Toe Fat: os dedos gordos do Rock

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Por Edson Medeiros, Fonte: Acid Experience
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Além de ser uma das bandas pioneiras a misturar o Hard e o Prog, o TOE FAT ainda serviu como vitrine musical para que seus integrantes pudessem sair do underground londrino e entrassem de vez no mainstream quando posteriormente fizeram parte de uma dezena de outros grandes grupos, como o URIAH HEEP e o BEE GEES.

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Seu valor pode ter sido reconhecido apenas tardiamente, mas o TOE FAT será sempre lembrado como uma das melhores bandas injustiçadas de todos os tempos.

THE GODS e CLIFF BENNETT & THE REBEL ROUSERS

Em 1969, duas promissoras bandas inglesas estavam acabadas: o combo de R&B chamado REBEL ROUSERS que acompanhava o vocalista CLIFF BENNETT e a banda londrina THE GODS. Ambas nunca chegaram a alcançar boas posições nas paradas de sucesso e nem conquistaram uma grande legião de fãs, mas ao menos serviram para que diversos músicos (mais tarde consagrados) saíssem do underground e entrassem num meio mais profissional da música.

O CLIFF BENNETT & THE REBEL ROUSERS esteve ativo por quase uma década, tornando seu frontman uma espécie de celebridade no Reino Unido, em seu período de atividade lançaram dois álbuns, dois EP’s e uma dezena de singles que só atingiram posições medianas nas paradas britânicas; já o THE GODS se manteve ativo por aproximadamente 4 anos, um curto período onde lançaram somente quatro singles, colocaram dois discos no mercado e ganharam notoriedade nos Pubs da fria Londres.

A formação do TOE FAT

Influenciado pela nova cena que surgia com bandas como o LED ZEPPELIN e o HUMBLE PIE que elevavam o movimento Heavy/Blues criado pelo CREAM a níveis altíssimos de distorção e peso, BENNETT resolve começar uma nova banda nestes moldes e saí à procura de músicos experientes para se juntarem a ele, foi apresentado ao multi-instrumentista KEN HENSLEY (ex-THE GODS) por seu empresário que agendou um jantar de negócios entre os dois, onde firmaram o acerto de formarem uma nova banda, naquela mesma noite escolheram o nome TOE FAT, uma esdrúxula sugestão do manager que queria o nome mais repulsivo possível.

Graças a alguns contatos e amizades que BENNETT havia cultivado durante seus tempos no REBEL ROUSERS logo ele descolaria um contrato para a gravação de dois álbuns, no Reino Unido pelo selo Parlophone e nos EUA pela Rare Earth, um braço mais Rocker da Motown.

Com a maioria dos detalhes acertados, só faltava mesmo gente para ajudar a colocar o projeto pra frente, enquanto HENSLEY convida o baterista LEE KERSLAKE com quem havia tocado no THE GODS, o baixista JOHN KONAS seria escolhido para o posto após algumas audições, mas não durou muito no cargo e acabou se demitindo pouco antes do início das gravações devido aos vários desentendimentos com BENNETT, quem acabou ficando com seu posto foi JOHN GLASCOCK (outro ex-membro do THE GODS).

A estréia em vinil – BENNETT vs. HENSLEY

As gravações do álbum de estreia do grupo duraram até o inicio de 1970, sendo concluídas sob muitas confusões envolvendo BENNETT e HENSLEY, duas personalidades fortes demais para aceitarem as opiniões um do outro, o principal motivo de discórdia entre eles era a direção musical que o grupo deveria tomar, enquanto BENNETT tentava fazer algo mais denso e pesado, HENSLEY pendia para uma música mais Soft e Progressiva, o que culminou na expulsão do guitarrista pouquíssimo tempo após o lançamento do LP TOE FAT, tudo isso em meio a tour de promoção do álbum na Europa, o que forçou BENNETT a pedir socorro ao guitarrista ALAN KENDALL, um velho conhecido da cena underground de Londres. Após o fim das datas no Velho Mundo, KENDALL foi efetivado como membro da banda e eles viajaram pela primeira vez aos Estados Unidos numa longa tour abrindo para o supergrupo DEREK & THE DOMINOS.

Bad Side of the Moon

Voltando para Londres, começaram a trabalhar em novas composições para o seu segundo álbum (já previsto em um contrato firmado pela banda) e enquanto isso chegaria às lojas o primeiro single do grupo extraído da sua estréia homônima, contendo “Just Like Me” no lado A e “Bad Side of the Moon” (original de ELTON JOHN) como lado B. Curiosamente o lado B acabou fazendo mais sucesso que o carro-chefe do single, o que motivou a Parlophone a colocar um segundo compacto no mercado contendo “Bad Side of the Moon” como lado A e “Working Nights” como lado B. Mesmo com o single alcançando boas posições nas paradas – principalmente nos EUA – o álbum não parecia decolar e a banda é forçada a interromper as gravações do seu segundo disco para tentar fazer dinheiro na estrada, isso devido às pressões da gravadora que ameaçava os despedir se continuassem sem dar o retorno esperado.

Sem conseguir bons shows no Reino Unido, o TOE FAT resolve mesmo é apostar no mercado americano e embarcam novamente para a Terra do Tio Sam, mas agora como banda principal e não abrindo shows para outro grupo.

Novas mudanças

Com o final da nova tour, já em 1971 o ex-TOE FAT – agora membro do URIAH HEEP – KEN HENSLEY convida o baterista LEE KERSLAKE a integrar seu novo grupo, este aceita e sem exitar abandona o grupo em meio as gravações de seu segundo disco, o jeito foi recrutar as pressas o irmão mais novo de JOHN, BRIAN GLASCOCK, ainda inexperiente, tendo tocado apenas em bandas amadoras da época. Com tudo praticamente pronto durante a mixagem do novo álbum – que já tinha até nome: TOE FAT TWO – os executivos da EMI, irritados com a pouca vendagem do primeiro disco resolvem troca-los de selo, jogando o grupo para o menor Regal Zonophone e deixando-os quase sem visibilidade comercial na Inglaterra.

O sucesso posterior

Com um novo fracasso comercial foram demitidos pela EMI, o que decretou o fim do grupo, que terminou quase sem nenhum reconhecimento nos dois lados do atlântico a não ser pelo sucesso de “Bad Side of the Moon” nos EUA. Com o passar dos anos o TOE FAT finalmente recebeu algum reconhecimento e admiração por fazer parte de um dos melhores movimentos do Rock, onde se misturavam o Hard e o Progressivo de forma austera e poderosa. Os ex-membros da banda acabaram provando seu valor musical posteriormente, quando passaram por diversos outros grupos como foram os casos de JOHN GLASCOCK com passagens pelo CHICKEN SHACK e o JETHRO TULL, além de ALAN KENDALL e BRIAN GLASCOCK que fariam parte da fase mais gloriosa do BEE GEES. O multi-instrumentista KEN HENSLEY e o baterista LEE KERSLAKE que abandonaram a banda ainda antes do seu fim prematuro, tocaram durante anos no URIAH HEEP, sendo de fundamental importância para o sucesso da banda como uma das grandes do Hard/Prog britânico dos anos 70. Já o vocalista BENNETT reativou seu antigo grupo, o REBEL] ROUUSERS, em mais algumas apresentações antes de sua definitiva aposentadoria.

Discografia:
Toe Fat (1970)
Toe Fat Two (1971)

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