Obskure: paixão e luta pelo Underground

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Por Leonardo M. Brauna, Fonte: ...um olhar obscuro...
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A banda cearense OBSKURE apareceu em maio de 1989 formada pelos Irmãos AMAUDSON XIMENES E JOLSON XIMENES. Foi um período emergente para o Underground do estado que ganhava força e via crescer cada vez mais uma importante cena para a região. Na ocasião, visando à arrecadação para gravar as suas demo – tapes os irmãos ainda muito jovens tiveram que se desfazer de alguns itens das suas coleções de LP’s, e foram vender caipirinha numa feira de artesanato. Também tiveram apoio dos pais e Desde cedo trabalhando para alcançar a sua meta a banda hoje é uma das principais representantes do Metal nordestino à custa de muito suor e dedicação.

Outros “garotos” se juntaram à dupla, e com a banda formada a OBSKURE começava a dar os passos seguintes ensaiando e se apresentando em Fortaleza conquistando o gosto e a credibilidade do público Headbanger. A formação se definia em: NERTAN (vocal), AMAUDSON “DEATH CORE” (guitarra), JORGE “MATRICIDE” (bateria) e JOLSON “GORDO” (baixo).


Com esse “Casting” o quarteto lançou a primeira DT “Uterus and Grave” em 1990, ela trazia três faixas e apresentava um “Grind-Death” muito consistente. Outro fator que impressionava era a sua qualidade sonora muito à frente dos padrões da época. Foram três horas de gravação e mixagem, e a hora de estúdio custava 20 dólares, a inflação atingia o patamar de 90% ao mês. Este trabalho conseguiu notoriedade até mesmo na imprensa popular local e ainda chamou a atenção dos “Bangers” de outros países como Colômbia, Chile, Argentina, Alemanha, Guatemala e México. Em 1992 a OBSKURE apresentava a sua “nova formação” que contava com DANIEL BOYADJIAN (vocal, guitarra), AMAUDSON XIMENES (guitarra), JOLSON XIMENES (baixo) e MARCOS MANO que assumia as baquetas - o baterista MANO infelizmente veio a falecer em julho desse ano como mostra a matéria do colaborador Leonardo Daniel:
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Com o “Line – Up” reformulado os integrantes foram mais uma vez no estúdio para lançar a segunda demo, “Opressions in Obscutity”. A fórmula era a mesma, Death Metal cravado com riffs “perturbadores” adicionados de uma qualidade maior com a chegada dos novos membros. Devido à relevante cobertura da imprensa ao primeiro trabalho os jornais já tinham se antecipado em noticiar a entrada da banda nas gravações para o segundo, depois que a “K7” saiu a receptividade foi a mesma. Atualmente está sendo consolidado um projeto que vem relançando todas as suas demos em formato 7” EP, e esta foi a primeira a surgir nesse formato, com comercialização no Brasil e exterior.

Com toda força e atitude empregadas em sua música o grupo caminhava mais longe, e em 1993 fechariam com um selo baiano para o lançamento de um “Split”, só que o trabalho da banda cearense acabou servindo para a sua terceira DT com as gravações que entrariam para aquele disco. Sem ter que dividir as atenções com outra banda no Split – LP, a OBSKURE consegue com a sua “The Singing of Hungry” ser notada também pelas revistas especializadas do período, recebendo elogios até de integrantes de bandas da cena nacional.

A OBSKURE nesses primeiros anos conseguiu “desviar” os olhos da mídia local que na cultura musical sempre priorizou os ritmos populares e regionais. Talvez por ser a primeira a representar o contexto “Metal” e sua proposta nesse veículo tão “seletivo”. Ela conseguiu mais espaço em todos os seus lançamentos, mas vale lembrar também o interesse da banda em mostrar e divulgar o seu trabalho, mantendo boa relação com todo esse aparato midiático.

Outro ponto importante na carreira do grupo aconteceu em 1996 com a participação na coletânea “The Winds of a New Millenium, Vol. 1”, esta já veio em formato CD e foi lançada pelo selo mineiro “Demise Records”. A exposição da banda tornou-se ainda maior e isso a levou assinar com outro selo independente, o “Moon Shadow” de Natal – RN. Nessa época a banda já evoluíra musicalmente, incorporava ao seu som passagens épicas e climas operísticos, mas sem descaracterizar a base sonora que é o Death Metal. Nesse período também é lançada a compilação “Atitude I” que mostrava bandas com músicas retratando o tema social, a OBSKURE participou desse CD com duas faixas, e segundo o guitarrista/fundador AMAUDSON, começou daí a se estruturar uma idéia de unificação das bandas de Rock do Ceará que hoje abraça vários projetos e talentos conhecida como ACR (Associação Cultural cearense do Rock), inclusive um dos maiores festivais “Underground” do Brasil, “Forcaos”. AMAUDSON ainda conta que a idéia veio de um intercâmbio com um grande amigo de Brasilia, “Felipe CxDxCx”.


Em 1997 a banda passou por um momento bastante delicado. Ela estava completando oito anos de atividade, mas há dois vinha sem baterista, no entanto quem deu apoio nesse momento foi o guitarrista/vocalista da banda SOH, BRUNO GABAI que também tocou bateria em outra banda cearense, INSANITY. Este chegou a participar de alguns shows e também gravou as partes de bateria para o primeiro registro oficial em CD. Durante as sessões, outra baixa, a tecladista CRIS sai deixando as gravações de teclado nas mãos de DANIEL e JOLSON. Passados esses momentos de “indefinição” chegaram para completar o time, WILKER D’ANGELO que assumiu de vez as baquetas e JULIANA COSTA os teclados.

