Cristina Scabbia pede que o Spotify não aceite música feita por IA
Por Bruce William
Postado em 16 de dezembro de 2025
De uns tempos pra cá, ficou simples demais apertar meia dúzia de botões e sair com "músicas" prontas, cheias de clichês, imitando banda famosa, timbre, refrão e até jeito de compor. E é justamente esse tipo de atalho que deixou Cristina Scabbia, do Lacuna Coil, com pouca paciência para o tema em uma entrevista recente ao canal espanhol El Jevilongo.
A posição dela já aparece na primeira frase citada pela transcrição do Blabbermouth: "Eu odeio música feita com IA." Logo em seguida, ela admite o óbvio do nosso tempo: "Eu entendo que a IA é o caminho, porque eu não posso negar o progresso", mas emenda que a irritação bate forte em quem vive de criação - músicos, cantores, designers, fotógrafos, ilustradores. "A gente fica meio irritado, especialmente gente criativa", resumiu.

A cobrança dela é bem objetiva: na visão da cantora, a contenção deveria começar nas plataformas. "Eu entendo o lado do negócio, mas plataformas como o Spotify, pelo menos, deveriam dizer não a artistas de IA, porque isso não é música de verdade", disse Scabbia, defendendo que o streaming deveria cravar algo como: "Nós não aceitamos músicos de IA."
O que incomoda não é apenas uma questão filosófica. Ela diz que tem gente consumindo sem perceber, acreditando que está diante de um artista real. Para Scabbia, o problema é o pacote completo: "criações de computadores, sem alma", que acabam virando trilha para vídeos e perfis como se fossem bandas de verdade. "Eu vi muitos, muitos vídeos de pessoas cantando em cima dessas bandas que nem existem", afirmou.
Quando o entrevistador comentou que "criatividade é como um músculo" (se você não usa, você perde), Cristina foi por um caminho bem direto: para ela, quem depende disso muitas vezes "não está realmente interessado em música"" e faz "pelo negócio". E ela ainda diferencia "usar eletrônicos" para acelerar processo ou ampliar ideia de IA como substituto do trabalho: "é uma coisa em que você não está fazendo nada, basicamente".
A parte mais espinhosa é quando a cantora questiona o rótulo de "artista". "Eu não entendo por que se chamam de artistas", disse, antes de dar o exemplo que hoje virou padrão de prompt: "Você não pode ser um artista só digitando: 'Faça uma música que soe como Lacuna Coil'." Na leitura dela, isso "não é criar"; é "trapacear em alto nível".
Essa bronca não começou agora. Em maio de 2024, numa conversa com o canal brasileiro Sonoridades Inc., ela já tinha soltado: "Minha primeira impressão é que eu odeio isso profundamente." Ao mesmo tempo, Scabbia reconheceu que a tecnologia pode ser útil em várias frentes, mas alertou que "o que os humanos são capazes de fazer nunca é 100% bom" e que muita gente vai usar por motivos ruins.
Ainda naquela entrevista, ela puxou um exemplo simples para falar do "humano" na música, citando uma frase de uma canção: "De do do do, de da da da, é tudo o que eu quero te dizer", do The Police. Para Scabbia, uma IA tentaria destrinchar o sentido como se fosse um quebra-cabeça, mas a música funciona porque tem ritmo, voz e intenção - e é aí que ela bate na tecla da emoção: "é difícil trazer essa emoção, porque ela não tem uma - ainda". E fechou de um jeito bem "na verdade, eu só quero distância": "Eu quero continuar escrevendo música sem IA por muito tempo... talvez possa ajudar... eu não sei se eu quero te conhecer."
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