L7
Postado em 06 de abril de 2006
Biografia originalmente publicada no site Dying Days
Por Alexandre Luzardo
A idéia de formar o L7 surgiu em 1985 quando Suzi Gardner conheceu Donita Sparks em Los Angeles. Na verdade, nenhuma das duas era de Los Angeles, Suzi morava em Sacramento enquanto que Donita era de Chicago. Em 1986, depois de muito ensaio, a idéia da banda ficou mais séria quando Jennifer Finch (que morava em San Francisco) se tornou a baixista do recém formado L7. A partir daí a banda passa a fazer vários shows em clubes da cidade, com Suzi e Donita nos vocais e guitarras, Jennifer no baixo e o baterista Roy Koutsky completando a formação. E não demorou muito para conseguir um contrato, que acaba sendo assinado com a gravadora Epitaph para o lançamento de seu primeiro disco . O álbum, auto-intitulado "L7" é lançado em 1988 com produção de Brett Guertzitz, e a banda embarca em sua primeira turnê nacional, abrindo para o Bad Religion.
Depois de um tempo trocando de bateristas, em 1988, Demetra (Dee) Plaskas, que também era de Chicago, se junta a banda, solidificando de vez a formação considerada "original" do L7. Já no ano seguinte o L7 assina com a Sub Pop e faz a sua segunda turnê nacional. desta vez ao lado da banda Catt Butt. O primeiro lançamento pela Sub Pop surge em 1990, o disco "Smell The Magic". Depois de sua primeira turnê na Europa (abrindo shows para o Nirvana), e vários shows lotados nos EUA, o L7 começa a chamar a atenção das grandes gravadoras. Em 1991 a banda assina com a Slash Records e no ano seguinte é lançado "Bricks Are Heavy". Com o novo disco, o L7 mostrou que não perdeu a sua agressividade e a sua pegada depois de assinar com uma gravadora grande, apenas consolidou o seu estilo contando com uma produção mais caprichada. "Brick Are Heavy" foi produzido por Butch Vig (hoje no Garbage), o guru por trás dos clássicos "Nevermind", "Siamese Dream" e "Dirty", entre outros.
Mas a repercussão do novo álbum foi extraordinária, vendendo centenas de milhares de cópias no mundo todo, puxado principalmente pelo sucesso de "Pretend We're Dead", a música mais calma e pop do disco, até hoje a música mais conhecida do L7.
O restante de 1992 e 1993 foi ocupadíssimo na carreira da banda, com duas extensas turnês nos Estados Unidos, outras duas na Europa (uma delas abrindo para o Faith no More), shows no Japão e Austrália, apresentações ao vivo em programas como o de David Letterman nos EUA, e shows em grandes festivais, como o de Reading na Inglaterra e o Hollywood Rock no Rio e em São Paulo. De sua passagem pelo Brasil, o L7 deve guardar boas lembranças. Apesar da companhia de grandes nomes como Nirvana, Alice In Chains e Red Hot Chili Peppers, o L7 não fez feio e foi protagonista de um dos mais empolgantes shows do festival.
Nessa época a banda ajudou a fundar a organização Rock for Choice, entidade beneficente que arrecada fundos para a luta pelo direito de escolha das mulheres com relação ao aborto. O primeiro show do Rock for Choice contou, além do próprio L7, com o Nirvana e Hole. Aliás, são várias as conexões entre o L7 e o Nirvana, além das diversas turnês e shows em conjunto, foi por intermédio de Jennifer Finch, a baixista do L7 que Courtney Love conheceu Kurt Cobain.
Hoje em dia, o Rock for Choice continua influente a atuante, mas o L7 se distanciou das atividades do dia-a-dia da organização. "Nosso negócio e rock e não política", justificam as meninas.
1994 foi o ano do lançamento do pesadíssimo "Hungry For Stink", produzido por Garth Richardson. Desta vez não houve um grande hit nem as vendas entusiasmaram, mas com certeza o L7 já tinha garantido um público do tamanho que sempre pretendeu. O primeiro single, "Andres" teve videoclip co-dirigido por Steve Hanft (que trabalhou no clip de "Loser" do Beck) e pela própria Donita Sparks. Ainda em 1994, o L7 participou do mega-festival alternativo Lollapalooza.
Depois de um merecido descanso, a banda retorna para gravar um novo álbum em 1997, desta vez com uma péssima notícia: Jennifer Finch deixaria o grupo depois de 10 anos juntos (ela pretendia retomar a faculdade). O novo álbum, "The Beauty Process: Triple Platinum" é o mais diverso e variado do L7 até hoje. Letras enigmáticas e composições mais trabalhadas estão presentes no disco, mas sem deixar de lado a espontaneidade. A música "Lorenza, Giada, Alessandra" surgiu de uma improvisação durante um show na Itália (a música é uma homenagem à três fãs italianas). Por outro lado, "Moonshine" é o mais próprio do romântico que o L7 já gravou. Para a turnê do novo disco, a banda contou com a presença da baixista Gail Greenwood, que tocava na banda Belly. Essa turnê foi registrada em um vídeo dirigido por Krist Novoselic, lançado com o título de "The Beauty Process Live".
Como a vendagem de discos nunca foi um determinante na carreira da banda, logo após Beauty Process, o contrato com a gravadora Slash não é renovado e o L7 está de volta às gravadoras independentes. Mas a banda faz essa transição em grande estilo, fundando a sua própria gravadora, a Wax Tadpole Records. O primeiro disco pela nova casa é "Slap-Happy", de 1999, mais um trabalho digno ao legado do L7. O disco foi gravado como um trio, já sem a presença de Gail Greenwood, que deixou a banda por razões geográficas. A maratona de shows de divulgação de "Slap-Happy" contou com a nova baixista Janis Tanaka.
Atualmente a banda está naquele recesso de costume entre um álbum e outro e ainda não há planos nem datas para retomar as atividades.
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