“No município de Mossoró – RN aconteceu o show que celebrou o lançamento de seu ‘Debut’, “Overcasting”. A chegada do álbum se deu a 1º de novembro de 1998 (antes do lançamento oficial houve uma “distribuição” da promo – tape de mesmo nome para melhor divulgação do trabalho de 1998.) inflamando com comentários positivos dos principais veículos especializados a nível nacional. No ano seguinte a banda completava 10 anos de estrada, e a maneira melhor que encontraram para comemorar foi presentear os fãs com uma segunda tiragem do álbum “Overcasting”, esse feito foi realizado com grande festa numa casa de shows para “Headbangers” em Fortaleza.

Passando para o novo milênio, em abril de 2000 o Brasil vivia o calor de comemorações de seus 500 anos. A ACR já atuante desde 1998 aproveitou a “significativa data” e organizou um festival utilizando o tema: “BRASIL: Com o Rock são Outros 500.”, e logo o festival virou um documentário que apresenta depoimentos e clipes das bandas participantes. Ao subir em palco a OBSKURE começou a apresentação com um manifesto escrito por AMAUDSON onde retratava o ponto de vista da banda em relação aos 500 anos do país.


Em 2001 a banda recebeu um convite do KRISIUN para tocar na capital paulista fazendo abertura para os gaúchos. O público paulistano reagiu ao grupo com bastante satisfação, e o nome dos cearenses ecoava ainda mais pela região sudeste graças aos ótimos comentários feitos pelas revistas que cobriam o evento. Esse ano também foi lançado o EP “The Emptiness Spectable, são duas faixas que mostram uma sonoridade mais refinada com algumas vocalizações femininas. O mais interessante é que toda essa experimentação na evolução musical não ofusca as suas origens “Grind”, e outro grande momento está na faixa “Pieces from the Old Life” que conta com a participação de ALEX CAMARGO (KRISIUN). Infelizmente esse período também foi marcado pela saída de DANIEL depois de dez anos na banda. Com LUCAS GURGEL assumindo a guitarra a banda participou do CD cooperativo “Unidos pela Causa Underground” do selo brasiliense “Independência Rec.” Mais shows foram feitos em Natal, São Luiz, Teresina e João Pessoa.


Em 2003 com DANIEL fazendo o seu retorno, a banda se apresenta para um público em torno de mil e quinhentas pessoas na cidade de Belém – PA. Já de volta à Fortaleza os “obscuros” encerram a noite mais “Grotesca” da quinta edição do Forcaos. Nos quinze anos de banda a OBSKURE recebeu o seu novo integrante, o ex – guitarrista/vocal da banda paraibana SOTURNOS, RAFAEL BASSO. Em dezembro de 2004 foi produzido um “Sinlge” com duas faixas, “From One Stopped Dreaming”. Esse trabalho saiu em 2005.

Fora do contexto musical a socióloga “Abda Medeiros” em sua monografia de graduação de Ciências Sociais, abordou o tema que tratava do Rock na cidade de Fortaleza. Junto a sua dissertação a autora mencionou a história vivida da banda OBSKURE e da conterrânea CLAMUS.

O Forcaos de 2006 marcou a despedida de RAFAEL para a banda, este teve que retornar à Paraíba e hoje segue morando na Suécia. Mais uma vez os rapazes tiveram que “se arrumar”, pois em 2007 começariam as composições e gravações do próximo álbum oficial que terminaria só em 2011. A banda já com bastante experiência de estrada e seus trabalhos sendo feitos de maneira independente, não se apressou em reagrupar a turma novamente. Mas hoje com o seu segundo registro lançado, “Dense Shades of Mankind” os nomes se definem em: GERMANO MONTEIRO (vocal), AMAUDSON XIMENES (guitarra base), DANIEL BOYADJIAN (guitarra solo), JOLSON XIMENES (baixo), WILKER D’ANGELO (bateria) e FÁBIO BARROS (teclados). O CD só veio sair neste ano, mas como sempre impressiona pela qualidade que já é marca registrada da banda. Maiores detalhes confira mais uma vez na resenha de Leonardo Daniel:
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A OBSKURE cada vez mais vem conseguindo território na divulgação não só da sua música, mas de toda a cena nordestina que encontra no movimento Underground uma força de expressão motivada pela paixão que leva esses guerreiros ao “cumprimento do seu dever” e à busca incessante por mais representantes, pois hoje a ACR é uma realidade que se confunde com a história da banda, e se não fosse pelo “sonho” de seu criador, AMAUDSON XIMENES, a luta seria bem mais difícil e os fatos certamente teriam tomado um caminho muito distante da realidade de hoje. O que podemos aprender com isso? Perseverança, pequena palavra que traduz FORÇA DE VONTADE!

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Sobre Leonardo M. Brauna

Leonardo M. Brauna é cearense de Maracanaú e desde adolescente vive a cultura do Rock/Metal. Além do Whiplash, o redator escreve para a revista Roadie Crew e é assessor de imprensa da Roadie Metal. A sua dedicação se define na busca constante por boas novidades e tesouros ainda obscuros.

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