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Bobbie Brown: a vida mundana e devassa da musa mor do hard rock

Por Nacho Belgrande
Fonte: Playa Del Nacho
Postado em 15 de novembro de 2013

A desbocada beldade do Sul dos EUA BOBBIE BROWN tinha 22 anos quando ganhou a atenção do grande público em 1990 como estrela do sensual vídeo do WARRANT, "Cherry Pie". Um ano depois, ela casou-se com o vocalista da banda, JANI LANE, com quem ela teve uma filha. Depois de eles se separarem, Brown saiu com um catálogo de homens famosos, incluindo TOMMY LEE, LEONARDO DICAPRIO e DAVE NAVARRO. Hoje em dia ela é uma das protagonistas do reality show "Ex-Wives of Rock" e seu livro de memórias "Dirty Rocker Boys" será lançado no dia 26 de novembro. Ela forneceu um trecho de seu livro ao jornal NEW YORK POST para divulgação, e esse é o texto que pode ser lido traduzido para o português abaixo.

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[...]

Eu vesti um bustiê vermelho e um shortinho jeans minúsculo no camarim de um estúdio em Los Angeles. Eu rebusco minhas madeixas loiras e empino os lábios para que a maquiadora dê o toque final uma camada de batom vermelho-cereja.

É 1990, e eu estou aqui para gravar outro clipe. Eu tenho feito alguns ultimamente, mas, para esse, eu fui solicitada pessoalmente pelo vocalista da banda, Jani Lane, do Warrant.

Minha agência disse que Jani me vira competindo na categoria de modelo no [programa] ’Star Search’ e insistira que eu fosse a garota do vídeo dele. Lisonjeiro, creio eu, mas eu tenho um namorado [MATTHEW NELSON, da banda NELSON], então é somente mais um trabalho pra mim.

"Você está gostosa pra caralho", disse Jani, trajando uma calça jeans justa e rasgada e uma juba loira, quando eu entrei no set.

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Eu sorri pra ele, e daí me coloquei em frente da máquina de vento, das câmeras e da equipe. Eu sinto o calor dos refletores sobre mim, e tem um rádio tocando ao fundo. "She’s my cherry pie, cool drink of water, such a sweet surprise, tastes so good, make a grown man cry." Todos os olhos no recinto estão voltados para mim, e eu adoro.

Eu passei de garota irrequieta de Baton Rouge, Louisiana, fazendo enchimento no sutiã com as meias da mãe, suspirando por pôsteres de astros do rock pregados por toda a parede do meu quarto, para uma mulher adulta de 22 anos fazendo o pescoço desses mesmos astros do rock entortar.

Eu moro em Los Angeles desde que eu tinha 18 anos de idade, gandaiando em Sunset Strip, ao lado de celebridades e construindo um nome pra mim mesma, competindo no ‘Star Search’ por quase um ano. Eu nunca fui de estabelecer metas ou pensar de fato no futuro, então quando a fama causada pelo sucesso do vídeo do Warrant para "Cherry Pie" veio – eu nunca teria imaginado o que estava me aguardando. Era só o começo de uma dança de uma década com astros do rock, farra e drogas.

Quando eu vi o vídeo pela primeira vez, deitada na cama com meu namorado, Matthew, eu sabia que era diferente dos outros. Eu achei que seria valorizada em uma ou duas tomadas, mas eu aparecia na tela no mesmo tanto que, se não mais, do que a banda. Eu de patins rumo à câmera, eu sendo molhada com água, eu na cama com Jani. Matthew ficou puto. E as coisas pioraram alguns dias depois do vídeo ser lançado quando Jani foi ao programa de Howard Stern para dizer ao mundo inteiro: "Eu vou me casar com Bobbie Brown um dia."

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Matthew ficou cada vez mais enciumado – não só de Jani, mas do sucesso do meu vídeo. A música dele não estava arrebatando muita atenção, e lá estava eu, sendo reconhecida onde quer que andássemos pela rua.

As pessoas diziam o tempo todo, "Hey, é a mina do ‘Cherry Pie’!". Era estranho e um pouco bobo. Crescendo no Sul, minha mãe me ensinara a ser humilde.

Eventualmente, Matthew e eu nos separamos – eu disse a ele que o irmão gêmeo e colega de banda dele, Gunnar, estava me cantando, e ele ficou do lado do irmão. Pra dar nos nervos dele, eu fiz o que eu sabia que o deixaria irado: eu liguei pra Jani.

