Sonics
Por Ana D. M.
Postado em 25 de junho de 2006
Originalmente publicada no site Dying Days
The Sonics é uma daquelas bandas injustiçadas que nunca chegaram a estourar no seu país natal, mas que tiveram uma importância gigantesca, e que até hoje críticos não conseguiram decidir se eles foram "ancestrais" do "punk" ou do "grunge" (sendo que resposta óbvia provavelmente é "ambos"). Banda alternativa metida a porradinha adora dizer que foi influenciada, mesmo, é pelos Stooges. Na grande maioria das vezes, é mesmo. De Sonic Youth a Strokes, poucas bandas escapam disso. Bem, esta não só escapa, como foi "só" a que influenciou os Stooges... entre outras, do calibre de Cramps e praticamente toda banda que pipocou na região do Noroeste dos EUA. Então, The Sonics não é pouca m*, como você pode conferir ouvindo o som, não só por causa dos seguidores deles. Ainda hoje, com quase meio século de idade, suas gravações soam sujas e quem não estava avisado disso pode se impressionar. Não é sem motivo que o vocalista, Gerry Roslie, é insistentemente comparado a Little Richard: com gritos histéricos em músicas na maioria inspiradas em histórias de terror, somadas às guitarras distorcidas (ou como disse Andy Parypa, no Seattle Times em 84: "Se nossos discos parecem distorcidos, é porque eles são. Meu irmão (Larry) estava sempre fuçando nas caixas. Elas sempre estavam tipo overdrive... Ou ele estava desconectando os auto-falantes e esburacando eles com um furador de gelo. É por isso que a gente acabou soando como um trem quebrado."), as composições deles como The Witch, Psycho, Strychnine e Boss Hoss, mais do que "hits" da época, tornaram-se "crássicos" das bandas de garagem. Fora as composições próprias, a banda gravou diversos covers de, é claro, Little Richard, Chuck Berry e Bo Diddley.
A origem dos Sonics é considerada como sendo os ensaios de Larry Parypa (guitarra) com Mitch Graber (baterista), Stuart Turner (outro guitarra), e o irmão de Larry, Andy, nos idos de 1960, em Tacoma, WA. Diversas vezes ocorreram trocas de instrumentos e de instrumentistas, sendo que várias figuras locais "respeitáveis" tocaram com eles, como o guitarra Rich Koch (The Wailers) e o vocal Ray Michelson (The Roamers, The Imperials, entre outras). A formação "oficial" dos Sonics foi atingida somente em 1963, quando Bob Bennett, Gerry Roslie e Rob Lind, que tocavam nos Searchers, juntaram-se ao grupo, com a saída de outros integrantes por motivos nobres como serviço militar, vontade de casar e serem homens de família ou cuidar melhor do seu carro.
Assim, temos a formação dos Sonics que é encontrada nos discos, com Gerry Roslie nos vocais e piano/órgão, Andy Parypa como guitarrista, Larry Parypa como baixista, Bob Bennett na bateria e Rob Lind no saxofone. Na época, a Boing estava testando jatinhos de transporte supersônicos, o que provocava explosões sônicas (estes são os verdadeiros "sonic booms", não os do Street Fighter) na região; daí o nome da banda. Inicialmente, Roslie fazia apenas os teclados, sendo a banda ainda instrumental, e assumiu os vocais no início de 1964.
As primeiras apresentações foram feitas no St. Mary's Parish Hall (para os íntimos, salão da paróquia de Santa Maria), e depois em diversos colégios e clubes adolescentes nas redondezas de Seattle, como Red Carpet, Olympia's Skateland (sim, de hockey sobre patins), Evergreen Ballroom (que ainda existiria, se não tivesse sido detonado num incêncio em 2000), Pearl's e Spanish Castle. Na época, os Wailers já tinham seu próprio selo, Etiquette Records, e seu baixista, Buck Ormsby, foi quem recrutou os Sonics para que gravassem seu primeiro single. Detalhe: segundo ele, descobriu a banda no porão de Bob Benett, o que não parece ser de todo um absurdo, uma vez que a filosofia da banda era tocar o mais alto possível.
O primeiro single, "The Witch", de 64, virou "febre" depois da apresentação da banda no colégio de segundo grau de Tacoma. A piazada torrou tanto o saco do DJ local, Pat O'Day, que quando a música foi ao ar, a coisa quase saiu do controle. De fato, a rádio só executava a música após as 15h, ou seja, depois que as crianças saíssem das escolas... O segundo single, "Psycho", também tornou-se um hit.
O LP "Here Are the Sonics", de 65, segundo a lenda, foi toscamente gravado com somente um microfone atrás da bateria inteira, sendo que para alcançar a distorção que queria, a banda só se dava por satisfeita quando os amplificadores estavam sobrecarregados.
Tanto o primeiro quanto o segundo LP saíram pela mesma gravadora dos singles, a Etiquette. Até 1966, a banda já tinha aberto shows para os Beach Boys, Herman's Hermits, Righteous Brothers, Kinks, Lovin' Spoonful, Liverpool 5, Shangri-Las, Mamas & Papas e Byrds. Neste mesmo ano, os Sonics mudaram para o selo Jerden Records, que havia ficado conhecido por ter gravado o hit Louie Louie com os Kingman em 63.
Por ser o primeiro álbum numa gravadora maior, o terceiro álbum foi chamado "Introducing the Sonics", embora o nome mesmo seja "Maintaining my Cool". Este terceiro é também descrito como o pior de todos pela própria banda, pois por causa das restrições impostas pela gravadora, acabou ficando muito mais "limpinho". Depois disso, a formação original gravou apenas mais um 45'', "Any Way The Wind Blows", um cover de Frank Zappa, e os membros começaram a sair da banda para participar de outras ou começar a faculdade. O último a sair foi Rob Lind, em 1968. A última apresentação gravada foi uma reunião da banda em 1972, para uma performance ao vivo no Seattle Paramount, lançada pela Etiquette com o nome "Live Fanz Only".
No fim das contas, Rob Lind se meteu com a indústria de cinema, Gerry Roslie ainda grava e compõe músicas e Andy Parypa é professor. A banda ainda influencia muitos músicos até hoje, sendo que um dos maiores puxa-sacos brasileiros dos Sonics no Brasil é o vocalista dos Ratos do Porão, João Gordo.
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