Estrutura Musical: Papel dos Instrumentos na Construção da Música
Por Fábio Sena
Fonte: Fábio Sena, O Louco do Baixo
Postado em 21 de junho de 2013
O fundamento da música é a comunicação. É a expressão de ideias, sensações e sentimentos através do som. Para alcançar a expressão, os instrumentos - lembrando que a voz também é um instrumento musical- são utilizados em combinações ou de maneira isolada.
Em uma banda de rock, os instrumentos tradicionais são voz, guitarra, bateria e baixo. Cada qual tem o seu espaço sonoro e um papel a cumprir dentro da música.
Antes de uma análise individual dos instrumentos, sugiro uma reflexão mais profunda sobre o som, o ato de ouvir e a música.
O som é vibração. Quando um corpo entra em contato com outro, ele vibra e emite sinais sonoros que atingem nossos ouvidos. Estes sinais se transformam em impulsos nervosos transmitidos ao cérebro, que interpretará a origem e as particularidades do som captado, baseando-se em experiências anteriores. Tais experiências são interpretações das quatro características do som: altura, intensidade, duração e timbre.
-Altura: É como percebemos se um som é Agudo (‘fino’), Grave (‘grosso’) ou intermediário (meio termo entre as duas alturas). Não devemos confundir com volume;
-Intensidade: Também conhecida por dinâmica, é o volume no qual o som chega aos nossos ouvidos. O som pode ser muito alto, muito baixo e as várias interpretações intermediárias;
-Duração: É o que define até quando o som será sustentado no tempo. Quanto mais longa a nota, maior a duração, quanto mais curta, menor;
-Timbre: É o que diferencia uma fonte sonora da outra. Um som de uma guitarra tocando numa mesma altura e intensidade, é diferente do som de uma flauta tocando nas mesmas condições.
Para transformar os sons em musica, é preciso organizá-los através do pensamento musical. Tradicionalmente, este pensamento dividi-se em três níveis: Melodia, harmonia e ritmo.
-Melodia: é a sucessão de sons individuais;
-Harmonia: é a sucessão de sons simultâneos. Por exemplo, os acordes de uma guitarra;
-Ritmo é a organização do som dentro do tempo, numa sucessão de acentuações em tempos fortes e fracos em intervalos regulares.
Um outro fator importante na atividade musical é a composição. Este elemento pode ser entendido como trechos musicais interligados que formam um todo coerente. É o mapa da música, responsável por indicar a introdução, verso, demais terminologias e, também, quando e como essas partes surgirão na música.
Com estes conceitos apresentados, se torna mais fácil identificar quem está fazendo o que na prática musical coletiva. A partir deste ponto, apresentaremos individualmente os papéis de cada instrumento e, identificaremos também, o papel na estrutura musical e seu espaço dentro do campo sonoro.
A bateria é responsável pelo ritmo e pela pulsação - o andamento da musica. Indica com rudimentos (viradas) as mudanças de trechos da composição. Atua nas frequências graves e é parte essencial do controle da dinâmica na prática coletiva.
O baixo trabalha junto com a bateria na criação do ritmo e na pulsação. Isso acontece quando o baixista toca junto com as peças da bateria, principalmente caixa e bumbo. Tem papel essencial na criação da harmonia, já que toca a nota mais grave dos acordes. Essa nota é a referencia para quem atua na seção melódica e é a que dá nome aos acordes. Atua nas frequências graves e médias, dependendo do contexto e da dinâmica.
A guitarra é a responsável direta pela harmonia, pois trabalha com sons simultâneos, os acordes. Também atua na seção melódica em solos e contracantos. Seu espaço é a região média e aguda e controla a dinâmica acionando diferentes timbres, que vão desde um som limpo, ate um som distorcido e passando por nuances intermediárias.
A voz é responsável pela seção melódica, cantando a melodia principal. Se houver outros cantores no grupo, é possível fazer o backing vocal, que também é uma espécie de harmonização. A voz efetua a transmissão da mensagem da canção através da letra, já, que além dos sons, há um texto combinado à melodia. As vozes atuam em diferentes frequências, conforme a natureza do cantor. Se for homem, naturalmente alcançará um registro mais grave. No caso da voz feminina, um registro mais agudo.
Esses são os papéis tradicionais de cada músico, e o que se espera de cada um na visão tradicional. Porém, é comum que esses papéis sejam subvertidos. Muitas vezes, os instrumentos da seção rítmica trabalham a seção melódica quando fazem solos. É o que acontece quando há um solo de bateria ou de baixo, por exemplo. Vale ressaltar que as seções não são divisões fechadas e muitas vezes um instrumento trabalha em duas ou três seções ao mesmo tempo.
Aos músicos que enxergam a música somente sob o ângulo do seus próprios instrumentos, sugiro que se reposicionem em um contexto mais abrangente. E ao público ouvinte, que normalmente escuta a música de forma abrangente, sugiro que preste atenção em cada instrumento, individualmente. Com certeza isso ajudará no entendimento e apreciação mais profunda da arte musical.
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