Dias depois, Jani pagou minha passagem de avião para um show no meu estado natal para nosso primeiro encontro. E não demorou muito até que nos tornássemos um casal. O Sr. Cherry Pie pegou a Sra. Cherry Pie dele – era o par perfeito das hair bands.

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Quatro meses depois, eu estava grávida. Eu era muito jovem, e estava com medo. As coisas estavam indo bem com Jani, mas eu estava tentando pensar em toda e qualquer razão para não casar com ele. Mas a gravidez pareceu um sinal de Deus – e no dia 15 de julho de 1991, nos casamos.

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Ficamos casados por cerca de três anos. Eu amava Jani, mas ele bebia demais e era maldoso quando bebia. Quando descobri que ele estava me traindo, eu não consegui perdoar. E o deixei.

Eu cheirava cocaína fazia anos, mas meu vício ainda piorou depois que nos separamos. Em um fim de semana, eu deixei minha filha com minha mãe e fui de avião para Miami para um trabalho como modelo e enfiei o pé na jaca. Tommy Lee, o baterista do Mötley Crüe e objeto de meus afetos adolescentes, estava lá também. Ele estava com uma amiga minha.

Nós três fomos ao [casa noturna] Velvet em nossa última noite na cidade antes de minha mãe trazer minha filha, Taylar, para uma visita. Depois de eu ter cheirado o último tanto de pó que eu tinha, eu estava emocionalmente em frangalhos. Eu terminei a noite enfiada no banheiro chorando por ser a mãe terrível que eu era.

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No dia seguinte, minha mãe me convenceu a entrar na reabilitação.

Quando eu voltei para Los Angeles, eu comecei a receber ligações de Tommy. Ele e minha amiga haviam rompido e de repente, ele estava interessado em mim. Ele deixava recados na secretária eletrônica gritando "Você é gostosa pra caralho!"

E não eram só ligações. Havia flores. Muitas flores. Dúzias de buquês de orquídeas porque elas tinham o cheiro mais acentuado. Minha casa cheirava e parecia uma estufa.

Eu era muito atraída por Tommy – desde que eu era adolescente. Mas eu estava muito assustada, Eu tinha ouvido histórias sobre ele, e pensei comigo mesma, "eu não sei se consigo acompanhar esse louco!"

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Eu comecei a andar com ele, mas levou meses até que eu o deixasse sequer me beijar. Mas depois daquele primeiro beijo, tava valendo.

O sexo com ele era demais. E os rumores sobre ele são verdade.

"Meu deus, é como o braço de um bebê!", pensei da primeira vez que o vi pelado.

Daquela noite em diante, eu sabia que estava apaixonada por ele.

Eu vi lampejos de sua raiva no começo, mas eu não me importava. Eu tinha muito tesão por ele – fazíamos sexo pelo menos três vezes por dia.

Minha filha e eu nos mudamos para a mansão de Tommy em Malibu. O aluguel era de oito mil dólares por mês, tínhamos quatro carros e Tommy me paparicava com loucuras, como calças de couro de 10 mil dólares.

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Aos seis meses de namoro, no verão de 1994, Tommy quis levar o relacionamento a outro patamar.

"Quero me casar com você, Bobbie", disse ele durante um jantar no Four Seasons. Com lágrimas nos olhos, eu disse, "Sim".

O anel de noivado de quatro quilates mal tinha coberto meu dedo quando Pamela Anderson entrou na jogada.

Meu novo noivo e eu estávamos um dia no Bar One na Sunset Strip quando Pamela nos abordou. Claro que eu sabia quem ela era, porque as pessoas viviam nos confundindo – duas gostosas de plantão peitudas. Mas naquela noite, a minha sósia tinha um plano.

"Tommy, eu tava morrendo de vontade de te conhecer!", mandou ela. Lembrando agora, ela com certeza tinha um plano. Mas naquela época, não dei muita bola.

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Nosso noivado encantado não durou muito. Tommy tinha tanto ciúme que eu não podia sair com meus amigos sem ele junto, e ele tinha um sistema de registro de todas as ligações para a casa, então ele ficava sabendo com quem eu estava conversando.

Daí, a raiva dele virou violência. Uma noite, chegamos em casa de uma festa, e eu provoquei Tommy mencionando trazer um amigo dele com a gente pra casa naquela noite.

