Neil Young: "Like a Hurricane", uma canção imortal

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Por Max P., Fonte: Blog rockrevista
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Hesitei durante algum tempo em escrever sobre NEIL YOUNG, o pai do grunge e um dos pilares do folk rock. Talvez por admirá-lo demais e temeroso de não conseguir fazer um post à altura do que ele representa para mim e para o rock. Mas, enfim...
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YOUNG é um dos caras que embasaram meu gosto musical e provavelmente a melhor herança que meu professor de rock deixou entre tantas outras preciosidades. Nas trocas de idéias sobre música NEIL sempre surgia como o caminho correto, a essência roqueira simples e honesta.

Se NEIL YOUNG ilustra bem as facetas melódicas e pesadas do rock’n roll, sua magnífica “Like a Hurricane” dá contornos definitivos à essência do próprio artista: letra inteligente, dualidade entre a sonoridade suave da música e as distorções carregadas de guitarra, o coração na ponta da palheta.

“Like a Hurricane” é uma canção de quase 35 anos de idade, mas que não desbotou ao longo do tempo. Seus traços são de imortalidade. Em nenhuma audição ela perdeu a carga elétrica fantástica que senti na primeira vez que a ouvi, há mais de 15 anos.

A canção foi composta em julho de 1975, apesar de vir a ser gravada e lançada somente no álbum “American Stars’n Bars”, de 1977. A música é incrível, densa, combinando perfeitamente intensidade e melancolia. Tendo a Crazy Horse como suporte, NEIL YOUNG conseguiu uma excitação roqueira que não tinha com Corsby, Stills e Nash, sua talentosa banda anterior, de traços mais folk.

A letra foi escrita no período em que NEIL convalescia de uma cirurgia nas cordas vocais, e o cenário veio de uma noite de exageros com seu amigo Taylor Phelps nos bares de San Matheo.

A noite que inspirou a música se deu em um intervalo na vida sentimental de YOUNG. Ele havia rompido há pouco com a atriz Carrie Snodgress, e sua essência romântica aflorava. O belo trecho “Eu sou um sonhador, mas você é somente um sonho” deixa isso bem claro.

A canção fala de um fugaz encontro entre NEIL e uma mulher em um bar. O fato efetivamente aconteceu e a garota se chamava Gail.

Os versos trazem YOUNG se aproximando da garota, deixam subentendida uma intensa química entre os dois (olhos dela em fogo, toque nos lábios) mas culminam com um infeliz desfecho: o sentimento de desolação de NEIL por não tê-la levado para casa.

Segundo reza a lenda a garota não saiu da cabeça de NEIL YOUNG por um tempo. A frustração pelo inatingível levou o cara ao teclado, de onde saíram as primeiras notas da canção. Um tempo depois NEIL levou um esboço da música à sua banda, com duas frases escritas em um envelope: “You are like a hurricane, there’s calm in your eye”. A partir disso a banda começou a trabalhar na canção, que ficou pronta em 10 dias.

Em entrevista a um jornal canadense, o guitarrista Poncho Sampedro trouxe mais detalhes interessantes sobre a elaboração de “Like a Hurricane”: “NEIL não estava gostando do jeito que eu tocava a guitarra, do ritmo que eu tinha na elaboração. Tudo mudou quando eu comecei a dedilhar as cordas de forma simples, e YOUNG disse que este poderia ser o jeito certo. E foi a única vez que a tocamos daquela maneira, aquele foi o take.”

Além da simplicidade, outras fontes de inspiração contribuíram para a formação da música. A clássica canção sessentista “Runaway”, de Del Shannon, por exemplo. NEIL YOUNG explicou essa situação no livro “Shakey”: “Quando ‘Runway’ chega à parte ‘I’m walkin’ in the rain...”, estes são acordes semelhantes ao refrão de ‘Like a Hurricane’.

YOUNG também fez menção honrosa ao seu baixista, Billy Talbot: “A canção vem de uma sequência de quatro notas do baixo de Billy. Às vezes ela soa como se estivéssemos tocando realmente rápido, mas não estamos. A música apenas gira em ciclos.”

NEIL YOUNG é um cara modesto mesmo, às vezes em demasia. Obviamente a base do baixo e a origem das notas são essenciais, mas 90% do brilho de “Like a Hurricane” vêm de sua performance na guitarra. Desde o riff inicial os holofotes dirigem-se somente para as notas lamuriosas e poderosas que NEIL extrai.

A música é longa (8min20seg), mas de plena energia e profundidade emocional. Letra e melodia trazem à tona a obscuridade e a ternura do mundo de NEIL. Os caracteres dos fatos de sua vida pessoal estão fortemente presentes, como sempre. Os vários solos são envolventes e mesmo as distorções são melodicamente lindas.

A tradução da canção é mais ou menos a seguinte: “Uma vez pensei ter te visto em um bar lotado e esfumaçado, dançando na luz de estrela a estrela. Bem longe dos raios da luz da lua, sei que é isso que você é. Uma vez vi seus olhos castanhos virarem fogo.// Você é como um furacão, há calma em seu olho. E estou sendo arremessado para longe, para algum lugar mais seguro onde o sentimento permanece. Eu quero te amar mas estou sendo arremessado para longe.// Eu sou só um sonhador, mas você é somente um sonho. Você poderia ter sido qualquer uma pra mim ante daquele momento quando tocou meus lábios, aquele sentimento perfeito. Foi quando o tempo deslizou para longe de nós em nossa jornada nebulosa.”

Assim como outras canções clássicas do rock, “Like a Hurricane” também teve que passar por uma edição para adequar-se ao tempo das emissoras de rádio da época. Uma versão mais curta foi lançada em 08 de agosto de 1977, como um b-side do single "Hold Back the Tears".

“Like a Hurricane” também ganhou uma versão sensacional no “Unplugged” de NEIL YOUNG, em 1991. O cara trocou a guitarra pelo piano, colocou a harmônica em ação e presenteou os fãs com uma belíssima e densa releitura do rascunho da música.

Outra performance que merece absoluto destaque é a gravada no excepcional “Weld”, de 1991, um dos melhores shows ao vivo da história do rock. Ao lado de sua melhor banda, NEIL YOUNG faz sua guitarra chorar durante 15 minutos de uma forma poucas vezes vista.

Abaixo, vídeo de outra versão inesquecível desta canção, gravada ao vivo em Berlin, 1982. Ao lado de Ben Keith (guitarra), Joe Lala (percussão), Nils Lofgren (teclados), Bruce Palmer (baixo) e Ralph Molina (bateria), NEIL YOUNG nos dá uma aula de rock’n roll. De arrepiar...

Abraços a todos.

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Post de 10 de julho de 2017

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