Farofa?: 7 bandas estigmatizadas pelo rótulo de "hard farofa"

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Por Igor Miranda
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Especialmente para fãs de rock e metal, separar bandas em subgêneros pode facilitar no momento de buscar grupos com sonoridade semelhante às de seus favoritos. E, cá entre nós, não dá para colocar Sonata Arctica e Arch Enemy em uma mesma “prateleira” – embora, obviamente, seja possível gostar de ambos.

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No entanto, o conceito de se adequar determinadas bandas a subgêneros pode trazer algumas consequências negativas. Foi o caso das 7 bandas listadas abaixo, que poderiam ser melhor compreendidas e até abrangerem mais fãs se fossem classificadas corretamente entre tantos rótulos.

Todos os nomes abaixo foram julgados, de forma injusta, como bandas de “hard farofa”, glam metal, hair metal e por aí vai. Ainda que alguns grupos listados tenham “sofrido” menos com isto, há de se destacar o estigma que envolve cada membro deste top 7.

Antes de apresentar os escolhidos e os argumentos, destaco que não há problema algum em uma banda ser adepta ao hair metal. Só que, assim como Sonata Arctica e Arch Enemy não estão na mesma “prateleira”, não se deve fazer o mesmo com Twisted Sister e Poison, por exemplo.

Confira, a seguir, 7 bandas estigmatizadas pelo rótulo de “hard farofa”:

Scorpions

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O pai dos grupos estigmatizados, não só dentro do chamado “hard oitentista”, mas no rock em geral.

O Scorpions é, para mim, uma das bandas mais abrangentes dentro do hard rock – e não só o segmento oitentista, mas no estilo como um todo. Fãs mais radicais de metal têm um preconceito besta com um dos grupos que, indiretamente, ajudou a arquitetar o estilo que tanto amam.

Para compreender isto, basta dar o play em discos como “In Trance” (1975), “Virgin Killer” (1976) e “Taken by Force” (1977), além do ultra-clássico “Tokyo Tapes” (1978). O que o grupo alemão fez, em especial ao lado de Uli Jon Roth, transcendeu quaisquer barreiras de gênero musical.

Ainda que contestáveis, alguns álbuns lançados após “Crazy World” (1990) mostraram, ainda, uma veia experimental do Scorpions. E, a partir de “Unbreakable” (2004), o grupo passou a apostar em uma mescla de tudo que havia sido feito até então: o melódico dos anos 1980 aliou-se ao rock mais visceral feito na década de 1970 e ganhou pitadas de contemporaneidade.

É verdade que, paulatinamente, o Scorpions fez com que seu som ficasse mais melódico e, talvez, mais comercial ao longo da década de 1980. Entretanto, um período que abrangeu cerca de uma década na carreira de um grupo com mais de 45 anos de estrada é o suficiente para estigmatizá-lo? Não creio que seja este o pensamento correto.

Y&T

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Não foi, exatamente, o estigma que impediu um possível estouro comercial do Y&T. A banda californiana não soube se impor dentro de seu próprio cenário e permitiu que o Van Halen fosse o único grupo local a explodir no fim da década de 1970.

Ainda assim, é um desperdício pensar que o Y&T foi relegado ao hair metal – e a um posto secundário, de banda “lado B”. O som praticado pelo grupo vai muito além de “hard farofa” presente em discos mais comerciais, como “In Rock We Trust” (1984) e “Down For The Count” (1985). No geral, o Y&T soa muito mais britânico do que americano – e este é o seu charme.

Entre as bandas de hard rock surgidas no fim dos anos 1970, diria que o Y&T é dona de uma das discografias mais regulares. O grupo nunca esteve entre meus favoritos, mas seus trabalhos são, no geral, irretocáveis.

Quiet Riot

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O Quiet Riot teve mais ligações com o glam rock e com o heavy metal do que com a fusão dos dois – o famigerado glam metal. E isto é tão claro em boa parte dos discos que seria leviano limitar a banda do falecido Kevin DuBrow ao “hard farofa”.

Os dois primeiros discos do Quiet Riot lidam, diretamente, com o glam rock popularizado por grupos como Slade, T. Rex, Mott The Hoople e afins. No ótimo “Metal Health”, há uma orientação mais metálica, ainda que as características setentistas tenham sido preservadas.

Os únicos três discos que dialogam com algo semelhante ao hair metal são os três seguintes: o pouco inspirado “Condition Critical” (1984), o quase AOR “QR III” (1986) e o pasteurizado “QR” (1988). Depois disso, o Quiet Riot não flertou mais com o subgênero.

Twisted Sister

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Com um visual tão chamativo, é difícil não misturar o Twisted Sister às bandas de hair metal. Entretanto, as próprias raízes do grupo, fincadas na segunda metade da década de 1970.

Nos discos pré-“Stay Hungry” (1984), é possível ver que o Twisted Sister alia um pouco de dois mundos: momentos de influência glam rock ao estilo de Mott The Hoople e Alice Cooper se misturam a um “quê” de heavy metal, com base em trabalhos de Black Sabbath e Judas Priest.

No próprio “Stay Hungry” e no subsequente “Come Out And Play”, as duas influências se dissociaram. As músicas mais metal mostravam isto de forma mais objetiva, enquanto os hits bebiam diretamente do glam rock – e nada além. “Love Is For Suckers”, que seria um disco solo de Dee Snider, é o único de pegada um pouco mais comercial, ainda que tenha quase nada de hair metal.

Great White

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O visual do Great White, por vezes, lembrava o de uma banda de hair metal. A sonoridade, no entanto, entrega que o grupo esteve distante de tais raízes.

Ao longo de sua trajetória, o grupo de Los Angeles apostou em uma pegada mais setentista, ainda que existissem algumas músicas mais comerciais. A voz de Jack Russell e o timbre vintage de guitarra de Mark Kendall mostram que a veia dos envolvidos pulsava mais forte por grupos como o Led Zeppelin.

Tesla

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Um dos maiores erros possíveis é associar o Tesla ao hair metal. A banda jamais teria essa ligação com o subgênero em questão se tivesse nascido em outra época que não fosse a década de 1980 – e, talvez, nem o mesmo sucesso.

O som do Tesla, quase uniforme ao longo de sua discografia, é um hard rock de pegada mais setentista e, por vezes, bluesy. As letras, de temáticas um pouco mais inteligentes, lembravam pouco as de seus “colegas”. O visual mais sóbrio – exceto pelos mullets – também estava distante do hair metal.

Até mesmo o comportamento diante de aparições públicas era diferente. O quinteto adotou, desde sempre, uma postura mais discreta. O único que, talvez, tenha associado sua imagem a polêmicas tenha sido o guitarrista Tommy Skeoch, que saiu duas vezes da banda devido a problemas com drogas.

Zebra

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Talvez a banda menos conhecida da lista, o Zebra só tinha um visual mais atualizado. O restante não tinha nada de hair metal, nem mesmo de oitentista.

Os três primeiros discos do Zebra caminham não só pelo hard rock setentista, mas, também, por uma peculiar veia progressiva. É comum lembrar-se dos momentos mais experimentais do Led Zeppelin ou do Rush enquanto se ouve alguns dos trabalhos do trio.

Na tracklist de seus discos, o Zebra aliava faixas mais curtas a canções consideradas mais longas, de cinco a sete minutos de duração. E até os momentos mais comerciais, como o semi-hit “Tell Me What You Want”, eram arranjados de uma forma distinta.

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Post de 05 de maio de 2017

Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

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