Syd Barrett: O Pink Floyd não poderia ter começado sem ele
Por André Floyd
Fonte: Confraria Floydstock
Postado em 30 de agosto de 2015
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Em 7 de Julho de 2006, o criador do Pink Floyd morria na sua casa em Cambridge, vítima das complicações do diabetes e pancreatite, aos 60 anos. Morava só, mas sob cuidados constantes de sua inseparável irmã Rosemary, que já o assistia há 15 anos, desde a morte da mãe Winifred em 1991.
"Havia um rei que governou a terra
Sua Majestade estava no comando
Com olhos prateados a águia escarlate
Banhou de prata as pessoas
Oh, Mãe, me conte mais
Por que você tinha que me deixar lá
Suspenso no meu ar infantil
Esperando
Você só tem que ler as linhas
Elas estão rabiscadas em preto e tudo brilha
Atravessando a maré com sapatos de madeira
Com sinos para contar ao rei as novidades
Mil cavaleiros místicos planam
Mais alto do que há algum tempo
Imaginando e sonhando
As palavras têm diferentes significados
Sim, elas tinham
Por todo o tempo gasto naquela sala
As casas de bonecas escuras, velho perfume
E os contos de fadas me seguraram acima das nuvens
Da luz do sol flutuando
Oh, Mãe, me conte mais
Conte-me mais
Ah
Ah
Ah"
"Matilda Mother" (Syd Barrett, IN Pink Floyd - "The Piper At Gates Of Dawn", 1967, By EMI).
Syd Barrett deu nome, criou o conceito, o estilo e colocou o Pink Floyd no status das grandes bandas surgidas na década de 60, merecendo aplausos e bastantes atenção dos Beatles, Paul e Ringo sobretudo, que iam assistir as gravações do álbum de estréia do Pink Floyd, que contém a música que iniciou esse texto.
O disco era contemporâneo ao icônico "Sgt. Pepers Lonely Hearts Club Band", tendo sido lançado dois meses mais tarde e não menos psicodélico, muito pelo contrário.
Já nos singles desde 1965, com "Arnold Layne" e "See Emily Play", que estouraram na parada britânica, Barrett mostrava um estilo novo e próprio, cristalizando de uma vez por todas a psicodelia na música britânica, tratando temas com leveza ímpar.
Exemplo disso está na letra da música "Matilda Mother", supracitada, deixando entrever a infância doce e feliz no seio de sua mãe que lhe contava histórias para dormir, bem diferente do colega de escola e de Pink Floyd, Roger Waters, que fora criado por mãe rígida e superprotetora.
David Bowie, à época da morte de Barrett, declarou toda sua idolatria pelo gênio de Cambridge, atribuindo a ele o despertar de seu gosto pela arte. Para Bowie, Barrett trazia consigo um Peter Pan eterno, um grande poeta fora de seu tempo, perdido no século XX.
Syd Barrett era o britânico atípico, longe da rigidez e cisudez do inglês, ele se apresentava a alguém pela primeira vez com sorriso radiante, corpo solto e dizendo feliz: "Hi I'am Syd", coisa nada comum entre os bretões.
Como em toda sua arte, Barrett era um guitarrista dotado de imenso prazer em ousar e experimentar, gostava por exemplo de deixar ímãs caírem no braço do instrumento para gerar uma singular distorção.
Syd era isso, pouco lhe importava o duo "fortune-fame", ele tinha a arte inerente e queria expô-la na medida em que fosse surgindo, e mais para frente já queria mostrar algo além de música, suas pinturas e assim por diante.
Só que o mercado fonográfico e o showbiz não funcionam assim, comprimem a criatividade do artista, os tornando um macaco de auditório. Barrett não estava pronto para lidar com isso, nem tinha interesse em se moldar para isso é muito menos a essa altura o suporte egóico e maternal para tal.
Como resultado, o lisergismo da época o consumiu. LSD, Mandrax foram fritando sua mente, culminando na esquizofrenia tóxica que o levou ao isolamento e "demissão" do Pink Floyd sendo afastado em janeiro e oficialmente desligado em abril de 1968.
Muitos fãs de Pink Floyd pouco olham para o criador, logicamente o Pink Floyd setentista se agigantou, nesta fase fizeram os álbuns milionários e de espetacular qualidade, sobretudo o álbum dos álbuns "The Dark Side Of The Moon", que os levou ao topo.
Mas lá estava Barrett, na tentativa de transcenderem a sua origem, mesmo assim ali estava ele em essência nas canções "Any Colour You Like" e "Brain Damage", mais uma vez reaparecendo literalmente em todo o seguinte álbum "Wish You Were Here" e tendo inspirado a loucura vista no personagem Pink, da ópera-rock do grupo, "The Wall".
Roger Waters disse: o Pink Floyd não poderia ter começado sem ele, mas não poderia continuar com ele".
De fato, ele não tinha condições de seguir com o grupo, nem mesmo "A La Brian Wilson", ficando um tempo ajudando somente nas composições, e nem tinha tal interesse, mas afirmo aqui, que sem Barrett e sem o sucesso e respeito que "The Piper At Gates Of Dawn" conquistou, o Pink Floyd não teria sequer chegado aos anos 70, e se tivessem lançado somente este álbum, ainda assim seriam lembrados no mundo cult.
Barrett não fez parte do famoso "Clube dos 27", de Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse que deixaram a vida aos 27 anos de idade, embora simbolicamente Syd poderia ser incluído neste contexto por ter "morrido" como artista em 1973, aos 27, ano em que cedia sua última entrevista e encerrou as atividades públicas, ficando a partir daí, recluso, aos cuidados da mãe e posteriormente da irmã, se tornando uma lenda.
Ouçam o criador na playlist "SydBarrett - A Obra do Criador", no link abaixo.
http://open.spotify.com/user/12142308142/playlist/1zYjJzMl7iuQ7NenNXIMcM
Porque música é assunto para a vida toda!
Confraria Floydstock.
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