Enquanto minha filha de dois anos de idade olhava, Tommy me sufocou pelo pescoço. Ele me segurou pela garganta contra uma parede.

Eu cresci em um lar violento e tinha prometido que não deixaria minha filha crescer daquele modo. Eu estava loucamente apaixonada por Tommy, mas eu sabia que tinha que ir embora.

Eu me mudei da casa dele para um apartamento em Studio City.

Eu recebi uma ligação de Tommy quatro dias depois.

"Estou em Cancun com Pamela Anderson. Temos acessórios eróticos. Eu vou comer ela com vontade", ele disse na minha secretária eletrônica.

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Eu sabia que ele estava apenas tentando me magoar, mas eu sabia que ele casaria com ela uns dias depois? De jeito nenhum.

Minha amiga estava lá com eles e telefonou me dando um relato completo do casamento. Quando eu fiquei sabendo que eles tinham oficializado a coisa, eu me sentei no vaso sanitário e chorei.

Fui eu quem largou Tommy, mas de algum modo, não parecia ser o fim para nós.

Depois que a notícia de que Pam e Tommy haviam se casado se espalhou, eu comecei a receber mais propostas de emprego. Eu recebi ligações da Playboy, pra qual Pam já havia posado, assim como de "S.O.S. Malibu", o programa de TV no qual ela trabalhava. Todo mundo achou que drama implicaria em mais vendas e audiência, eu acho.

Por mim tudo bem – posso muito bem ganhar um troco com meu sofrimento. Mas a Pam não engolia aquilo. Ela disse a Hugh Hefner e aos produtores dela que era ela ou eu. Eles a escolheram.

As coisas foram de mal a pior. Meu vício em drogas saiu do controle. Eu tinha passado para meta-anfetamina para manter meu peso baixo. E com um casamento e um noivado estourados na minha cara – eu caía na gandaia para me sentir melhor.

Uma noite, no Grand Ville, eu me encontrei com Leonardo DiCaprio, um ator de 21 anos com cara de bebê que tinha acabado de fazer sucesso com o filme "Diário de um Adolescente". Eu o conhecia das baladas, ele sempre chegava em mim dizendo, "você vai ser minha namorada um dia". Mas eu estava com Tommy, e ele era jovem demais para mim. Eu era cinco anos mais velha que ele.

Mas depois do rompimento, eu estava dando pra qualquer um só de raiva.

Fomos pra casa dele naquela noite. Leo tinha grampos prendendo seu cabelo loiro e sujo. Ele colocou uma música pra tocar e começou a cantar "Waterfalls" do TLC, pra mim. Foi estranho – eu não gostava nada daquilo.

Mas quando eu abaixei as calças dele, eu pensei, "Puta que o pariu". Eu tinha acabado de estar com Tommy Lee, mas Leo parecia enorme. Depois daquilo, ele colocou uma camisinha enquanto eu o chupava e daí fizemos sexo. Mas a coisa toda foi meio estranha, e não saímos muito depois disso.

Depois de outra noite de loucuras na balada, eu fui para a casa de Kevin Costner e estava tão acesa que eu joguei um cigarro acesso no quarto dele e quase botei fogo na casa. Mas nunca fizemos sexo.

O próximo cara por quem me afeiçoei fora Mark McGrath, vocalista do Sugar Ray. Eu adorava Mark. E ele era tão engraçado, ele poderia ter sido comediante. Ele foi a única pessoa que conseguiu me fazer rir e me divertir depois de meu rompimento com Tommy.

Mas tinha uma pegadinha.

Estávamos saindo fazia alguns meses quando fomos à festa de aniversário de Leo juntos [ironicamente]. Vem uma garota e diz, "Oi Bobbie, eu sou a namorada de Mark". Eu fiquei no chão. Essa mulher claramente sabia sobre Mark e eu, mas eu não tinha ideia de quem ela fosse.

As coisas com Mark eventualmente se dissiparam, e eu fui atrás de outro. Dave Navarro, o guitarrista do Jane’s Addiction e do Red Hot Chili Peppers, foi o primeiro cara por quem eu senti uma paixão louca depois de Tommy. Mas a primeira noite em que eu o encontrei foi bem louca.

Minha amiga me ligou pra dizer que estava na casa de Dave depois de uma noitada numa boite e me convidou pra ir pra lá.

O roqueiro tatuado abriu a porta pelado com uma escopeta e vestindo um tule de penas e óculos escuros.

