ocasiões.
Uma das coisas que tornaram os home studios viáveis foi a gravação digital no computador utilizando uma DAW e alguns plugins para edição do áudio. É necessário apenas uma interface de áudio e um par de monitores de áudio para começar, dessa forma o custo para montar um home studio é muito menor do que um estúdio profissional de médio ou grande porte repleto de equipamentos analógicos.
A busca por um resultado melhor no trabalho desenvolvido é constante para a maioria dessas pessoas e assim passam adquirir outros plugins e equipamentos analógicos e mesmo assim muitos ainda se frustram com o resultado. É aí que podem cometer um grande erro.
Um estúdio profissional de alta qualidade não tem apenas equipamentos, eles têm duas coisas fundamentais, uma monitoração boa e salas boas. Claro que a capacitação do profissional que irá trabalhar nesse estúdio é o principal, sem ele nada irá funcionar, mas esse não é o tema do artigo.
Toda gravação, mixagem e masterização é feita com base no que o profissional do áudio ouve e dessa forma ele busca os ajustes nos equipamentos para que aquele trabalho soe da melhor forma possível. Com uma monitoração ruim e uma sala não tratada acusticamente ele irá ouvir um som enganoso e isso contaminará os ajustes nos seus equipamentos e consequentemente no resultado final do trabalho.
Por som enganoso, quero dizer um som que reverbera demais na sala, frequências que são reforçadas ou atenuadas. Para que isso não ocorra, além do monitor de áudio ter que ser de qualidade, uma dica é buscar os monitores já consagrados nos estúdios maiores, a sala precisa ser de tamanho e formato adequados, além de ter um tratamento acústico calculado para que se obtenha um tempo de reverberação e uma reposta de frequência adequados ao uso e tamanho da sala.
Segundo norma estrangeira, a recomendação para uma sala de controle é de pelo menos 30m, já as salas de gravação podem ser de vários tamanhos, pequenas de 5 a 10 m² até salas bem grandes com mais de 100m², varia conforme os instrumentos que serão gravados. Salas mais secas, pouco reverberantes podem ser pequenas, salas mais vivas, mais reflexivas necessitam de maior área e maior altura. O tratamento acústico correto varia de sala para sala.
Para a realidade de home studios e estúdios de pequeno porte, esses tamanhos de sala podem ser fora da realidade, mas de qualquer forma, um tratamento acústico bem projetado pode vir a melhorar bastante a resposta dela com soluções razoavelmente simples. Apesar do resultado ficar um pouco distante de uma sala totalmente adequada ao uso, existem formas de melhorar salas pequenas.
Não cometam outro erro muito comum, encher a sala de espuma acústica.
Espumas acústicas tem seu uso sim, porém absorvem frequências agudas ou médias no máximo, conforme cada modelo. A sala acaba ficando morta e os graves continuam sobrando, sendo que o maior problema de salas pequenas são os graves. A acústica é relativamente complexa, cálculos precisam ser feitos para que os materiais sejam especificados adequadamente, cada sala é diferente da outra, não existe uma receita pronta de como projetar um tratamento acústico.
Lembre-se, monitoração e acústica são fundamentais para quem busca uma melhoria nos resultados de gravação e edição de áudio, o resto pode vir depois.
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