"Estou tão feliz que você tenha vindo", ele disse. "Eu estou no andar de baixo comendo aquela interesseira. Vou botar ela em um vídeo."

Era um vídeo de Dave se masturbando. Eu fiquei bem mais do que espantada, mas levei numa boa até que ele subiu com minha amiga, abriu a porta pra ela sair e colou um adesivo que dizia "Cadela de Famosos" nas costas dela.

Hmmm, ok.

Mas eu fiquei e Dave dedicou toda sua atenção a mim – ele foi doce, engraçado e encantador. Na manhã seguinte, estávamos completando as frases um do outro. Mas não engatamos. Eu tinha medo de me apaixonar demais por Dave. Ele era viciado em heroína, e eu tinha uma filha pra pensar.

Saímos juntos por alguns meses antes de finalmente nos beijarmos. Naquela noite, eu surtei e menti pra Dave, dizendo que eu tinha um namorado.

As coisas nunca foram as mesmas depois daquela noite – ele não conseguia confiar em mim.

Eu me arrependo de ter mentido pra ele. Eu tenho muitos arrependimentos de meus dias no auge do estrelato dos vídeos.

Eu perdi tanto tempo com as drogas e desisti de tantas oportunidades enquanto minha prioridade eram os homens de minha vida. Eu desperdicei reuniões com Robert De Niro, Steven Spielberg e a [gravadora] Jive Records porque eu estava drogada demais para levá-los à sério ou porque eu estava ocupada demais focada em um namorado ou marido.

Mas meu maior arrependimento é ter perdido tempo que poderia ter passado com minha filha. Ela é o verdadeiro amor da minha vida e eu sinto que não fui boa o suficiente para ela. Ela é uma mulher de 22 anos, feliz e bem ajustada agora, na faculdade, entre os melhores alunos de uma escola na Louisiana, Tenho muito orgulho dela, mas me mata saber que nunca recuperarei o tempo que perdi quando ela era jovem.

Eu finalmente me livrei das drogas depois que meu pai e meu padrasto morreram em 2005. E depois disso, pela primeira vez na minha vida, eu arrumei um emprego normal, trabalhando das 9 até as 5. Eu fui assistente de um cara que tinha uma agencia de cães. Era modesto. As pessoas me diziam, "Você não era famosa?" Era constrangedor. Mas era o que eu precisava.

Curiosamente, a fama bateu à minha porta de novo quando uma equipe de filmagem entrou no escritório para filmar um reality show sobre a agência em 2010. Aquele programa não vingou, mas os produtores acharam que eu poderia ter meu próprio reality show.

No ano seguinte, em 2011, meu ex-marido, Jani, morreu de intoxicação etílica aguda. Ele tinha 47 anos de idade. E apesar de estarmos separados fazia anos, a morte dele me destruiu. Dizer a Taylar que o pai dela havia morrido foi uma das coisas mais difíceis que eu já tive que fazer. Mas fez com que eu quisesse ser bem-sucedida por ela.

Eu agora estou no reality show da Fuse, "Ex-Wives of Rock" e meu livro de memórias, "Dirty Rocker Boys", sai dia 26 de Novembro. Eu posso estar de volta à luz da ribalta, mas eu estou fazendo isso de modo diferente dessa vez. Demorou 20 anos, mas eu finalmente tenho uma meta para mim mesma – estar segura e ter sucesso e segurança financeira para minha família.

Eu tenho 44 anos de idade, e de volta a Studio City, a cinco minutos de onde eu morei com Jani. Sou mais feliz agora do que jamais fui. Adoraria me casar de novo, mas relacionamentos não são mais minha prioridade. [...]

A versão para Kindle do livro de Bobbie Brown, "Dirty Rocker Boys", já pode ser baixada no site da Amazon ao custo de 11.89 dólares

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Sobre Nacho Belgrande

Nacho Belgrande foi desde 2004 um dos colaboradores mais lidos do Whiplash.Net. Faleceu no dia 2 de novembro de 2016, vítima de um infarte fulminante. Era extremamente reservado e poucos o conheciam pessoalmente. Estes poucos invariavelmente comentam o quanto era uma pessoa encantadora, ao contrário da persona irascível que encarnou na Internet para irritar tantos mas divertir tantos mais. Por este motivo muitos nunca acreditarão em sua morte. Ele ficaria feliz em saber que até sua morte foi motivo de discórdia e teorias conspiratórias. Mandou bem até o final, Nacho! Valeu! :-)
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